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Caso Milena: acusados tentam se livrar de Júri Popular

Médica foi baleada quando saía de plantão do hospital

Pronto-socorro do Hospital Infantil no HPM vai receber o nome de Milena Gottardi
Pronto-socorro do Hospital Infantil no HPM vai receber o nome de Milena Gottardi
Foto: Guilherme Ferrari/Arquivo

O assassinato da médica Milena Gottardi, de 38 anos, vai completar um ano na sexta-feira (14), trazendo diversos capítulos de uma história que chocou os capixabas. Agora, os advogados dos seis acusados pelo crime querem que seus clientes se livrem do júri popular, anunciado pelo juiz da 1° Vara Criminal Marcos Pereira Sanches, no último mês.

No dia 14 de setembro de 2017, a médica foi assassinada com um tiro na cabeça, no estacionamento do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em Vitória. Ela tinha acabado de sair do trabalho e estava acompanhada de uma amiga quando foi surpreendida por um homem que simulou um assalto. A morte foi declarada no dia seguinte.

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O policial civil Hilário Frasson e o pai dele, Esperidião Frasson, foram denunciados como mandantes do crime. Eles teriam contratado dois intermediários, Hermenegildo Palaoro Filho e Valcir da Silva Dias, para ajudar no crime e contratar um atirador. Dionathas Alves é apontado como a pessoa que realizou o disparo. Ele, por sua vez, solicitou ao cunhado Bruno Broetto uma moto, que foi usada no crime.

QUESTIONAMENTO

Os advogados dos réus afirmam que eles não têm participação no crime e recorreram contra a sentença de pronúncia do juiz Marcos Pereira Sanches.

O advogado de Esperidião, Hiran Luis da Silva, disse que entrou com recurso na 1° Vara Criminal de Vitória para que o juiz possa esclarecer alguns pontos da pronúncia - decisão que encaminhou o réu a júri popular -, no entanto, não disse quais seriam. “Havia coisas com duplo sentido”, disse o advogado. Ele completa que após essa decisão é que entrará com recurso contra o tribunal de júri.

Já o advogado de Hermenegildo, David Passos, recorreu da denúncia por achar que não há provas suficientes. Assim como ele, a defesa de Valcir, Adoniran Lopes, fez o mesmo e protocolou o recurso na 1° Vara Criminal de Vitória, no mês de agosto.

“O recurso é para questionar a ida de meu cliente a júri popular, a defesa entende que não há indícios suficientes de autoria para que o denunciado seja levado a julgamento”, disse David.

Já o advogado de Bruno, Leonardo Rocha, disse que a intenção é buscar a impronúncia no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Ele disse que não existe nenhum elemento e nenhuma prova objetiva de que Bruno tinha ciência de que a moto seria utilizada no crime.

Ele também faz a defesa de Dionathas e pediu que ele não seja julgado pelo crime de feminicídio. “Dionathas não cometeu o crime contra a Milena em função de ela ser mulher ou esposa do Hilário Frasson. O Dionathas cometeu o crime por ter recebido dinheiro. Nossa ideia é que o Tribunal exclua a qualificadora de feminicídio e, assim, que ele responda apenas por homicídio qualificado”, disse.

Ele também protocolou um Habeas Corpus no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) buscando a liberdade de Bruno e pedindo a exclusão de provas ilícitas de Dionathas, mas não detalhou quais seriam.

“No caso de Bruno, além do excesso de prazo na conclusão do processo, há ausência de qualquer motivo que possa justificar a prisão dele antes da condenação”, disse.

O advogado de Hilário, Leonardo Gagno, foi procurado por A GAZETA, mas não respondeu as mensagens nem retornou as ligações. No entanto, há um recurso protocolado em nome de seu cliente na 1° Vara Criminal contra a sentença de pronúncia.

DEFESA

O advogado da família de Milena, Renan Sales, ressaltou que a possibilidade de recorrer é uma garantia constitucional, porém, pode atrasar o processo. Ele espera que o julgamento ocorra de forma célere, já que a família espera por justiça.

“Temos certeza de que os recursos não poderão modificar a pronúncia de todos os seis acusados por toda prova produzida nos autos. Eles são os responsáveis pelo covarde feminicídio que vitimou Milena. Infelizmente, o manejo desses recursos acaba por atrasar o processo”, ressaltou.

14/09/17

Crime

Milena foi baleada na cabeça dentro do estacionamento do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam) quando saía de um plantão. Ela estava com uma colega de trabalho, também médica, e seguia para o carro – um Onix prata – quando o acusado Dionathas Alves apontou a arma. Ele simulou um assalto antes de atirar, pedindo o celular. Milena foi transferida para o Hospital Unimed.

15/09/18

Morte

O anúncio da morte da médica Milena Gottardi foi feito às 16h50. Ele chocou os parentes e amigos que fizeram uma vigília em frente ao Hospital Unimed. Antes da notícia, eles se reuniram na porta do hospital com balões brancos e fizeram um ato em prol da paz e pedindo mais segurança. O crime de feminicídio já era a principal linha de investigação da Polícia Civil.

16/09/18

Atirador é preso

O denunciado como o atirador na cabeça da médica, Dionathas Alves, foi preso e prestou depoimento a policiais na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Além dele, foram detidos Valcir da Silva Dias, intermediário do crime, e Bruno Broetto, que forneceu a moto usada no crime. O veículo foi apreendido em Fundão. A médica foi enterrada no mesmo município. O ex-marido não apareceu na cidade.

21/09/17

Hilário na cadeia

O policial civil Hilário Frasson foi preso enquanto trabalhava no 15° distrito policial, em Cariacica Sede. O pai dele, Esperidião Frasson, foi preso horas antes, em Fundão. Ambos são acusados de serem os mandantes do crime.

Uma carta (veja ao lado) escrita pela médica descreveu o comportamento agressivo de Hilário e afirmou que a separação seria a busca por paz.

25/09/17

Intermediário preso

O sexto suspeito de participar da morte da médica Milena Gottardi Tonini Frasson, Hermenegildo Palaoro Filho, suspeito de intermediar o assassinato, foi preso em Aimorés, no interior de Minas Gerais. Ele estava num cômodo separado em uma propriedade que pertence à família de um conhecido. Antes, ele passou por Conceição do Castelo e Laranja da Terra.

18/10/17

Conclusão do inquérito

A polícia concluiu o inquérito da morte da médica. Hilário e Esperidião foram apontados como mandantes do crime. Segundo investigação, eles usaram dois intermediários, Valcir e Hermenegildo, para ajudar no assassinato e contratar o matador. Dionathas Alves foi acusado de atirar na médica. A recompensa seria de R$ 2 mil. A moto teria sido fornecida pelo cunhado, Bruno Broetto.

27/10/18

Denúncia MP

Seis pessoas foram denunciadas pelo assassinato da médica pelo Ministério Público do Estado (MPES). Foi pedido ainda, por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Vitória, a conversão da prisão temporária em preventiva. Todos os envolvidos foram denunciados pelos crimes de homicídio qualificado, feminicídio e fraude processual. Apenas Bruno foi denunciado apenas pelo crime de feminicídio.

01/11/17

Processo

O juiz da 1ª Vara Criminal de Vitória, Marcos Pereira Sanches aceitou a denúncia do Ministério Público. A fase de audiência, para ouvir as 16 testemunhas de defesa e as 19 de acusação, ocorreu de 16 de janeiro a 25 de abril de 2018, no Fórum Criminal de Vitória. Após essa fase, no dia 13 de agosto, o juiz se pronunciou que os seis réus iriam a júri popular. Eles continuam presos.

 

 

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