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Caso Milena Gottardi: "A gente vive com medo, além de toda tristeza"

Desabafo é da mãe da médica, Zilca Gottardi, e do irmão Douglas, que assumiu a guarda das filhas de Milena

Dona Zilca Gottardi e o filho Douglas Gottardi
Dona Zilca Gottardi e o filho Douglas Gottardi
Foto: Marcelo Prest | GZ

Na semana que completa um ano da morte da médica Milena Gottardi — baleada ao sair de um plantão no Hospital das Clínicas, em Vitória, no dia 14 de setembro — a mãe, Zilca Maria Gottardi, e o irmão, Douglas Gottardi Tonini, realizaram uma coletiva de imprensa na noite desta quarta-feira (12), em Fundão, para comentar sobre o caso. A mãe da médica afirmou que a rotina da família mudou após a morte da filha.

"Uma semana muito difícil. Cada tempo muito difícil. Coração apertado. A saudade vai aumentando. Nossa vida mudou toda. Ela (uma das filhas) sente muito a falta da mãe e mudou tudo a maneira de viver, a vida se transformou, mudou de casa, de escola", disse Zilca.

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Douglas disse que, após a morte da irmã, a filha mais velha de Milena teve problemas e precisou fazer tratamento com psiquiatra e psicólogo. Ele afirmou que, por medo, a menina não quer ter mais contato com o pai.

"Na primeira semana, elas sabiam que tinha acontecido com a mãe, mas não tocamos muito no assunto. No momento que prenderam Hilário voltamos para casa, sentei com a mais velha e contei. No início, ela não acreditou. Eu abri o jornal e mostrei para ela. Ela ficou triste e no outro dia começou a me perguntar. Depois quando ela entendeu parou de perguntar, talvez com medo da resposta. Hoje ela não pergunta pelo pai", disse. 

MEDO

Além de conviver com a dor da saudade, os familiares de Milena Gottardi convivem com o medo diariamente. Na época do crime, a família chegou a se esconder temendo que algo pudesse acontecer. "Ficamos uma semana foragidos com medo que ele fizesse alguma coisa, esperando a polícia tentar fechar as provas. Toda vez que tem pedido de habeas corpus a gente fica com medo. A gente vive com medo, além de toda tristeza".

SEPARAÇÃO

Douglas disse que, para salvar o casamento, a irmã deu oportunidades a Hilário. "Hilário não fez nada para melhorar o casamento, como pessoa. Ele não aceitou o término e resolveu da pior forma possível, acabou com a vida da minha irmã e de muita gente. Um caminho que acontece com várias mulheres hoje em dia".

Abalada, Zilca relembrou da morte do marido, o agricultor Honório Tonini, que também foi brutalmente assassinado em fevereiro de 2001. "Nunca imaginei que iria acontecer de novo".

Douglas espera que a Justiça seja feita e que os culpados paguem pelo crime. "Desejo que a pena seja bem rigorosa. Deveria ser de prisão perpétua, pra que ele nunca procure a nossa família".

JÚRI POPULAR

O policial civil Hilário Frasson e mais cinco pessoas denunciadas pelo assassinato da médica Milena Gottardi vão à júri popular. A decisão é do juiz da Primeira Vara Criminal de Vitória, Marcos Pereira Sanches, publicada no início da tarde do dia 13 de agosto. O crime aconteceu em setembro do ano passado, no estacionamento do Hospital das Clínicas (Hucam) e um dos réus era o ex-marido da vítima.

Cinco dos denunciados vão responder pelo crime de feminicídio: os mandantes Hilário Frasson, ex-marido da vítima; e o pai dele, Espiridião Frasson; além dos que intermediaram o crime, Hermenegildo Palauro Filho (Judinho) e Valcir Dias da Silva; além do executor, Dionathas Alves Vieira.

Segundo o juiz, os réus "praticaram o crime por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, bem como pelo motivo da vítima ser do sexo feminino, no contexto da violência doméstica e familiar contra a mulher, ao passo que o acusado Bruno praticou tal crime mediante recurso que dificultou a defesa da vítima", declara em sua decisão.

Ainda de acordo com a decisão, eles foram incluídos nos seguintes artigos: art. 121, §2º, I, IV e VI, §2º-A, I, que trata do feminicídio. E ainda no artigo 347, parágrafo único, c.c. art. 29, “caput”, modificar a cena do crime, na época, para que parecesse um latrocínio - roubo seguido de morte. Todos do Código Penal.

O sexto denunciado, Bruno Broeto, segundo a decisão, vai responder por homicídio, feito à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido, previsto no Código Penal, artigo 121, § 2º, IV, c.c. art. 29, “caput”.

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