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Designer usa fantasia para distribuir abraços na Grande Vitória

Daieny Schuttz também aproveita para dar uma palavra amiga e conscientizar sobre o Setembro Amarelo

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Quem anda pelos pontos mais movimentados de Vila Velha e Vitória, especialmente durante este mês de setembro, pode se deparar com a inusitada imagem de um simpático gatinho preto com detalhes cor-de-rosa no rabo e nas orelhas, segurando uma placa que diz “abraços grátis”. Por trás do personagem, chamado “Kyoki”, está a designer Daieny Schuttz de Araújo, de 25 anos.

Há quatro anos, ela criou para si uma fursona, ou seja, um personagem com quem se identifica na cultura furry, que se inspira em animais que possuem características humanas, constantemente presentes em filmes, desenhos animados e quadrinhos.

“Nós somos, de certa forma, semelhantes aos geeks. Adoramos nos vestir como animais fofinhos, criados com base na nossa própria personalidade e usamos essa roupa chamada fursuit. Costumo participar de alguns eventos voltados a animes (desenhos japoneses), cultura oriental e aos próprios furries na Grande Vitória. No mês passado participei do Brasil FurFest em São Paulo, onde encontrei centenas de furries como eu, vindos de todo o Brasil e até de fora do país”, explica Daieny.

Em São Paulo, a designer deu palestra sobre o Setembro Amarelo, campanha anual de prevenção ao suicídio que encoraja as pessoas a buscarem ajuda. Em Vitória, Daieny e outros sete amigos fizeram, no dia 16 de setembro, uma caminhada de conscientização sobre o tema. O grupo percorreu quase três quilômetros desde a Reta da Penha, distribuindo abraços e balinhas. “Eu fui uma criança bem carente, sempre me senti muito sozinha, e na internet encontrei outros como eu, amigos com quem construí essa relação de carinho. Acredito que as pessoas sempre precisam de algo que as anime e incentive de alguma forma. Às vezes, quando posto um desenho meu nas redes sociais, tenho um retorno muito positivo de gente dizendo que ganhou o dia com isso. Um abraço tem um poder muito maior”, afirma.

Em suas redes sociais (Daieny Schuttz no Facebook, Instagram e Twitter), a jovem recebe diversas mensagens com desabafos de diferentes pessoas que se sentem deslocadas de alguma maneira. “Pessoas LGBT que estão sofrendo preconceito me procuram, assim como adolescentes em conflito com os pais, por exemplo”, conta. “Todos precisam de alguém para conversar. Claro que estou longe de ser uma terapeuta, não sou qualificada para isso, mas sempre tento ajudar de alguma forma com algum conselho ou uma palavra amiga”.

Para ela, o próprio ato de se vestir de Kyoki é uma terapia, já que o fursuit tem o poder de deixá-la mais extrovertida. “Recebo alguns convites para participar de eventos em lugares fechados. Recentemente, mesmo sendo extremamente sedentária, andei em uma esteira elétrica de uma academia que me convidou para participar de uma ação do Setembro Amarelo vestida de Kyoki. Tenho amigos muito tímidos que, quando colocam a roupa, querem abraçar todo mundo, tirar várias fotos”, relata Daieny. “E a própria comunidade é mais receptiva quando vê essa figura do animalzinho bonitinho. Claro que alguns me ignoram ou acham estranho, mas muitos me abraçam e se divertem comigo”, conta.

Enquanto Daieny conversava com o Gazeta Online, na Praça Central de Vila Velha, o aposentado Júlio Antunes Pereira, de 88 anos, observava a cena e não resistiu: “Achei muito curioso e senti a necessidade de mexer com ela. Hoje em dia as pessoas estão precisando muito de afeto”, observou, enquanto abraçava o personagem.

(A autora é residente em jornalismo. Texto sob supervisão de Daniella Zanotti)

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