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Despesa por aluno: cidades que mais gastam não têm melhores notas

Das 10 com maior custo na área, só uma tem bom desempenho

Foto: Pixabay

Um conta que não bate: os dez municípios que mais gastam em educação – proporcionalmente ao número de alunos – não são os que conseguem os melhores resultados nas avaliações de desempenho. Dentre as dez cidades com maior custo por aluno no Estado em 2017 – boa parte delas beneficiadas pelos recursos dos royalties de petróleo – apenas uma figura também na lista das dez maiores notas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Espírito Santo.

Presidente Kennedy, exemplo mais flagrante, gastou R$ 28,9 mil por aluno no ano passado. No entanto, o município – um dos que recebe royalties – ficou na 48ª colocação nos anos finais e em 36ª nos iniciais.

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Governador Lindenberg, que tem receita relativamente alta e população pequena, gasta R$ 11 mil com cada um de seus 829 estudantes. O município alcançou 22ª lugar nos anos iniciais. Não foi informada a nota dos anos finais pois não havia número mínimo de alunos para que ela fosse divulgada de acordo com as regras do MEC.

Já Anchieta, terceiro colocado dentre os municípios com maior gasto em educação, ficou em 32º lugar na avaliação dos anos finais e em 27º nos anos iniciais.

Segundo a análise do especialista em políticas públicas Roberto Simões, alguns fatores podem explicar essa defasagem. Um deles é a qualidade da gestão. “Há uma questão relacionada à gestão em um nível mais macro. Diz respeito à maneira como é feita a distribuição dos recursos existentes. Quanto é pago aos professores? Quanto é investido em uma biblioteca decente? Quanto vai em estrutura para os alunos?”

Outro ponto tem a ver como o que os municípios rotulam como “educação”. “No caso de Presidente Kennedy, por exemplo, uma parte significativa do que aparece como sendo gasto com educação é pago em transporte escolar para alunos estudarem em outros municípios e em bolsas de graduação. Às vezes o dinheiro está indo para algo rotulado como educação, mas que não é a rede municipal”, afirma.

Simões avalia ainda que a interação da escola com a comunidade onde ela está inserida é fundamental para obter bons resultados. “Não basta o aluno ir para a aula se, em casa, os pais trabalham ou não têm muita instrução e ele acaba solto. Por isso é importante acompanhar o aluno. Muitas vezes, a educação se resume em ir na aula e pronto.”

FORA DA CURVA

Apenas Marilândia, na Região Noroeste do Estado, parece ter feito jus ao dinheiro gasto com educação. A cidade é a 6ª que mais investiu na área e alcançou 7º lugar no ranking dos anos iniciais. Não houve número suficiente de alunos nos anos finais para que o resultado fosse divulgado.

No ensino médio, os resultados foram positivos para o Espírito Santo. O Estado obteve a maior nota do Brasil, considerando escolas públicas e privadas, com média 4,4. No entanto a meta, que era de 5,1 não foi alcançada.

Quando analisadas apenas as escolas estaduais, o Espírito Santo tem o segundo melhor Ideb do país com 4,1. O Estado fica atrás de Goiás (4,4). Nesse quesito, a meta para 2017, que era de 4,4, também não é alcançada.

IDEB

O Ideb é considerado um indicador de qualidade dos ensinos fundamental e médio, abrangendo as redes pública e privada. Ele é formado por duas variáveis: a nota no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) – conhecida como Prova Brasil – e a taxa de aprovação. Um número é multiplicado pelo outro para formar o índice.

Considera-se que o Ideb mostra em que medida os estudantes estão aprendendo e passando de ano. Assim, para que o índice de uma escola ou rede cresça é preciso que o estudante aprenda, não repita o ano e frequente as aulas. O objetivo é que o Brasil tenha um Ideb médio de 6 no ensino médio até 2028.

 

 

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