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Estudo avalia os remédios mais eficazes para tratar a tuberculose

Iniciativa tem como objetivo identificar como combater o tipo mais grave da doença

Geisa Fregona diz que a tuberculose é a doença que mais faz vítimas no mundo, ultrapassando a Aids
Geisa Fregona diz que a tuberculose é a doença que mais faz vítimas no mundo, ultrapassando a Aids
Foto: Marcelo Prest

Duas pesquisadoras capixabas participaram de um estudo que avalia os remédios mais eficazes no tratamento da forma mais grave de tuberculose, que é resistente aos medicamentos comuns. Uma delas é a enfermeira e doutora em Saúde Coletiva Geisa Fregona. Ela explica que foram avaliados 60 bancos de dados com mais de 12 mil pacientes, inclusive alguns que fazem parte do Programa de controle de Tuberculose do Hucam.

A enfermeira afirma que a pesquisa, publicada na revista científica The Lancet, uma das mais prestigiadas no meio, é um marco na luta contra a erradicação da doença. “O paciente de tuberculose comum é curado em 98% das vezes. Já dentre aqueles com a bactéria só 54% dos que iniciaram tratamento se curam”, afirma. Além dela, a coordenadora do Laboratório de Epidemiologia da Ufes, Ethel Maciel, também assina o estudo.

A tuberculose é a doença infecciosa que mais faz vítimas no mundo, ultrapassando a Aids. “Estima-se que um quarto da população no mundo esteja com a bactéria, mas apenas 10% adoece. No Brasil são notificados todo os anos em torno de 70 mil casos novos. No Espírito Santo são cerca de 1,2 mil novos casos por ano”, explica a pesquisadora.

O gari Gilberto da Silva, 28, sofreu com tosses durante duas semanas até descobrir que estava com tuberculose. "Eu fiquei meio chocado. Primeiro eu perguntei à médica se tinha cura e ela disse que sim". Ele tem medo de transmitir a doença à família pois eles vivem em um único cômodo em Cariacica. “Esse tratamento eu vou fazer até o final para acabar com a doença e com a preocupação”, diz.

O tratamento para a tuberculose comum é feito nos serviços de atenção primária de saúde e dura seis meses. No entanto, se não há apoio suficiente, o paciente acaba desistindo o tratamento no meio e, com isso, a bactéria vai se tornando resistente. Quando isso acontece, o tratamento passa a ser muito mais longo, podendo chegar a dois anos.

Ela ressalta que, no país, o número de casos graves da doença ainda é pequeno, mas como a tuberculose é uma doença transmitida pelo ar, há o risco desse tipo de bactéria resistente a medicamentos se espalhar. “A Organização Mundial da Saúde pretende acabar com a tuberculose até 2035, mas a resistente é uma ameaça à essa meta. Se os casos resistentes aumentam muito, a gente não controla mais a doença”, diz.

O estudo, que foi publicado há cerca de uma semana, poderá ser usado para melhorar a eficácia do tratamento desse tipo de tuberculose. “O estudo aponta outras drogas, inclusive orais, com eficiência melhor. E isso pode mudar as indicações, a composição do esquema de tratamento da tuberculose grave”, comemora.

Pesquisadores de outros 24 países também participaram desse esforço. O estudo apontou que algumas drogas que são normalmente usadas para tratar a tuberculose grave não são tão eficazes, e outras, menos comuns funcionam melhor. Também ficou demonstrado quais as doses mais eficientes no combate à doença.

 

 

Entenda mais sobre a doença

Tuberculose

A doença

 

 

É provocada por uma micobactéria e é a doença infecciosa que mais mata no mundo.

Como transmite

 

 

É transmitida pelo ar. Passa de uma pessoa para outra através da tosse.

Sintomas

 

 

Os principais são tosse prolongada, febre, suor noturno, cansaço e dor no peito.

Tratamento

 

 

É gratuito e oferecido apenas pelo SUS. Ele dura cerca de seis meses e não pode ser interrompido pois a bactéria pode se tornar resistente ao medicamento.

Pesquisa

 

 

Produção

 

 

Foram analisadas bases de dados de 60 estudos com cerca de 12 mil pacientes.

Objetivo

 

 

Avaliar os remédios mais eficazes no tratamento da forma mais grave de tuberculose, que é resistente aos medicamentos comuns.

Descoberta

 

 

O estudo apontou que algumas drogas que são normalmente usadas para tratar a tuberculose grave não são tão eficazes, e outras, menos comuns funcionam melhor. Também foram analisadas quais são as doses mais eficientes.

 

 

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