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Ele vive de aluguel, mas já construiu 26 casas para carentes no ES

Ele começou o trabalho voluntário há 18 anos para abrigar famílias em risco social. Apesar disso, até hoje não construiu sua própria casa e vive de aluguel em Guarapari

Senhor de 70 anos que vive de aluguel constrói casas para pessoas carentes
Senhor de 70 anos que vive de aluguel constrói casas para pessoas carentes
Foto: Carlos Alberto Silva

Construir casas para quem precisa tornou-se uma missão para o técnico em edificações e funcionário público João Luiz da Silva, 70. Ele começou o trabalho voluntário há 18 anos e, desde então, já foram 26 imóveis erguidos para abrigar famílias em risco social. Apesar disso, até hoje não construiu sua própria casa e vive de aluguel em Guarapari.

João Luiz conta que começou com o projeto no ano 2000, quando fez três casas para a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Guarapari. “Depois, levei a ideia para o Grupo Espírita Allan Kardec, e lá construímos mais 21 casas”, lembra.

Agora, prepara uma Organização Não Governamental (ONG), a Solidariedade Já!, para que seu projeto ganhe força e possa transformar a vida de mais gente com moradia.

Na última semana, ele entregou mais uma construção. Dona Expedita Felismina da Silva, de 65 anos, vivia em uma casa simples de dois cômodos e que não tinha banheiro. Um amigo de João Luiz, Manoel Sampaio Neto, contou a ele sobre a situação, que o comoveu. Ao ir até o local, entretanto, percebeu que era necessário muito mais. “Quando vi a situação falei que ela precisava de uma casa nova”, diz. Os dois trabalharam juntos até o falecimento de Manoel.

Senhor de 70 anos que vive de aluguel constrói casas para pessoas carentes
Senhor de 70 anos que vive de aluguel constrói casas para pessoas carentes
Foto: Carlos Alberto Silva

Dona Expedita, que viveu por 28 anos na pequena construção, mudou-se, mas não para longe. Ela ganhou uma nova moradia, feita no mesmo terreno da antiga. Ela foi erguida pelo grupo de voluntários mobilizados pelo técnico em edificações.

A residência foi construída no período de um ano e meio. Contou com a participação de profissionais de várias áreas que doaram material de construção e colocaram a mão na massa em seus dias de folga.

VÍDEO

HISTÓRIA DE VIDA

A mudança para nova casa fez dona Expedita relembrar os momentos tristes, alegres e incertezas que viveu ao longo dos anos. Ficou viúva cedo e foi no pequeno barraco de tijolos de cimento sem reboco e telhas antigas e desgastadas que criou com muita dificuldade as duas filhas. Trabalhou como faxineira e lavava roupas para fora.

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Um dos cômodos com duas camas de solteiro sem guarda roupas e uma televisão de tubo recém doada foi utilizado como quarto, e no outro cômodo o espaço era dividido com um sofá rasgado, fogão, e uma prateleira que guardava os mantimentos.

Com a falta do banheiro o banho era de mangueira do lado de fora. “O banheiro era em lugar nenhum. Fazia as necessidades e enterrava”, disse Expedita.

Hoje, Expedida se mantém com a pensão que recebe de R$ 700. Faz questão de afirmar que mesmo com todas as dificuldades paga em dia as contas de água e de luz. Mas o que a enche mesmo de orgulho é poder mostrar seu novo lar.

Cada espaço foi pensado como se os nós fossemos os moradores. A casa tem o banheiro, dois quartos uma sala bem espaçosa, cozinha e uma área de serviço que construímos seu fogão a lenha”, explicou João Luiz, quer ajudar mais pessoas.

MINIENTREVISTA

A pretensão de João Luiz da Silva é quer criar uma ONG para realizar o sonho de outras famílias.

Quando começou a fazer esse trabalho?

Comecei esse projeto no ano 2000 com a construção de três casas para a associação de catadores de materiais recicláveis de Guarapari. Depois levei esse projeto para o Grupo Espírita Allan Kardec e construímos mais 21 casas.

Quando começou a fazer a casa de dona Expedita?

Há um ano e meio atrás. A casa foi feita nos fins de semana. Quem a conhecia era um amigo, o Manoel Sampaio, que faleceu há uns cinco meses. Ele me falou dessa família. Vimos que o terreno tinha um bom espaço e começamos a construir a casa com a ajuda de voluntários.

O que o senhor espera com a ONG?

É bem complexo ter uma ONG funcionando, mas temos o interesse de ajudar pessoas como a dona Expedita, transformar a realidade de vida dessas pessoas.