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Slime: aprenda a fazer a massinha caseira que virou febre

A brincadeira faz sucesso e vira produto comercializado entre crianças

Isabela, Ana Paula, Julia  e Anamaria com algumas de suas massinhas
Isabela, Ana Paula, Julia e Anamaria com algumas de suas massinhas
Foto: Ricardo Medeiros

Uma “geleca” colorida, para brincar de esticar e puxar. O slime, febre do momento entre crianças, faz sucesso nos grupinhos de amigos, é protagonista de muitos vídeos redes sociais e pode ganhar diferentes cores e glitter, tornando-se colecionáveis. A massinha, feita à base de cola, é motivo de encontros onde acontecem vendas e troca de informações sobre como fazê-las e incrementá-las.

Entre as adeptas do slime, oito meninas começaram a fabricar o produto para brincar por conta própria e postar nas redes sociais. O sucesso foi tanto que as slimes personalizados feitos por elas passaram a ser vendidos para todo o país.

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Ana Paula Hertel, 11 anos, é uma das que produzem massinhas. Ela posta as invenções que faz com outra duas amigas no Instagram Llama Slime. Segundo ela, a primeira massinha que fez causou curiosidade nos colegas da escola, que passaram a pedir que ela fabricasse mais. “As primeiras tentativas de fazer a slime deram errado, mas quando achei uma receita boa, levei para a escola e as pessoas começaram a perguntar se eu venderia. Aí comecei a vender só na escola”, conta.

Em seguida, com a ajuda de uma amiga que conheceu no Instagram, criaram a marca e passaram a vender para um público maior. “Quero trocar de celular com o dinheiro das vendas, mas como estamos participando de muitos encontros, tenho gastado mais para fazer mais produtos e depois vender”, explica.

A mãe de Ana Paula, a administradora Luciane Hertel, explica que as três integrantes da Llama Slime se uniram com outras três marcas que conheceram também pelas redes sociais e hoje elas se encontram periodicamente para trocar informações e, é claro, se divertir com as massinhas. “A cada encontro elas incrementam uma coisa nova, mudam embalagem, mudam a logo do produto. Para elas isso é uma diversão. Elas trocam informações, ideias, compartilham novidades e se ajudam mutuamente”, diz.

Segundo Luciane, ela e as outras mães perceberam que as meninas desenvolveram muitas habilidades desde que começaram a produzir e vender slimes. “Vimos a habilidade de organização e planejamento: elas mesmas custeiam novos produtos com a venda dos outros. Elas estão com noção de educação financeira, gestão, empreendedorismo e muitas outras”, relata a mãe.

Quanto à relação com o dinheiro, a administradora explica que, desde cedo, conversou com Ana Paula e colocou as regras. “Ela tem a mesada dela. Quando começou a vender, eu comprava os materiais, mas depois falei eu se ela quisesse continuar ia ter que comprar com o dinheiro da mesada e das vendas. Hoje ela consegue juntar o dinheiro para o objetivo dela”, explica.

Julia de Paula tem 12 anos e começou a vender slimes depois que uma colega trouxe uma massinha dos EUA. “Fui pesquisando as receitas e fiz umas para ver se dava certo. Aí, na escola, perguntaram porque eu não colocava no Instagram. Depois que eu criei a conta comecei a vender”, diz.

Ela tem a marca Sheep Slimes, que conta com mais de 5 mil seguidores no Instagram. Julia explica que, em dia de evento, chega a vender 100 unidades. Os slimes custam entre R$ 15 e R$ 20, dependendo da decoração utilizada, que pode ser bolinhas de isopor, purpurina, pérolas, contas diversas e muitas outras.

“Uma parte do dinheiro eu uso para comprar mais material e fazer mais slimes, a outra parte eu gasto com material escolar e roupas pra mim. Também junto um pouco porque quero fazer intercâmbio e 2021”, esclarece.

EMPREEDER TAMBÉM É ASSUNTO PARA CRIANÇA

Empreendedorismo, inovação e negócios são assuntos para criança também. Segundo a educadora financeira Herica Gomes é muito importante que os menores aprendam a lidar com dinheiro desde cedo para que tenham uma boa saúde financeira no futuro. Por isso, o envolvimento das meninas com suas marcas de slime são interessantes para o desenvolvimento.

“Várias conceitos estão embutidos nesses pequenos negócios de compra e venda, entre eles o empreendedorismo, a inovação a concorrência e as questões matemáticas”, diz.

Segundo a especialista, a partir dos 6 anos, as crianças já entendem alguns conceitos importantes. “Nessa idade, a criança já tem um conhecimento de números e de contas e conseguem ter a compreensão dessa troca que é a compra e a venda.”

Outra importante lição que as crianças podem aprender é em relação ao uso do dinheiro recebido. “É preciso educar sobre como a criança vai gastá-lo. Se ela sempre gasta tudo de uma vez o cérebro entende isso como um padrão e esse padrão pode se repetir mais tarde na vida. Quando tiver um salário, talvez não pense em guardar para o futuro.”

Nesse ponto, Herica afirma que a orientação dos pais é fundamental. “Precisamos orientar que uma parte do dinheiro que passe pelas mãos da criança precisa ser preservado. Os pais também podem ajudar para não deixar que a brincadeira se torne muito mercantilista.”

A especialista reforça ainda que, além desses conceitos, essas pequenas compras e vendas ajudam no desenvolvimento de outras áreas da vida da criança. “Essa brincadeira de desenvolver para vender, ir até os amigos, sair das quatro paredes, largar um pouco as telas dos eletrônicos, é muito interessante até para desenvolvimento cognitivo.”

Colorido: a massinha pode ser decorada e ganhar muitas cores diferentes
Colorido: a massinha pode ser decorada e ganhar muitas cores diferentes
Foto: reprodução facebook

SAIBA MAIS 

O que é

A massinha

O slime é a nova moda de massa de modelar que vem dominando a internet com receitas e texturas diferentes. Ele é parecido com a “geleca”, febre nos anos 90. A palavra slime, em inglês, significa viscoso ou pegajoso.

Febre

Vídeos

Só no YouTube é possível encontrar quase 23 milhões de vídeos sobre o tema. No Instagram, há mais de 10 milhões de referências ao termo.

Em casa

Diversão

Existem slimes industrializados, mas a maior parte da diversão, segundo as crianças, vem de fazer as próprias misturas em casa.

Como faz

Receitas

Há diversas receitas, mas a mais comum consiste em misturar cola branca e bórax (composto usado na indústria que pode ser comprado em farmácias). A massinha não é comestível. Mas também tem receitas à base de amido de milho e talco, por exemplo.

Personalização

Mistura

A partir da massa base, é possível criar uma infinidade de personalizações, misturando corantes, contas, lantejoulas, glitter, pérolas e outros. Algumas slimers (como os “especialistas” em slime são chamados na internet), colocam até cheiros de frutas nas massinhas.

Riscos

Intoxicação

O manuseio do bórax pode gerar intoxicação. O mesmo vale para a água boricada. Por isso, há quem use receita com farinha de trigo, sal, água e óleo.

RECEITAS

Slime

Ingredientes:

Meio copo (85 ml) de

cola branca, uma colher (sopa) de bórax, dois copos de água, algumas gotas de corante da cor que

desejar.

Como fazer

Preencha metade de um copo com a cola branca.

Dissolva o bórax em um copo de água, coloque e mexa bem até que esteja bem diluído. Depois, pegue uma colher (sopa) da água com bórax e coloque no outro copo com água. Mexa novamente. Coloque a quantidade de corante que achar necessário no copo com a cola e misture. Depois pegue uma colher (sopa) da solução de água com bórax do segundo copo, que está mais diluído ainda e coloque no copo com cola. Mexa bastante para incorporar bem.

Repita o processo até que o slime chegue na consistência desejada.

Slime comestível

Ingredientes

Um pacote grande de marshmallows, amido de milho, açúcar de confeiteiro

Como fazer

Coloque todos os marshmallows em uma tigela e aqueça-os no microondas até derreterem (comece com 10 segundos). Peneire quantidades idênticas de açúcar de confeiteiro e de amido de milho sobre os marshmallows derretidos. Não coloque muito para a massa não ficar dura. Misture com espátula e, quando estiver fria, é só começar a esticar. E comer tudo no final.

Receita do livro “Grudes, Gosmas e Outras Melecas”

 

 

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