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"Tecnologia não vai resolver todos os problemas da educação"

Tecnologia e educação foram discutidos durante evento para pais e mestre, promovido pela Rede Gazeta

Encontro de Pais e Mestres, promovido pela Rede Gazeta, aconteceu nesta quarta-feira (3) no auditório da empresa
Encontro de Pais e Mestres, promovido pela Rede Gazeta, aconteceu nesta quarta-feira (3) no auditório da empresa
Foto: Adessandro Reis

Como a tecnologia pode ajudar na educação de crianças e jovens? Que língua fala a molecada digital? O tema foi debatido na manhã desta quarta-feira (03) durante o Encontro de Pais e Mestres, promovido pela Rede Gazeta, no auditório da empresa. A discussão contou com a participação do jornalista e apresentador de TV Marcelo Tas, e de Adriana Vieira, coordenadora da Área de Tecnologias do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC). 

Para Adriana Vieira, incluir a tecnologia nas escola, especialmente as públicas, passa por quatro pilares: currículo, produção e curadoria de recursos digitais - há muita coisa na internet -, gestão de professores e infraestrutura. O último item é onde o Brasil ainda tem muito para avançar.

Se a gente pensa em educação pública, ainda temos muito problema. As escolas têm conexão, mas em geral são péssimas. É uma banda larga que não dá para fazer uma atividade com vídeo. A infraestrutura continua sendo uma grande questão

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Professora de português, e atualmente coordenadora de tecnologia de uma organização voltada para projetos para escolas públicas e formação de professores, Adriana acredita que a tecnologia tem muito para contribuir, mas não é capaz de resolver, sozinha, os problemas da educação brasileira.

"A gente não acha que a tecnologia vai resolver todos os problemas da educação, que são muitos. Mas a gente acha que ela pode sim ajudar. Principalmente pode aproximar a escola a vida cotidiana desses jovens. Eles estão hiperconectados, chegam à escola com repertório muito amplo da cultura digital. O professor tem que ter objetivo, melhorar a noção de algum conhecimento, de alguma questão, proporcionar inovação nessa prática. Não adianta incluir (a tecnologia) para reproduzir velhas práticas pedagógicas", defende.

O evento ajudou profissionais da educação a se aproximarem da cultura digital. Para Luana Palomo, de 22 anos, funcionária de um escola particular de Vila Velha, ainda há resistência sobre o assunto nas salas de aula.

"Acho importante discutir essas coisas porque não são conversadas o tempo todo. Ainda tem uma restrição muito grande na sala de aula, a gente percebe muito isso. É muito importante esse tipo de palestra para as pessoas entenderem o peso da tecnologia na sala de aula em um mundo tão conectado", afirmou.

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Educadora de um instituto que trabalha om adolescente, Luzi Barbosa, 43 anos, concorda que ainda há muito para aprender: "Sou de uma geração que não tinha tecnologia. Para entender a realidade deles tenho que me colocar no lugar deles, acompanhar".

De acordo com Adriana Vieira, a ideia é a sala de aula aprenda com a tecnologia a ser mais prática e menos teórica.  "Aproximar as práticas pedagógicas dessa cultura digital. Isso é muito importante, e já é uma proposta curricular hoje. Na base nacional comum curricular, prevê isso. Aproximar cada vez mais a prática pedagógica, o professor, a escola, com a vida cotidiana dos alunos. Ser menos teórico e mais prático, fazer as conexões com a realidade, fazer esse jovem olhar para a sua localidade. Tem que ser uma educação mais protagonista e menos passiva", conclui.

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