Notícia

Familiares de Kauã fecham avenida em protesto contra liberdade de pastora

Pastora Juliana Salles deixou a penitenciária na madrugada desta quinta-feira (08)

Familiares e amigos do menino Kauã, de 6 anos, filho do comerciante Rainy Butkovsky e da pastora Juliana Salles, fecharam duas avenidas, no Centro de Vitória, na manhã desta quinta-feira (08), em protesto contra a liberdade de Juliana, que deixou a penitenciária às 3h desta quinta-feira (08) após um alvará de soltura expedido pela Justiça nesta quarta (07). 

De acordo com a Guarda Municipal de Vitória, a manifestação começou por volta de 7h40. Cerca de 15 pessoas atearam fogo em pneus e interditaram a Avenida Getúlio Vargas. Os manifestantes, liderados pelo pai Kauã, Rainy Butkovsky, pediam justiça. Eles ocuparam duas, das três faixas da via. Por volta de 8h30, os manifestantes liberaram a Avenida Getúlio Vargas e ocuparam a Avenida Jerônimo Monteiro. Às 9h12 o trânsito foi liberado. 

Ao ser indagado pelo motivo do protesto, Rainy Butkovsky respondeu: "Indignação e revolta pela Juliana ter sido solta, depois do próprio juiz André Bijus Dadalto declarar que ela assumiu, junto com o Georgeval, para ceifar a vida das crianças em prol de aumentar a arrecadação de fiéis, em prol de se promover no meio religioso".

Rainy Butkovsky continua: "O juiz mesmo fala que ela se uniu com ele (Georgeval) para matar as crianças e ele mesmo solta? Como, como? Não existe justiça no Brasil, não", reclamou. 

Rainy ainda reclama a respeito da falta de acesso aos autos e às audiências do caso. "Colocaram três advogados de defesa para eles (Juliana e Georgeval), que participaram da audiência e tiveram acesso aos autos. Eu coloquei um assistente de acusação que não teve acesso aos autos e não pode participar da audiência".

> Pai de Kauã sobre soltura de pastora: 'Justiça é fábrica de monstros'

MÃE DE THAYNÁ PARTICIPA DE PROTESTO

Clemilda também participou de protesto junto com familiares de Kauã
Clemilda também participou de protesto junto com familiares de Kauã
Foto: Kaique Dias

Clemilda Aparecida de Jesus, mãe da menina Thayná Andressa de Jesus Prado, de 12 anos, que foi sequestrada, estuprada e morta por Ademir Lúcio Ferreira, de 55 anos, no final do ano passado, em Viana, também participou do protesto junto com os familiares de Kauã. Assista ao vídeo abaixo:

LIBERDADE

Juliana conseguiu na Justiça, nesta quarta-feira (07), a liberdade provisória. Ela estava presa desde o dia 19 de junho, quando foi detida em Minas Gerais, em cumprimento ao mandado de prisão expedido pela 1ª Vara Criminal de Linhares. Na ocasião, foi aceita a denúncia do Ministério Público Estadual que acusou a pastora de ter conhecimento do risco que as crianças sofriam por estarem sozinhas com o pastor George, o que caracteriza omissão por parte de Juliana.

Georgeval Alves, padrasto de Kauã e pai de Joaquim, está preso desde abril, mês em que os irmãos foram assassinados, e vai responder por dois homicídios qualificados, dois estupros de vulneráveis, dois crimes de tortura e fraude processual por ter alterado a cena do crime. A pastora, apesar de não estar em casa no dia do crime, também responde pelos mesmos crimes, considerada a omissão.

O Gazeta Online tentou falar com a defesa da pastora, mas as ligações não foram atendidas e mensagens não tiveram respostas.

O CASO

Na madrugada do dia 21 de abril de 2018, os irmãos Kauã Salles Butkovsky, de 6 anos, e Joaquim Alves Salles, de 3, morreram carbonizados na casa onde moravam, em Linhares. O pastor Georgeval Alves, pai de Joaquim e padrastro de Kauã, estava sozinho na residência com as crianças.

No dia 28 do mesmo mês, o pastor foi preso após a Justiça expedir um mandado de prisão temporária por 30 dias porque o homem estava atrapalhando as investigações do incêndio que matou as crianças.

As declarações mentirosas e contraditórias dadas por George Alves levaram a Polícia Civil a desconfiar de que a morte dos irmãos Joaquim, de 3 anos, e Kauã, de 6 anos, não havia sido provocada por um incêndio acidental.

À imprensa, na porta do Departamento Médico Legal (DML), em Vitória, na tarde do dia 23 de abril, o pastor declarou que tentou salvar o filho e o enteado, mas não conseguiu por conta do fogo intenso. Na entrevista, ele ainda falou sobre fé e representou como teriam sido os últimos momentos de vida das crianças. Todas as declarações foram desmentidas posteriormente pela força-tarefa criada para investigar o caso.

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