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Cotistas vão passar por avaliação presencial na Ufes

Antes, somente em caso de dúvida o candidato era chamado para uma avaliação pessoal

Foto: Ricardo Medeiros | Arquivo | GZ

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vai contar com uma novidade no processo seletivo de 2019 para candidatos que se autodeclaram negros, pardos e indígenas e buscam uma vaga de cotista. Eles terão que passar por uma avaliação presencial e individual pela Comissão de Verificação Étnico-Racial, que irá analisar se as características físicas correspondem ao que foi declarado. Eles devem passar por uma entrevista.

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Antes, somente em caso de dúvida o candidato era chamado para uma avaliação pessoal. Ele preenchia um questionário e anexava uma foto 10x15 colorida ao documento. Diante disso é que a comissão avaliava se a pessoa se encaixava no perfil para a vaga.

A pró-reitora de graduação da Ufes, Zenólia Campos Figueiredo, explicou que a comissão é formada por sete pessoas. O candidato será avaliado por pelo menos três delas. Os integrantes da comissão são docentes e técnicos administrativos especialistas em estudos afro-brasileiros, educação e inclusão, e acesso e permanência no ensino superior.

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Ela acrescenta que os avaliadores também irão realizar uma entrevista com o candidato e eles têm autonomia para fazer as perguntas necessárias para tirar possíveis dúvidas. Entre os questionamentos o candidato deverá argumentar porque se autodeclara preto, pardo ou indígena.

“A comissão chegou a conclusão que fazer essa avaliação pessoalmente seria melhor, a fotografia pode deixar dúvidas. Isso vai garantir que a vaga vai para quem é de direito”, afirma.

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Ela esclareceu que as avaliações devem ser feitas em fevereiro, antes das matrículas. Caso o aluno não seja aceito, ele pode entrar com recurso em até 48 horas após a avaliação.

NÚMEROS

De acordo com a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), 17.657 estudantes ingressaram na Ufes por meio do sistema de reservas de vagas de 2008 até 2018. Atualmente, a Ufes tem 9.149 alunos cotistas matriculados, e estão incluídos nesses dados alunos de cotas sociais e cotas raciais.

Zenólia acrescenta que em 2017, quando a avaliação era feita depois da matrícula, 12 alunos tiveram ela suspensa. Já em 2018, a apuração passou a ser realizada antes da matrícula e dois candidatos tiveram a avaliação indeferida.

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Para o diretor do cursinho Homero Massena, Diego Rodrigues Bernardo, a mudança, com a avaliação presencial, foi positiva. “A entrevista ajuda a inibir a fraude, além disso a foto pode ser adulterada. Estamos falando de uma reparação histórica aos negros e quanto mais rigoroso, melhor.”

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