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Greve acaba sem punição para rodoviários

Houve acordo com as empresas. Nas ruas, população ficou a pé

Passageiros aguardam por ônibus em ponto lotado de Vila Velha. Poucos coletivos circularam
Passageiros aguardam por ônibus em ponto lotado de Vila Velha. Poucos coletivos circularam
Foto: Carlos Alberto Silva

Após 40 horas de paralisação na Grande Vitória, a greve dos rodoviários chegou ao fim na tarde de terça-feira (04). Patrões e trabalhadores firmaram acordo durante audiência de conciliação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-ES). Será concedido 4,6% de reajuste nos salários, tíquete-alimentação, plano de saúde e seguro de vida. Ficou decidido ainda que os rodoviários que participaram do movimento não terão seus pontos cortados e que o sindicato ficará isento de multas.

A previsão do Sindirodoviários é de que todos os coletivos circulem normalmente hoje. Na noite de terça-feira (04), a promessa era de que os ônibus já voltassem a sair das garagens, mas a população ainda teve dificuldades na volta para casa.

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A técnica de laboratório Larissa de Oliveira Lemos, 19, saiu do trabalho às 16h e teve de esperar até às 17h30 para conseguir embarcar do bairro Jockey, em Vila Velha, até o Terminal de Vila Velha. Lá esperou ainda mais por outro ônibus até chegar em Cariacica Sede. “Normalmente gasto duas horas para chegar em casa, mas nesse último dia de greve foram quatro horas.”

Na segunda-feira, a Justiça determinou que os rodoviários colocassem 70% da frota circulando no horário de pico e 50% no horário normal, com pena de multa diária de R$ 200 mil em caso de descumprimento. No entanto, na terça-feira (04) , menos de 10% da frota circulou pela manhã segundo a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado (Ceturb-ES).

Diante disso, o governo do Estado anunciou que pediria a ilegalidade da greve além de aumento da multa diária para R$ 500 mil. No entanto, o acordo que colocou fim da greve também anistiou o sindicato de pagar qualquer multa referente ao descumprimento das ordens judiciais.

DIA DE CAOS

Com pouquíssimos coletivos circulando e terminais fechados, o dia de ontem foi caótico para os quase 700 mil capixabas que dependem do transporte público. Quem optou por tirar o carro da garagem teve que enfrentar um trânsito pesado nas principais vias da Grande Vitória.

Em Vitória, duas escolas tiveram as aulas suspensas devido a paralisação. O Ifes de Cariacica também ficou fechado. Já em Vila Velha, as salas de vacina de seis unidades de saúde não abriram.

O prejuízo da greve refletiu no comércio, que teve baixa movimentação. A Federação do Comércio do Estado (Fecomércio) disse que o setor perdeu R$ 10 milhões com cada dia de greve. (Com informações de Patrícia Scalzer, Caíque Verli, Raquel Lopes, Lara Rosado, Victor Muniz, Kaique Dias)

ENTENDA O CASO

Fim da greve

Data base

Foi mantida em 1º de novembro. O sindicato pedia mudança para maio.

Reajuste

Ficou definido em 4,6% sobre salário, vale-alimentação, plano de saúde e seguro de vida. Desses, 4% são relativos ao INPC e os 0,6% relativos à metade do que foi reduzido por decisão judicial sobre o reajuste concedido no ano anterior.

Extinção

O reajuste de 4,6% é retroativo à novembro

Garantia

Ficou garantido que o ponto dos rodoviários não será cortado pelos dias de greve e que o sindicato está isento de multas.

Pagamento

O pagamento do retroativo será feito na folha de janeiro de 2019.

Mediação

Proposta

Os dois sindicatos, patronal e dos trabalhadores, aceitaram proposta do Ministério Público do Trabalho.

 

 

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