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Músico Elias Belmiro volta a morar nas ruas de Vitória

A história do renomado solista de violão foi mostrada pelo Gazeta Online quando ele vivia em um banco de praça no Centro de Vitória; mesmo com tratamento e apoio da família, voltou às ruas

Solista capixaba que vive em situação de rua reencontra Maestro que o regeu em apresentação na Orquestra Sinfônica do Espírito Santo
Solista capixaba que vive em situação de rua reencontra Maestro que o regeu em apresentação na Orquestra Sinfônica do Espírito Santo
Foto: Marcelo Prest

Após três meses de emocionar os capixabas e entrar em tratamento na luta contra o vício em álcool, o músico capixaba Elias Belmiro, de 50 anos, voltou para as ruas. A informação foi confirmada por familiares, que disseram que ele ficou mais de um mês no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Vitória e também passou por uma clínica particular.

A história de Elias Belmiro foi mostrada pelo Gazeta Online no final do mês de agosto, quando ele vivia em um banco na praça em frente à Igreja do Carmo, no Centro de Vitória. Elias é um grande artista da música capixaba referenciado até no Dicionário da Música Brasileira como solista.

Segundo o irmão gêmeo de Elias, Isaías Belmiro, após a repercussão da história do músico - inclusive com uma rede de solidariedade se formar para ajudar o músico - Elias foi para o Caps de Vitória, onde ficou em tratamento durante um mês. Logo depois foi para uma clínica particular na Serra, durante apenas uma noite, quando voltou para as ruas.

“Há cerca de duas semanas pegamos ele 22 horas em frente ao Teatro Glória e o levamos para a clínica. Ele jurou amor eterno e que não voltaria. Um dia depois, no sábado, voltou para as ruas”, relatou o irmão.

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O músico capixaba está sendo acompanhado durante esse tempo por um psicólogo contratado pela família, além de outro do Caps de Vitória. “A nossa estratégia agora, com orientação dos profissionais, é evitar que ele ganhe as coisas da gente porque está acostumado. Ele não está sozinho e a família sempre esteve junto, mas ele precisa aceitar de vez, ter uma mudança radical, e não apenas aceitar quando precisar de alguma coisa”, afirmou Isaías.

HISTÓRIA

Elias se consagrou na história da música como solista de violão, gravou dois CDs instrumentais até com composições próprias e tocou no quinteto do conhecido violonista Maurício de Oliveira. Seu primeiro álbum lançado em 1996, dedicado a Vila-Lobos, teve duas faixas compiladas no CD do grupo Time-Life, obra em que participaram artistas internacionais do porte do compositor e maestro americano John Williams.

Elias fez shows até fora do Brasil. O vício por bebida alcoólica foi o motivo que o levou para as ruas, situação em que permanece há pelo menos quatro anos.

ENCONTRO COM MAESTRO

Em agosto deste ano, quando a história de Belmiro foi contada pelo Gazeta Online, fizemos um encontro do solista com o maestro Helder Trefzger, grande amigo da época em que Belmiro atuava. Relembre:

 

ACOMPANHAMENTO E FORÇA DE VONTADE

Na visão de médicos especialistas ouvidos pela reportagem, é necessário muita força de vontade e também de acompanhamento constante no tratamento do vício de álcool e outras drogas - já que o problema é uma doença que não tem cura, apenas tratamento.

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O médico especialista em dependência química, Luiz Sérgio Quintairos, explicou que a maior parte dos dependentes acaba voltando para as ruas - justamente por não terem vontade.

“O tratamento tem que ser proposto e não imposto. Nesse caso o Elias sofreu uma manipulação externa com toda aquela comoção que se formou e acabou aceitando, mas dentro dele não tinha a intenção de permanecer”, explicou o médico.

Quintairos complementa que muitas vezes o emocional acaba não sendo mais forte e no fundo o indivíduo quer aceitar, mas o vício acaba falando mais forte. “Será que a família foi envolvida? Os familiares e amigos também? A família às vezes é a que fica mais doente e é importante estar junto. No caso do tratamento do Casagrande (jogador), o filho foi o principal fator para ele sair do mundo das drogas”, explicou.

Da mesma opinião compartilha o médico João Chequer, PHD em dependência química, João Chequer, que tem mais de 25 anos de experiência na área. Segundo ele, o acompanhamento é necessário principalmente fora de uma clínica - onde o convívio com situações que criam os chamados “gatilhos” podem retornar o uso de álcool.

O fator genético também acaba impulsionando esse problema, como foi no caso de Elias Belmiro. "Eu conversei com ele e me lembro que esse problema existia também na família”, lembrou.

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“É necessário um acompanhamento pluridisciplinar, com médicos, psicólogos, assistentes sociais e até assistência jurídica. Além disso, procurar um grupo de ajuda mútua, como o Alcoólicos Anônimos, saindo daquele círculo de amizades que acabam levando para o consumo de álcool”, completou o médico.

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