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Cartunista acusa motorista de racismo após ser abandonado em rua do ES

Gustavo Lagassi, de 22 anos, compartilhou no Twitter a experiência ruim que teve ao solicitar uma viagem por aplicativo; o cartunista pede um posicionamento da empresa

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Foto: PSafe | Divulgação

Um cartunista de 22 anos relatou em uma rede social que foi abandonado por um motorista do aplicativo Uber, de transporte particular, em uma rua deserta de Vitória. O caso aconteceu por volta das 22h desta sexta-feira (11). Gustavo Lagassi compartilhou no Twitter o caso, que tomou uma grande proporção e foi muito compartilhado pelos internautas da rede. Ele relata que o motorista foi violento e racista.

Em conversa com a reportagem do Gazeta Online, o cartunista contou que solicitou uma viagem para ir até a Rua da Lama, em Jardim da Penha, quando um motorista aceitou e, rapidamente, começou a agir estranho. "Eu estava em frente a uma catedral, solicitei um carro pelo aplicativo; o motorista aceitou mas passou por mim direto. Ele voltou, entrei no carro e ele ficou me olhando estranho", disse.

Ao entrar no veículo, o condutor pediu que Gustavo colocasse o cinto de segurança. "Ele dirigia e ficava olhando pra minha cara. Ele me perguntou de onde eu era e falei que sou de Vila Velha, que não conheço muito as ruas de Vitória. De repente ele começou a dizer que eu estava mentindo, parou em uma rua deserta e me mandou descer", explicou o cartunista.

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Gustavo, confuso, disse não ter entendido a situação. O motorista, então, desceu do carro e segurou algum objeto na cintura, simulando que poderia ser uma arma de fogo. "Ele desceu e gritou 'desce agora do meu carro'. Achei que ele ia me roubar ou me sequestrar. Ele começou a gritar e disse que eu estava tramando algo", informou.

Depois de descer do veículo, o cartunista seguiu para um lugar movimentado, uma academia perto do local em que foi abandonado pelo motorista. "Fui em direção da academia, tinha duas pessoas na porta que ficaram olhando para mim, eu fiquei bastante constrangido, envergonhado e culpado, mesmo sabendo que não tinha feito nada. As pessoas poderiam achar que eu tinha feito algo e tentar me linchar ou algo do tipo", concluiu Lagassi.

O rapaz ainda mostrou indignação no Twitter com relação as avaliações feitas pelos motoristas para pessoas que moram em favelas. 

O cara foi extremamente preconceituoso e racista, me estereotipou. Já não bastasse esses caras dando nota baixa em todo mundo que mora na favela, agora em outro bairro também sofro preconceito. Estava só indo sair com uns amigos e quando fui ver achei que ia morrer
Gustavo Lagassi, cartunista

Os tweets de Gustavo repercutiram na rede social, e outros internautas relataram que já tiveram contato com o mesmo motorista. Em apoio ao cartunista, outras pessoas demonstraram indignação com o caso e marcaram o perfil da Uber no tweet, pedindo posicionamento da empresa.

Até a publicação desta matéria, às 17h, o tweet já tinha cerca de 5 mil curtidas e 2,5 mil retweets.

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O QUE DIZ A UBER

Em nota, a empresa informou que repudia qualquer tipo de discriminação e que leva o assunto muito a sério. (veja abaixo na íntegra)

Levamos esse tipo denúncia muito a sério. A Uber tem uma política de tolerância zero a qualquer forma de discriminação em viagens realizadas por nossa plataforma. Este tipo de comportamento configura violação aos termos de uso da plataforma e, quando confirmado, leva à exclusão do aplicativo. A Uber se orgulha em oferecer opções de mobilidade eficientes e acessíveis para todos - ao mesmo tempo em que oferece também uma oportunidade de geração de renda democrática, independente de credo, etnia, orientação sexual ou identidade de gênero (sendo a primeira empresa de compartilhamento de viagem que permite nome social na plataforma).

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