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Prejuízo de R$ 300 milhões em ataques ao comércio durante greve da PM

Valor não inclui as depredações e os saques ocorridos em mais de 300 lojas

O empresário Rafael Mello de Miranda mostra foto de como ficou sua loja de roupas após ser saqueada durante a greve dos PMs
O empresário Rafael Mello de Miranda mostra foto de como ficou sua loja de roupas após ser saqueada durante a greve dos PMs
Foto: Ricardo Medeiros

Além das centenas de mortes, a greve da Polícia Militar, em fevereiro de 2017, deixou um rastro de prejuízos na economia do Espírito Santo. A cena era de guerra urbana: carros invadindo lojas, portões arrombados, vitrines quebradas e saques por todo lado. Teve até gente comum que se aproveitou das lojas desprotegidas para levar produtos. Algumas delas, com medo da punição, devolveram as mercadorias dias depois.

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Segundo estimativa feita pela Federação do Comércio e Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) no início do ano, o prejuízo para o comércio, que ficou fechado durante boa parte do período da greve, foi de cerca de R$ 300 milhões.

O valor não inclui as depredações e os assaltos. Pelo menos 300 lojas foram saqueadas e depredadas, e o prejuízo calculado nesses casos gira em torno de R$ 30 milhões. Só na Capital, 200 estabelecimentos sofreram ataques. As lojas mais visadas foram as que vendiam eletrodomésticos, joias e roupas.

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Uma das vítimas foi o empresário Rafael Mello de Miranda, sócio de uma loja de roupas na Praia do Canto, em Vitória. Ele lembra que no dia 4 de fevereiro quatro homens quebraram a porta de vidro e saquearam a loja. Apesar de a ação ter durado cerca de 15 minutos, o empresário conta que os bandidos conseguiram levar 80% do estoque. “Calculamos um prejuízo de R$ 50 mil só no ato do assalto. Além disso, após o fim da greve, ainda ficamos fechados por um mês para reformas e pagando segurança particular durante dois meses”, diz.

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Para o empresário, as ações dos militares que participaram da greve precisariam de alguma punição. “Toda ação na vida tem consequências. Tem que ter consequência para as ações deles. Afinal nós sofremos consequências com a greve”, concluiu.

Rafael lamentou que teve que passar por esse transtorno justamente na época do ano em que mais fatura. “Esse tipo de atitude (greve) não pensa no coletivo, só na classe. Olho como um tipo de egoísmo a paralisação de uma classe que prejudica os outros.”

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Com base na pesquisa mensal do comércio do IBGE, foi registrado no mês de fevereiro de 2017 uma perda de 21% no volume de vendas. E nos meses de março e abril continuou caindo: 5% e 6% respectivamente. Essa comparação é com base nos meses do ano anterior.

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