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Água da chuva alaga apartamentos na Serra

Uma obra realizada no telhado dos empreendimentos está causando ainda mais problemas com as recentes chuvas

Roberto e Fabiano, com o apartamento ainda molhado e com muito mofo
Roberto e Fabiano, com o apartamento ainda molhado e com muito mofo
Foto: Fernando Madeira

Moradores do condomínio Parque Vitalittá, que fica entre os bairros Rosário de Fátima e Eurico Salles, na Serra, vêm sofrendo com um problema inusitado para quem mora em apartamento. A água da chuva está entrando nos imóveis e alagando o chão. Eles alegam que uma empresa contratada pela construtora MRV para realizar uma obra no telhado não terminou o serviço, deixando um dos blocos vulnerável.

Apesar de piorar recentemente, os moradores afirma que o problema tem mais de três anos. Antes prejudicava quem mora apenas do quinto andar, onde aconteciam os vazamentos. Segundo moradores, o condomínio ganhou na Justiça recentemente uma ação contra a MRV para que a construtora arrume o telhado.

“Foram indicados orçamentos de três boas construtoras, mas a MRV não aceitou nenhuma delas. Outras duas opções foram colocadas e uma delas foi aceita”, descreveu a recepcionista Fabiana Aguiar de Castro Rosa, de 41 anos, moradora do primeiro andar do Bloco D, onde o problema está pior.

Segundo moradores, as obras finalmente começaram há cerca de um mês. O bloco onde mora Fabiana foi o primeiro a passar pelas alterações. Parte do telhado foi retirado, mas há 15 dias, com as chuvas, a água começou a infiltrar ainda mais forte, piorando o que deveria ter sido sanado, atingindo, inclusive, apartamentos mais distantes do teto como o dela, que fica no primeiro andar.

“Há uma semana a obra está totalmente parada. Disseram para o síndico que a empresa não tem funcionários suficientes. A água está descendo pela parede e chegando em nossos apartamentos. Foram quatro alagamentos na minha casa em 15 dias. Está danificando os móveis, meu piso laminado de madeira, que está todo ensopado, e meu guarda-roupa planejado, que não sei nem como está por trás. A casa está com cheiro de mofo”, relatou.

Fabiana lembra que tem acordado várias vezes durante a noite para secar a casa. Em alguns vídeos ela relata o problema de madrugada, além de mostrar também a mesma situação de vizinhos que estão logo acima da casa dela, onde tem até piso soltando ou com muita água dentro. Nos corredores, também havia muita água durante a gravação das imagens. Assista ao vídeo abaixo:

TELHADO SOLTO

Fotos do telhado do prédio onde mora Fabiana mostram como está a situação. Os trabalhadores não voltaram para o local na última semana e várias telhas foram deixadas soltas. Há fendas onde entra água. Em um dos vídeos gravados, é possível ver moradores tentando resolver a situação no meio da noite, durante uma chuva torrencial, correndo risco em cima do telhado. (Veja as fotos abaixo)

A nutricionista Paula Marques de Meira, de 31 anos, mora no terceiro andar do mesmo edifício de Fabiana. Ela tem um bebê, um menino, de três meses, e tem acordado várias noites para poder retirar a água do quarto de casal, onde ela dorme com o marido e o recém-nascido, que fica em um berço.

“Na minha casa é o quarto de casal que alaga. Existe uma fenda que divide o prédio por causa da dilatação. Justamente nesse ponto não tem telhado e a água invade essa divisão, até chegar nas casas. Meu esposo me acordou essa madrugada (quarta para quinta) às 4 horas para sair do quarto e retirar a água. O quarto já tinha alagado ontem de tarde”, relatou.

Paula está evitando ficar com o filho no quarto. Com o guarda-roupa e outros móveis úmidos, ela tem medo da criança ficar alérgica com o mofo. “Isso não está acontecendo por causa de falta de contato com a empresa. Meu esposo tem várias conversas com a engenheira responsável pela obra, que não deu a mínima para a situação”, lamentou.

PLANO DE OBRA

Moradores lembram que não foram avisados sobre como aconteceriam as obras e alegam que nenhuma assembleia foi realizada com eles. O primeiro bloco a passar pelas intervenções foi o D, justamente pelo problema ser mais sério no local, mas todos os moradores dos quintos andares de outros blocos sofrem com as infiltrações.

“O que foi passado é que era para retirar o carro da garagem, que ela seria isolada. Não falaram qual seria a empresa, qual o plano da obra, não informaram nada”, lamentou Fabiana. “Espero que seja feita uma obra emergencial, porque queremos zelar pela nossas vidas. Não tenho coragem de dormir no quarto mais, nem de ligar o ventilador para ouvir a chuva”, completou, dizendo que tem medo de problemas estruturais.

O OUTRO LADO

A MRV, construtora responsável pelo Parque Vitalittá, foi procurada pela reportagem do Gazeta Online e explicou que, em dezembro de 2018, a MRV Engenharia concluiu um acordo judicial junto ao Condomínio Parque Vitalittá para que fossem realizadas obras necessárias ao empreendimento.

“A MRV vem cumprindo de modo fiel a obrigação acordada pelas partes, ficando a cargo da administração do residencial a responsabilidade de contratação dos serviços. A MRV Engenharia é uma empresa fortemente comprometida em solucionar a situação de cada cliente, por isto, o setor de assistência técnica da construtora está à disposição para eventuais orientações à equipe que está realizando o serviço no Parque Vitalittá”, pontuou.

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