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Paralisação de rodoviários em Viana prejudica 19 mil passageiros

Viana foi a cidade da Grande Vitória mais afetada e praticamente não houve circulação de ônibus no município pela manhã

Trabalhadores da Viação Santa Zita na frente da garagem da empresa
Trabalhadores da Viação Santa Zita na frente da garagem da empresa
Foto: Caíque Verli | CBN

19 mil passageiros ficaram prejudicados por uma paralisação de rodoviários que trabalham para a Viação Santa Zita. Motoristas e cobradores impedem, desde o início da manhã desta terça-feira (12), a saída de ônibus da empresa, afetando a operação de 50 linhas do sistema Transcol que circulam por Viana, Cariacica, Serra e Vila Velha.

Viana é a cidade da Grande Vitória mais afetada e onde praticamente não houve circulação de transporte público de passageiros pela manhã. Como reflexo dessa paralisação, o Terminal de Campo Grande, em Cariacica, ficou sem cobrador de 4h30 até 7h00 e passageiros embarcaram sem pagar pela  passagem.

Os rodoviários protestam contra a jornada reduzida de trabalho. A jornada habitual é de 7 horas/dia, mas a empresa estaria contratando novos profissionais por 5 horas de trabalho e com salário proporcionalmente menor. O sindicato das empresas informou que não há ilegalidade neste modelo de contratação e alerta que a paralisação é que pode ser considerada ilegal, já que não houve aviso prévio à população.

AGRESSÃO

O Sindicato dos Rodoviários afirma também que o cobrador de ônibus Lésio Messias Barcelos de Almeida, funcionário da viação Santa Zita, foi agredido na segunda-feira (11) dentro de um coletivo onde trabalha, por usuários que queriam pular a roleta do ônibus e não pagar a passagem. De acordo com o sindicato, ao tentar impedir a passagem dos usuários sem o pagamento da tarifa, o cobrador foi espancado.

O Sindirodoviários afirma, em um informativo endereçado aos trabalhadores, que as empresas de ônibus exigem que motoristas e cobradores coíbam passageiros de pular a roleta e que impeçam a atuação de vendedores ambulantes dentro dos ônibus. Segundo o sindicato, essas não seriam funções a serem exercidas pelos trabalhadores, o que acabam colocando-os em risco, como no caso ocorrido com o cobrador Lésio.

BLOQUEIO

O bloqueio da garagem da Viação Santa Zita começou às 3h30 da madrugada desta terça-feira (12). Por conta disso, os pontos de ônibus em Viana ficaram lotados no horário de pico, no início da manhã. A ajudante de cozinha Nilceia Vieira mora em Marcílio de Noronha, bairro de Viana, e trabalha em Vila Velha. Chegou no ponto antes mesmo do dia amanhecer, mas ficou mais de duas horas esperando até desistir de chegar ao trabalho. Ela ficou amedrontada no ponto.

"Acordo cedo para trabalhar, pego meu ônibus 5h30. A gente tem medo de assalto. As pessoas passam e a gente fica ressabiada. Eu fico com medo".

A babá Cingeli Vicente, que também trabalha em Vila Velha, não conseguiu chegar cedo no serviço. "Precisam de mim no serviço porque sou babá. Já avisei meus patrões e eles pediram para esperar até 11h. Se não acabar a paralisação, terei que voltar para casa mesmo porque não tem ônibus em Viana", contou.

O Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus) afirmou que a paralisação é ilegal porque não houve publicação de edital informando à população, com 72 horas de antecedência, como prevê a Lei de Greve. O sindicato patronal disse que vai acionar a Justiça, solicitando que os rodoviários liberem a saída da garagem imediatamente. Já a Ceturb garantiu, em nota, que vai punir o consórcio das empresas pela paralisação de uma das viações. Segundo a Ceturb, o consórcio deveria ter feito o remanejamento da frota veículos de outras linhas.

Até às 22h desta terça-feira (12) as atividades dos rodoviários que trabalham para a Viação Santa Zita continuavam suspensas e sem previsão de retorno.

O presidente do Sindirodoviários, José Carlos Sales, afirmou na noite desta terça que uma reunião entre os representantes dos trabalhadores e o sindicato patronal estaria marcada para a tarde desta quarta-feira (13), as 13h30, na sede do Tribunal Regional do Trabalho, em Vitória, para tentar resolver o impasse. No entanto, o GV Bus não confirma a realização desta reunião.