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Rodoviários de viação em Viana fazem protesto na frente de garagem

Segundo o sindicato da categoria, a manifestação é por causa da jornada reduzida de trabalho. Os rodoviários também reivindicam melhores condições de trabalho

Motoristas e cobradores da viação Santa Zita cruzaram os braços em protesto contra a agressão contra um profissional da empresa
Motoristas e cobradores da viação Santa Zita cruzaram os braços em protesto contra a agressão contra um profissional da empresa
Foto: Internauta/Gazeta Online

Motoristas e cobradores que trabalham na Viação Santa Zita, no bairro Marcílio de Noronha, em Viana, protestam em frente à garagem da empresa na manhã desta terça-feira (12). Por conta da manifestação, passageiros relatam que os coletivos não saíram do local.

Segundo representantes do sindicato da categoria (Sindirodoviários), a manifestação é por causa da jornada reduzida de trabalho adotada pela empresa.

"A empresa não cumpre a convenção coletiva. O motivo são as escalas de jornadas reduzidas. Não tem essa escala na nossa categoria", diz o presidente do Sindirodoviários, José Carlos Sales.

De acordo com o presidente, na jornada reduzida, por cinco horas de trabalho o funcionário recebe R$ 1.300 e metade do valor do tíquete de refeição. Na jornada de sete horas - a desejada pelos trabalhadores -, o valor do salário é de R$ 2.330, segundo Valdecir Laurindo, outro representante do sindicato. Os rodoviários também reivindicam melhores condições de trabalho.

MAIS DE MIL FUNCIONÁRIOS PARADOS 

Segundo um representante do sindicato, são mais de 1.000 funcionários parados desde as 3h30. A empresa atende principalmente Viana e Cariacica, mas opera linhas da Serra e de Vila Velha.

De acordo com o sindicato, são 280 ônibus sem circular. Em Viana, por exemplo, não tem coletivo circulando.

Inicialmente, a informação era de que a paralisação seria por conta de uma agressão que um cobrador teria sofrido de um passageiro que queria pular a roleta, mas a ocorrência não foi confirmada pelo sindicato.

PASSAGEIROS SEM COLETIVO

Uma moradora do bairro Universal, também em Viana, relatou ao Gazeta Online que há um número grande de motoristas, cobradores e passageiros em frente à garagem. Ela contou que está esperando um coletivo desde as 5h e que os pontos de ônibus estão cheios.

Cingeli Vicente, babá que mora em Marcílio de Noronha
Cingeli Vicente, babá que mora em Marcílio de Noronha
Foto: Caíque Verli

A babá Cingeli Vicente, que mora em Marcílio de Noronha, aguarda um coletivo. "Preciso ir trabalhar na Praia da Costa, precisam de mim no serviço, mas não tem ônibus. Se não voltar a circular, vou ter que voltar para casa".

Nilceia Vieira, ajudante de cozinha em um hospital, está no ponto de ônibus desde as 5h30
Nilceia Vieira, ajudante de cozinha em um hospital, está no ponto de ônibus desde as 5h30
Foto: Caíque Verli

Nilceia Vieira, que é ajudante de cozinha em um hospital, está no ponto de ônibus desde as 5h30. "Eles precisam de mim para ajudar a fazer a comida dos pacientes, mas sem ônibus não tenho como chegar. Estou no ponto desde cedo, inclusive morrendo de medo de ser assaltada".

Alessandra Inácio de Oliveira, doméstica, trabalha na Praia da Costa e mora em Viana
Alessandra Inácio de Oliveira, doméstica, trabalha na Praia da Costa e mora em Viana
Foto: Caíque Verli

A doméstica Alessandra Inácio de Oliveira, que trabalha na Praia da Costa e mora em Viana, também está na espera. "Cheguei no ponto antes das 6h e descobri aqui que não tem ônibus. Estou esperando, mas sem circulação, vou ter que voltar para casa, infelizmente".

NOVOS PROTESTOS 

O sindicato ameaça fazer paralisação em outros dias da semana, pelo mesmo motivo de escala, nas empresas:

- Praia Sol

- Grande Vitória

- Nova

- Serramar

GVBus

O Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus) foi demandado pela reportagem para comentar a paralisação. A empresa explicou que a paralisação é ilegal, pois "fere a Lei de Greve, que prevê a publicação de edital informando à população sobre esse tipo de situação com 72 horas de antecedência. Mais uma vez a categoria pega a todos de surpresa, desrespeitando os cidadãos que dependem do transporte coletivo para se locomover. Por disso, o GVBus e a empresa vão acionar a justiça, solicitando que os trabalhadores liberem a saída da garagem e assumam seus postos de trabalho imediatamente."

Segundo o sindicato das empresas, cerca de 400 profissionais cruzaram os braços, impedindo a saída de 180 veículos da garagem, o que prejudicou a operação de cerca de 50 linhas. O GVBus também disse que vem buscando ações e realizando reuniões para combater o pulo de roleta e afirmou que "cobrar do passageiro o pagamento da passagem é uma obrigação dos motoristas e cobradores" e que os profissionais precisam explicar para a população da proibição de pular roleta, mas reiterou que "que evitem entrar em qualquer conflito que coloque em risco sua integridade física."

CETURB

A Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Ceturb-ES) afirmou que lamenta o ocorrido e que "adotará as medidas punitivas contratuais em face do Consórcio Sudoeste, em razão da paralisação surpresa de uma de suas consorciadas, a empresa Santa Zita."

A Ceturb-ES também declarou que "diante do fato, o consórcio deveria ter agido com responsabilidade e feito o remanejamento da frota veículos de outras linhas para não prejudicar a aproximadamente 19 mil usuários das cerca de 50 linhas afetadas", finalizou na nota. 

CARIACICA

O Terminal de Campo Grande, em Cariacica, está sem cobrador. Passageiros podem entrar sem pagar e, aparentemente, a circulação de ônibus está normal. Há avisos de atrasos nas plataformas devido ao fechamento da garagem Santa Zita, em Viana.

Aviso de atraso no Terminal de Campo Grande, em Cariacica
Aviso de atraso no Terminal de Campo Grande, em Cariacica
Foto: Michelli Angeli

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