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Cartazes em escola do ES culpam mulheres por assédio e agressões

Os cartazes fazem parte de um trabalho sobre o Dia Internacional da Mulher foram confeccionados por alunos do primeiro ano do Ensino Médio

Cartazes foram expostos em escola de Vila Velha
Cartazes foram expostos em escola de Vila Velha
Foto: @Jescabohen | Twitter

Um trabalho escolar exposto nas paredes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Padre Humberto Piacente, no bairro Industrial Alecrim, em Vila Velha, provocou revolta nas redes sociais por abordar o tema sobre assédio e agressão contra a mulher culpando as vítimas pelas violências sofridas.

Segundo uma das alunas da escola, de 15 anos, os cartazes foram feitos por uma turma do 1º ano do Ensino Médio, em um projeto relacionado ao Dia Internacional da Mulher. Um deles utiliza como exemplo o caso da vendedora Jane Cherubim, espancada e deixada na beira da estrada em Dores do Rio Preto, região do Caparaó capixaba, pelo então namorado no dia 4 deste mês. No painel, está escrito, que as mulheres devem “ser menos vulgar (sic)” e “ter mais consciência antes de se envolver com alguns homens pois muitas acabam sendo agredidas”.

 

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Há ainda um cartaz que apresenta “lições” de como as mulheres devem se vestir para não serem assediadas, como não usar roupas que expõem o corpo e não usar short colado para ir à academia. “Na emoção do momento ela gosta, mas depois começa a dizer que é assédio”, está escrito.

Foto: @Jescabohen | Twitter

Um terceiro cartaz fala do comportamento da mulher, justificando o assédio e até abusos sexuais com os argumentos como “elas estão dando uma grande liberdade” aos homens.

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Segundo a aluna, os cartazes estão nas paredes há cerca de duas semanas. “Eu já tinha visto eles lá, mas não tinha parado para ler ainda. Quando li me senti muito mal. Estão culpando a gente!”, relata.

PARTE DO PROJETO

Segundo a diretora da escola, Fernanda Pires, os cartazes são parte de um projeto de valorização da mulher, previsto para o mês de março – quando é comemorado o dia delas, 8 de março – e desenvolvido por diversos professores. “Esse projeto ficou dividido em dois tempos. O primeiro é sobre o que as mulheres devem fazer para não serem desvalorizadas, e o segundo, sobre o que os homens estão fazendo com as mulheres.”

Foto: @Jescabohen | Twitter

A diretora afirma que os cartazes são parte desse primeiro momento. “Foram frases dos próprios alunos, a visão deles. Nós precisamos saber como os alunos pensam”, justifica. Questionada sobre de que forma cartazes com frases de culpabilização das vítimas ajudariam em um projeto pela valorização à mulher, a diretora respondeu que outras ações ainda estão sendo feitas e que os cartazes foram tirados de contexto.

RESPEITO

A psicopedagoga e mestre em Educação Maria José Cerutti diz que há inúmeras formas de abordar o tema violência contra a mulher com alunos e que a principal ótica deveria ser o respeito mútuo. “É possível abordar em várias disciplinas. É possível pegar abordagens onde se discutam essas relações de respeito, e mostrar que não é a roupa que a pessoa usa, a música que ela ouve, o jeito que ela se pinta”, descreve.

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Ela pontuou, ainda, que adolescentes de uma forma geral, são fáceis de influenciar por isso, é necessário um trabalho conjunto entre família e escola. “Quando se trabalha com adolescente, é muito fácil ele ser influenciado tanto para o bem, quanto para o mal. Quanto mais a gente ocupa a cabeça do jovem com atividades das mais diversas naturezas, mais você consegue levá-lo para coisas boas”, sugere.

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