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Condomínio Ourimar: ex-moradores ficam sem imóvel e sem assistência

Expulsos, eles contam com o favor de terceiros ou voltam a áreas de risco

Sem ter para onde ir, ex-moradora de Ourimar foi acolhida por uma amiga
Sem ter para onde ir, ex-moradora de Ourimar foi acolhida por uma amiga
Foto: Glacieri Carrareto

Morar em uma área de risco, se abrigar na casa de parentes ou mesmo contar com a ajuda de amigos para dividir o mesmo teto. Ou, ainda, pagar aluguel com um salário mínimo do trabalho.

Essas são as condições de sobrevivência dos ex-moradores retirados à força do condomínio Ourimar, na Serra, e que a equipe de reportagem de A GAZETA tem acompanhado desde 2017.

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Procurada, a Caixa Econômica Federal informou, por meio de nota, que os ex-moradores que eram beneficiários do imóvel e que “sofreram esbulho - foram retirados forçadamente do imóvel - poderão solicitar um novo imóvel.”

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Segundo a instituição, os moradores expulsos devem ir à uma agência do banco com uma declaração da Prefeitura Municipal, que os indicou para receber o imóvel, levar o boletim de ocorrência e comprovantes de pagamento das despesas (prestações do financiamento, taxas de condomínio, água, energia, IPTU e todas as demais taxas) vinculadas ao imóvel até a data da expulsão.

Com isso, os moradores podem se manifestar pela desistência do benefício ou pelo recebimento de outra unidade habitacional que esteja no mesmo programa de moradia de Ourimar.

No entanto, a Caixa explicou que, atualmente, não há nenhum imóvel deste perfil na Serra, podendo haver em outros municípios. Não foi informado em quanto tempo o morador que foi vítima dos traficantes vai receber este imóvel.

Sem assistência

A Prefeitura da Serra também foi procurada pela reportagem e foi questionada sobre as ações sociais no conjunto residencial, além dos auxílios oferecidos aos moradores expulsos. No entanto, não houve respostas.

Por meio de nota, o município disse, apenas, que mantém “permanente contato com a Caixa Econômica Federal e o Estado buscando soluções para o problema de segurança pública no condomínio”.

“Eu estou vivendo com a ajuda de uma amiga, tirando a privacidade dela. As coisas que consegui trazer estão amontoadas, pois eu não tenho mais minha casa para colocá-las. Para o condomínio eu não volto, mas hoje não tenho mais com quem contar”, desabafou uma ex-moradora de Ourimar, expulsa do conjunto habitacional por traficantes, em janeiro.

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