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Mães de autistas têm direito à redução da carga horária no trabalho

Apesar das leis que garantem direitos às pessoas com Transtorno do Espectro Autista, mães relatam dificuldades para garantir os tratamentos de saúde e monitoras nas escolas

Luciana com a família: cuidados com a filha Letícia, de 5 anos, que é autista e tem baixa visão
Luciana com a família: cuidados com a filha Letícia, de 5 anos, que é autista e tem baixa visão
Foto: Arquivo pessoal

As leis federais que assistem as pessoas com autismo também amparam as mães. Segundo a advogada Juliana Ruy Balbi Braz, elas têm direito à redução de até 50% da carga horária no trabalho.

“Mas sabemos que implica em consequências no caso da iniciativa privada. O apoio social para esse direito valer a gente ainda não vê. Na verdade, nós, mães de autistas, ficamos em uma berlinda. Então é comum a mãe deixar de trabalhar para se dedicar ao filho autista, que tem muitas terapias e é acompanhado por ela na maior parte das vezes”, afirmou.

É o caso da dona de casa Josimar Magnato, mãe do Danilo, de 5 anos. Ela trabalhava como vendedora. “Com a rotina das terapias, não dá para trabalhar fora, pois meu filho faz terapia ABA, fonoaudióloga e terapia ocupacional”, detalhou.

Mas as dificuldades vão além. De acordo com Josimar, o menino foi diagnosticado com autismo aos 2 anos de idade e a escola foi essencial neste momento. No entanto, a família encontra obstáculos com o plano de saúde para arcar com as terapias adequadas à criança.

“O Danilo foi com 2 anos para a creche pública e, como ele já tinha um atraso na fala, com 3 meses de aula professora, diretora e pedagoga me chamaram para conversar. Haviam notado coisas diferentes nele em relação a outras crianças, como a dificuldade para socializar, em olhar nos olhos, atender o chamado pelo nome. Depois que procuramos ajuda médica, veio o diagnóstico. No ano passado, por indicação da pediatra, conhecemos uma clínica especializada em terapia ABA. Começamos a arcar com o tratamento de forma particular, pois tivemos uma negativa do plano de saúde, dizendo não reconhecer a terapia. Já estamos na Justiça”, contou.

A dona de casa Márcia Duarte também luta na Justiça para que o plano de saúde pague as terapias do filho Roger, de 4 anos. Além disso, ainda encontrou dificuldade para conseguir uma monitora para o menino na escola pública.

“Mesmo com o laudo médico do meu filho, o pedido foi encaminhado para a Secretaria Municipal da Educação que, após 15 dias, enviou uma monitora sem capacitação alguma. Ela não tinha conhecimento sobre uma criança com autismo e ainda estava cursando o ensino médio, ou seja, não era uma estudante de Psicologia ou Pedagogia, como é mais apropriado. Fui à secretaria de Educação e fiz a minha solicitação da troca e tive que relatar todas as dificuldades do meu filho. Após essa solicitação, esperei mais uma semana e então foi feita a troca da monitora”, explicou.

Já a dona de casa Luciana Bonfá Campodellorto Boninsegna está na Justiça contra o Estado para o pagamento das terapias de sua filha Letícia, de 5 anos. “Além de autista, ela tem baixa visão por conta de um descolamento de retina de grau 5 que sofreu após nascer. A Letícia nasceu prematura e ficou internada no hospital quando isso aconteceu. Agora, para fazer o tratamento para o autismo, entrei com um processo judicial contra o Estado e consegui uma liminar. Mas pararam de pagar e estou na luta para manter. Tudo é bonito na lei, mas a realidade é diferente”, afirmou.

 

 

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