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Nenhum rio do Espírito Santo tem boa qualidade de água, aponta estudo

Relatório da Fundação Mata Atlântica coletou dados em 15 pontos do Estado durante os últimos 12 meses

Rio Jucu
Rio Jucu
Foto: Carlos Alberto Silva

Dos seis rios monitorados pela Fundação SOS Mata Atlântica no Espírito Santo, nenhum apresenta boa qualidade. Ao todo, 15 pontos foram analisados em seis cidades do Estado, entre março de 2018 e fevereiro deste ano.

Intitulado “Observando Rios 2019”, o relatório indica que 69,2% das águas capixabas analisadas têm índice regular; enquanto 15,4% são ruins e 15,4%, boas. As únicas duas avaliações positivas aconteceram no Córrego Cupido, em Sooretama, e na Lagoa dos Monsarás, em Linhares, ambas as cidades localizadas no Norte do Estado.

Já as piores situações foram constatadas no Rio das Pedras, também em Linhares, e no Rio Aribiri, em Vila Velha, na Região da Grande Vitória. Biólogo e educador ambiental da fundação, Tiago Felix explica o que isso significa. “Esse é o alerta máximo. Esses rios têm mau cheiro e forte contaminação. O ecossistema deles já não existe. A água não serve para mais nada”.

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Segundo ele, a situação dos rios estaduais pode ser ainda mais preocupante. “Este ano conseguimos voluntários próximos à Bacia do Rio Jucu, que abastece a capital. Se a situação de lá oscila entre regular e ruim, imagina em águas que não têm tanta relevância, onde há menos fiscalização sobre descarte de rejeito e menos recursos para saneamento básico”, disse.

HISTÓRICO RECENTE

Para efeito de comparação, o relatório desprezou os dois novos pontos de coleta, feitos no braço norte do Rio Jucu e no Rio Aribiri. Assim, em relação ao ano passado, o Espírito Santo manteve a qualidade das águas. Porém, segundo consta na análise estadual, os indicadores aferidos apontam tendência de comprometimento, com a perda de qualidade no Rio das Pedras.

CENÁRIO NACIONAL

Ao todo, o estudo analisou 220 rios espalhados em 17 estados. De todos os pontos de coleta, 207 apresentaram água de qualidade regular, 49 receberam a classificação ruim e apenas 18, boa. O que faz com que a média do Brasil seja considerada próxima à do Espírito Santo. A diferença fica por conta das quatro amostras brasileiras classificadas como péssima.

ESPERANÇA

Não é tarefa simples, mas de acordo com Tiago Felix é possível, sim, recuperar os rios com Índice de Qualidade de Água (IQA) péssima ou ruim. “A primeira atitude seriam políticas municipais de saneamento básico; seguida pela manutenção de áreas de unidades de conservação ao longo de toda a bacia hidrográfica”, defendeu.

O desafio, porém, não acaba na segunda medida. “É preciso que haja mais fiscalização e multas para quem despeja rejeitos químicos e industriais. Bem como orientação aos produtores agrícolas para não utilizarem agrotóxicos e diminuírem a quantidade de insumos utilizados”, disse. “A água é fonte de vida, todos nós precisamos dela”, lembrou.

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