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Ufes garante verba para contratar PMs, mas não divulga efetivo

Apenas 20 policiais da reserva estariam atuando em Goiabeiras, segundo apuração de A GAZETA

Segurança na Ufes
Segurança na Ufes
Foto: Fernando Madeira/Arquivo

Em um comunicado enviado na quarta-feira (13) para os seus alunos, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) contestou as informações publicadas na quarta-feira (13) em A GAZETA de que a crise financeira que vivencia seja a responsável pela redução na contratação de policiais militares para atuarem nos campi que possui no Estado, além da Base Oceanográfica de Aracruz.

No texto da Ufes, é destacado que o convênio assinado com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) “prevê a atuação de aproximadamente 120 policiais nos quatro campi da universidade e na Base Oceanográfica de Aracruz”. Acrescenta que, “atualmente, 67% do quantitativo de policiais militares previstos para o campus de Goiabeiras está atuando, em regime de 24 horas. No campus de Maruípe, o quantitativo total de policiais militares já foi preenchido”.

O mesmo documento cita ainda que a demora na contratação dos militares para atuar na segurança da universidade “se deve ao criterioso processo de seleção e treinamento desses policiais que, antes de atuarem nos campi, passam por curso preparatório na Polícia Militar e na universidade, sobre temas como direitos humanos, racismo, mediação de conflitos e vigilância comunitária, entre outros”, diz o texto.

SEM DADOS

O documento feito pela Ufes não traz, porém, informações que possam ajudar a sanar as dúvidas. No site da universidade, por exemplo, existe apenas um extrato do convênio. A íntegra do convênio a reportagem obteve com outras fontes.

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Nele é informado que 117 militares da reserva remunerada foram disponibilizados para atuar na segurança da universidade. Mas quantos destes efetivamente foram contratados e para atuar em quais locais? A universidade não informa. Um novo contato foi feito na quarta-feira (13) pela reportagem solicitando, novamente, as informações, sem resposta.

As fontes da reportagem informaram que, para atender a todos os campi do Estado, além da Base Oceanográfica de Aracruz, a universidade contratou, desde que o convênio foi assinado, um total de 63 militares - 54 a menos do que o previsto no convênio.

Mas apenas 20 estariam atuando no dia a dia do campus de Goiabeiras. Em ronda feita por A GAZETA no campus na terça-feira (12), foram vistos somente cinco PMs no local.

Nem mesmo o total que atuaria em cada campi, que havia sido informado pela universidade no lançamento do convênio, em julho do ano passado, foi confirmado pela Ufes. Na ocasião, a informação era de que 20 PMs atuariam no campus do Biomédico, em Maruípe, e outros 66 no campus de Goiabeiras, ambos em Vitória.

Na última terça-feira, 12, ao ser questionada sobre quantos policiais militares que de fato atuam dentro dos campi, a Ufes informou que não responderia “por motivo de segurança”.

Na mesma nota, a universidade afirmou que o efetivo de seguranças e policiais no local será ampliado ainda neste primeiro semestre sem, novamente, precisar quantas pessoas vão atuar nessa função.

Em reportagem divulgada por A GAZETA na edição de quarta-feira (13), informamos ainda que o número de funcionários terceirizados de segurança patrimonial também caiu. De acordo com o Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Espírito Santo (Sindesp), eram 48 seguranças em julho do ano passado distribuídos por todos os campi da Ufes e, agora, restam apenas 12.

Em meio à falta de informações, alunos professores e servidores da Ufes convivem com a falta de segurança. Na última terça-feira, uma aluna do curso de Arquitetura foi atacada. O agressor, um aluno do curso de Física, foi autuado por tentativa de homicídio.

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