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Advogado usa escavadeira para quebrar portão de empresa na Serra

O advogado afirma que estava no exercício regular da sua profissão; havia uma decisão judicial para que o veículo não fosse retirado da empresa

Foto: Divulgação/BMC Hyundai

O portão de um depósito de veículos da empresa BMC Hyundai ficou totalmente destruído depois que um advogado usou uma escavadeira para sair do local. A máquina, segundo ele, pertence a um cliente que ele representa. O fato aconteceu na última sexta-feira (12), no bairro São Geraldo, na Serra.

Segundo o advogado Michel Moreno, que representa a financiadora do veículo, a escavadeira foi comprada por uma empresa de Santa Catarina - que financiou parte do valor na financiadora. Essa empresa vendeu a máquina para um terceiro, que por sua vez repassou a máquina para outra pessoa.

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Ainda de acordo com o advogado Michel Moreno, um desses compradores não estava pagando o financiamento. Por isso, registrou um boletim de ocorrência, o que acarretou em um mandado de busca e apreensão da máquina, assinado pelo juiz Dejairo Xavier Cordeiro, da 5ª Vara Cível, da Serra. O veículo foi localizado no interior do Estado e levado para o galpão da fabricante da escavadeira, na Serra.

Foi então que, na última sexta-feira, o advogado Jeferson Ronconi esteve no pátio da empresa para levar a máquina que pertenceria a seu cliente. Segundo Moreno, os funcionários se recusaram a entregar o veículo, alegando que o equipamento estava ali por uma ordem judicial.

Mesmo explicando ao advogado que a máquina estava no galpão por uma ordem judicial, ele bateu o pé e disse que levaria a máquina

A ação foi registrada em vídeos. Nas imagens é possível ver Jeferson conduzindo a escavadeira contra o portão, derrubando-o em seguida. Ainda pela gravação, é possível ver que há pessoas caminhando pela rua além de carros que passam pela Avenida Carapebus. Nas imagens, o advogado leva o veículo para a via, enquanto ônibus e motociclistas passam pelo local.

A escavadeira custa, atualmente, R$ 250 mil, segundo avaliação de um advogado ligado à financiadora.

ASSISTA

CASO DE POLÍCIA

A polícia foi acionada e os envolvidos, de acordo com Moreno, foram encaminhados à 3ª Delegacia Regional da Serra. Ainda de acordo com o advogado da financiadora, eles foram ouvidos e liberados. A máquina, segundo Moreno, foi levada por Ronconi, o advogado que quebrou o portão.

Sobre o prejuízo causado pela destruição do portão, Moreno informou que Ronconi, no dia do ocorrido ressarciu a empresa em R$ 5 mil.

Foto: Divulgação/BMC Hyundai

O advogado Jeferson Ronconi respondeu por meio nota que foi à empresa BMC Hyundai cumprir uma ordem de depósito em favor do seu cliente, conforme autorização de autoridade policial, agindo no exercício de sua profissão. No entanto, não deu mais detalhes sobre essa autorização.

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Jeferson Ronconi manifestou-se por nota. O texto foi entregue na sede da Rede Gazeta, em Vitória, na manhã desta terça-feira (16) por Jeferson, que estava acompanhado com um grupo de oito advogados.

Leia a nota com a versão do advogado

"No final da tarde da última sexta feira (12/04/2019) o advogado foi em companhia do seu cliente à empresa BMC HYUNDAI cumprir uma ordem de depósito em favor de seu cliente, de uma máquina retroescavadeira, conforme determinação da autoridade policial, agindo assim no exercício regular da sua profissão.

Todo o procedimento foi devidamente registrado nos órgãos competentes e este signatário se vê impossibilitado de tecer maiores considerações sobre o caso tendo em vista o sigilo profissional, vez que não teve autorização do seu cliente para divulgação de maiores informações acerca dos fatos.

O dano patrimonial que a empresa alegou ter sofrido foi imediatamente pago no montante por eles indicado, sendo debitado em seu cartão de crédito o valor de R$5.000,00 (cinco mil reais).

Destaca que o delegado de plantão, Marcelo, agiu corretamente na medida em que diante do impasse conduziu as partes ao DPJ para esclarecimento dos fatos."

POLÍCIA CIVIL E OAB-ES

Em nota, a Polícia Civil informou que “o procedimento está na 3ª Delegacia Regional de Serra, e será adotada todas as providências legais, com as devidas comunicações a quem de direito, inclusive ao Presidente da OAB. As partes serão intimadas para serem ouvidas no decorrer da semana.”

Já a Ordem dos Advogados o Brasil (ES), também por nota, disse que "não pode dar informações a respeito da representação devido ao sigilo processual."