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Cidade no Rio de Janeiro também comemora a Festa da Penha

Festividade é realizada em Atafona há 162 anos, nos mesmos dias de evento do Espírito Santo

Festa da Penha no distrito de Atafona, em São João da Barra, Rio de Janeiro
Festa da Penha no distrito de Atafona, em São João da Barra, Rio de Janeiro
Foto: Divulgação Prefeitura de São João da Barra

A festa da padroeira do Espírito Santo, Nossa Senhora da Penha, é um dos eventos de louvor à Maria mais antigos do Brasil, com 449 edições. Mas essa celebração não é restrita apenas ao povo capixaba. É que há mais de 200 quilômetros de distância do Convento da Penha, em Vila Velha, acontece outra Festa da Penha nos mesmos dias, no distrito litorâneo de Atafona, no município de São João da Barra, no Norte do Rio de Janeiro.

A Festa da Penha em Atafona é realizada há 162 anos, e surgiu por causa da devoção do povo do norte fluminense que viaja em romaria até o Convento da Penha, em Vila Velha. Todos os anos a festa por lá começa no domingo de Páscoa e vai até a segunda-feira da semana seguinte. No próximo dia 29  comemora-se o Dia de Nossa Senhora da Penha no Espírito Santo e em Atafona.

O Oitavário da Festa de Nossa Senhora da Penha em Atafona começou no domingo (21), com a realização de uma missa solene, no Santuário Diocesano Mariano, seguida de procissão automobilística. Na programação, está ainda a tradicional romaria fluvial no Rio Paraíba do Sul no próximo domingo (28), missa campal de encerramento na segunda-feira (29), às 9h, além de shows musicais.  A festa é organizada pela Irmandade Nossa Senhora da Penha e reúne mais de 20 mil pessoas.

Festa da Penha no distrito de Atafona, em São João da Barra, Rio de Janeiro
Festa da Penha no distrito de Atafona, em São João da Barra, Rio de Janeiro
Foto: Divulgação Prefeitura de São João da Barra

HISTÓRIA

O pesquisador e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha (IHGVV), Manoel Goes, explica que, em 1625, o então general Salvador Correia de Sá e Benevides, figura importante do Rio de Janeiro, muito amigo dos frades franciscanos e devoto da Virgem, fez uma promessa à Nossa Senhora da Penha do Espírito Santo de que, se vencesse uma importante batalha contra a invasão holandesa em Campos, iria organizar uma doação anual de 25 cabeças de gado - que depois passou para 30 cabeças - para ajudar nas obras do Convento da Penha, em Vila Velha.

“Essa doação deveria ser entregue sempre nos festejos de Nossa Senhora da Penha. No início, essa pequena boiada era trazida por terra. Como começaram as dificuldades e perdas de algumas cabeças, resolveram leiloar esse gado em Campos, doado pelos fazendeiros da região, e o recurso apurado, passou a ser entregue na Festa da Penha. O general Salvador Correia de Sá e Benevides passou a ser um patrono fundamental do Convento da Penha, promovendo a vinda de vários devotos em romaria do Rio de Janeiro (de Campos e São João da Barra) para Vila Velha nas festas sacras e profanas da época”, explicou.

Manoel relata ainda que as pessoas mais pobres vinham a cavalo - acompanhando o rebanho de gado, antes de começarem a prática dos leilões - , e os ricos em barcos menores a vapor, partindo do porto de São João da Barra.

Ainda segundo Manoel, um fato histórico curioso que muitos historiadores registram é que, além das festividades sacras, existia também uma importante festa profana, com muita comida, bebida e músicas tocadas por bandas formadas por escravos. Também havia carteado valendo dinheiro, com mesas formadas pelos nobres visitantes.

“Como curiosidade, existem registros de que, do alto do Morro da Penha e do Moreno, vigias ficavam a postos para avisar da aproximação e chegada das flotilhas (pequenas embarcações) a vapor, vindas de Campos, com sinais de fogos de artifícios dando assim por iniciada a festa profana das festividades de Nossa Senhora da Penha. Era tradição o grande consumo de bens e serviços por parte dos visitantes, como também doações em dinheiro e ouro para ajudar nas obras do Convento da Penha”, relata.

Após a Independência do Brasil, em 1822, tentaram acabar com a doação oficial e obrigatória da comunidade fluminense para o Convento, mas Dom Pedro I ordenou que se mantivessem. Em 1879, a Igreja Católica ordenou que não mais se fizessem as festas profanas dentro das festividades de Nossa Senhora da Penha no Espírito Santo. E, por fim, após a proclamação da República do Brasil,  o Convento da Penha não recebeu mais essa ajuda obrigatória de Campos, mas passou a ter alguma doação das províncias da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, devido a importância de se prosseguirem com as obras do Convento da Penha de Vila Velha.

Uma informação curiosa também compartilhada por Manoel é que com o advento da Estrada de Ferro Leopoldina no governo Jerônimo Monteiro – 1928 - as romarias de Campos e São João da Barra passaram a vir de trem. Ainda hoje recebemos alguns romeiros da baixada campista.

 

 

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