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Com muita dança e cor, bandas de Congo se apresentam em Cariacica

O evento é uma manifestação da cultura afro-brasileira e de influência indígena. Nele, é evidenciado a figura folclórica de João Bananeira, que com rosto coberto pela máscara e corpo tapado com folhas secas de bananeira, se junta ao cortejo do congo

Carnaval de Congo de Máscaras
Carnaval de Congo de Máscaras
Foto: Raquel Lopes

Em meio ao som de tambores, casacas, apitos, cuícas e buzinas que 17 bandas de Congo se apresentaram no Carnaval de Congo de Máscaras de Roda D'Água, em Cariacica, em homenagem a Nossa Senhora da Penha. Assim como em todos os anos, a festa acontece no feriado da padroeira do Espírito Santo, comemorado, neste ano, nesta segunda-feira (29).

O evento é uma manifestação da cultura afro-brasileira e de influência indígena. Nele, é evidenciado a figura folclórica de João Bananeira, que com rosto coberto pela máscara e corpo tapado com folhas secas de bananeira, se junta ao cortejo do congo. O mistério da personagem está em não divulgar quem está por trás da máscara, sendo revelado somente ao final da apresentação.

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Com muita dança e cor, o evento foi dividido em três momentos: começou com o cortejo à Nossa Senhora da Penha, na sede da banda de congo do Mestre Tagibe. Em seguida, foi realizada a missa. Após mais um cortejo, começaram os shows e o encontro das bandas de Cariacica, Vila Velha, Serra e Vitória.

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O aposentado Expedito Andrade, de 74 anos, tradicionalmente leva a Banda de Congo Santo Expedito para se apresentar na festa. Ele é o responsável por confeccionar todos os instrumentos tocados por cerca de 40 integrantes. Já a roupa fica por conta da Associação de Bandas de Congo (ABC).

“Já viajamos por muitos estados brasileiros para apresentações, como Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. Não há evento melhor que este, é a força de Nossa Senhora da Penha que está presente neste local”, destacou.

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O enfermeiro Jalberth de Oliveira Bergaminho, de 23 anos, é um dos coordenadores da Banda de Congo São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, que possui cerca de 30 integrantes. A banda tem mais de 100 anos, ele aprendeu a tradição com os avôs e tios. “Eu gosto do evento, faço parte desde os sete anos”, pontuou.

Carnaval de Congo de Máscaras
Carnaval de Congo de Máscaras
Foto: Raquel Lopes

As bandas de congo todos os anos são destaque do dia de Nossa Senhora da Penha. Em Vila Velha, diversos grupos sobem o Convento da Penha. Nos dois lugares entre as músicas mais cantadas está: “Iaiá, você vai à Penha? Me leva, ô. Me leva”, canção antiga em homenagem a santa, acredita-se que a música é cantada desde a época da escravidão no Brasil.

TRADIÇÃO 

Para a vice-governadora, Jaqueline Moraes, a festa ajuda a valorizar a cultura do Estado. “Isso representa a cultura do Estado e da região de Cariacica, além de fortalecer a comunidade. Na região de Roda D'água as famílias se mantêm trabalhando o ano todo com o Congo”, pontuou.

O Prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia de Oliveira Junior, também participou do evento, assim como a secretária de cultura, Renata Rosa Weixter. Ela também destacou a importância do congo para a região.

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“O congo na região é passado de geração para geração. O evento já teve vários formatos, mas sempre acompanhado da missa. Ele teve início porque as pessoas da região são muito devotas de Nossa Senhora da Penha e como não podiam ir até o convento por causa da distância, decidiram fazer a festa na região”, destacou.

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