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Médicos estrangeiros ajudam na investigação em creche de Vila Velha

Guia com orientações sobre bactéria será divulgado na segunda

Técnicos do Ministério da Saúde permaneceram na creche, na Praia da Costa, por quase duas horas
Técnicos do Ministério da Saúde permaneceram na creche, na Praia da Costa, por quase duas horas
Foto: Natalia Bourguignon | Gazeta Online

A força-tarefa que investiga o surto de gastroenterite em uma creche particular da Praia da Costa, em Vila Velha, ganhou ontem reforço internacional. Foram consultados especialistas da Europa e dos Estados Unidos, locais onde já aconteceram surtos de gastroenterite provocados por E.coli enterohemorrágica. Foi esse tipo de bactéria, mais grave, que foi encontrado nos exames de duas crianças da creche.

Na Europa, uma bactéria parecida com a que é apontada como causadora do surto na creche em Vila Velha (mas que produz a mesma toxina, a Shiga) provocou, em junho de 2011, 17 mortes na Alemanha e na Suécia. A bactéria vinha de brotos de feno grego, utilizados como guarnição em comidas.

Segundo a professora do laboratório de Virologia e Gastroenterite Infecciosa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Liliana Cruz Spano, nos Estados Unidos essa bactéria é conhecida como a “bactéria do hambúrguer” porque o primeiro surto registrado foi lá, em 1982, a partir de carne de hambúrguer contaminada. “Nos EUA, em 20 anos, foram 350 surtos dessa bactéria. Dos casos, houve 0,5% de mortes”, aponta.

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Até o momento, segundo a Prefeitura de Vila Velha, 18 pessoas que estiveram na creche apresentaram sintomas, entre alunos e funcionários. Outras quatro pessoas que não estão ligadas diretamente à creche – ou seja, têm vínculo secundário – também tiveram sintomas. Eles são todos da família de uma professora da instituição. Um menino de 2 anos morreu, no dia 27 de março.

A força-tarefa, formada pela Secretaria de Estado da Saúde e pela Secretaria Municipal de Vila Velha, passou a contar com a participação do Ministério da Saúde ontem. Eles devem permanecer reunidos neste fim de semana. Está prevista para segunda-feira a divulgação de uma cartilha com orientações gerais à sociedade e, em particular, aos familiares das crianças e adultos expostos ao contágio com a bactéria causadora do surto.

Visita

Na tarde de ontem, a equipe do Ministério da Saúde fez uma visita à creche. Os técnicos chegaram por volta das 14h30 e deixaram o local às 16h25. Um grupo de 15 pais de alunos se reuniu na frente da creche na tentativa de obter informações. Mas, ao deixarem o local, as equipes saíram sem conversar com a imprensa ou mesmo com os pais.

“Nossos filhos são saudáveis”, dizem pais

Pais de crianças matriculadas na creche particular localizada na Praia da Costa, em Vila Velha, que passa por uma investigação de um surto infeccioso, colocaram ontem uma faixa em frente à unidade dizendo que os filhos são “fortes e saudáveis” e que querem eles “estudando felizes e se divertindo como sempre foi”. Os dizerem vem acompanhados de uma mensagem de apoio ao estabelecimento.

Faixa colocada por pais em muro de creche na Praia da Costa, em Vila Velha.
Faixa colocada por pais em muro de creche na Praia da Costa, em Vila Velha.
Foto: José Carlos Schaeffer

Eles alegam que a medida busca preservar os direitos dos filhos, já que afirmam que as crianças estão sendo discriminadas em locais de convívio social e tendo matrículas negadas em outras creches da cidade. O advogado Rodrigo Amm, que tem uma filha de 3 anos na unidade, questiona, ainda, a falta de informações por parte da Secretaria de Saúde de Vila Velha.

“A gente está sofrendo muita ‘pancada’, em tudo que é canto. Nossos filhos estão sendo discriminados em todos lugares que a gente vai. Nossos filhos não estão doentes, não têm qualquer tipo de sintoma. Se tem um risco para a sociedade, se há uma bactéria muito perigosa, o primeiro contato tinha que ser com a gente. Eu fui na Secretaria de Saúde e sequer perguntaram se a minha filha estava bem, se tinha algum sintoma”, disse.

Um grupo de pais esteve em frente ao local na tarde de ontem na tentativa de conversar com técnicos do Ministério da Saúde e da Prefeitura de Vila Velha que foram à creche para realizar mais uma vistoria. Mas, ao deixarem o local, as equipes não falaram com a imprensa ou mesmo com os pais.

Os pais também informaram que vão pedir ao Ministério Público Estadual para que sejam levantadas informações com hospitais do município sobre casos de gastroenterite, com a intenção de provar não ser um caso específico da creche.

Bactéria

E.coli enterohemorrágica

É uma bactéria que ataca o intestino e provoca diarreias com sangue. Ela ainda secreta uma toxina, conhecida como Shiga, que atinge ainda rins e cérebro, podendo levar à morte. Foi encontrada em duas das crianças que passaram mal.

Transmissão

Onde vive

A bactéria vive normalmente no intestino de animais, especialmente bovinos. A contaminação ocorre por ingestão de comida ou água contaminadas com as fezes desses animais.

Casos

Creche

Segundo a prefeitura, 18 pessoas que estiveram na creche apresentaram sintomas, entre alunos e funcionários. Outras quatro pessoas da família de uma professora também tiveram os sintomas. Não foi informado quantos ainda estão hospitalizados.

Cuidados 

Higiene

Para evitar a contaminação, é preciso lavar bem as mãos, com água e sabão, após usar o banheiro e antes de preparar refeições é fundamental.

Crianças

Em locais com crianças, a atenção deve ser redobrada. O cuidador que troca a fralda, por exemplo, não pode pegar na chupeta sem lavar as mãos.

Locais públicos

Crianças e adultos que tiveram contato com pessoas infectadas e apresentarem sintomas não devem frequentar ambientes públicos e aglomerações.

 

 

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