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Que fim levou o teleférico que passaria pelo Convento da Penha?

O projeto passou por mudanças ao longo dos anos e nunca saiu do papel

Ilustração sobre o teleférico que passaria pelo Convento da Penha
Ilustração sobre o teleférico que passaria pelo Convento da Penha
Foto: Amarildo

A notícia da construção de um teleférico no Convento da Penha, em Vila Velha, começou a ser divulgada, pelo menos, desde 1984. Em arquivos de A GAZETA, de 21 de fevereiro daquele ano, há a informação de que a Emcatur, extinta Empresa Capixaba de Turismo, queria erguer um teleférico no local ou no Morro do Moreno.

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A ideia foi se transformando ao longo dos anos e ganhou forma na década de 1990. Estudos chegaram a ser feitos e tinha até valor e data para as obras começarem. No entanto, o projeto do teleférico que ligaria a Prainha ao Morro do Moreno, passando pelo Convento da Penha, não foi adiante.

CONVENTO DA PENHA

No clima da Festa da Penha, o Gazeta Online retomou o tema e demandou a assessoria de imprensa do Santuário para saber em que pé está a iniciativa. "A proposta surgiu há um certo tempo e, no ano passado, foi retomada pela Prefeitura. O então secretário, propôs a construção, mas ficou somente no estudo e especulação, não foi adiante", diz a nota do Convento.

PREFEITURA DE VILA VELHA

Questionada, a Prefeitura de Vila Velha explicou que o Convento da Penha é um patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), em 1943, administrado pela Província Franciscana em parceria com a Associação dos Amigos do Convento da Penha.

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"O Iphan, a Província Franciscana e a Associação dos Amigos do Convento da Penha não aprovam a instalação de teleféricos no Convento".

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Dessa maneira, o projeto não foi adiante. Veja abaixo como seria

Reportagem sobre teleférico publicada em A GAZETA no dia 15 de abril de 2000
Reportagem sobre teleférico publicada em A GAZETA no dia 15 de abril de 2000
Foto: Arquivo/A GAZETA

HISTÓRICO DO CASO

1984

A construção de um teleférico no Convento da Penha ou no Morro do Morena era um dos projetos da secretaria de Indústria e Comércio e Emcatur para aquele ano.

1994

Dez anos depois, em 27 de agosto de 1994, havia a autorização para uma empresa realizar estudos na área. O bondinho, conduzido através de cabos, cobriria o percurso do terreno ao lado da Terceira Ponte até a igreja de São Francisco, no Campinho do Convento.

1995

No ano seguinte, em 1995, o então prefeito de Vila Velha, Vasco Alves, pretendia instalar no Morro do Moreno um teleférico, restaurante e lanchonete com vista panorâmica. As obras seriam iniciadas em junho daquele ano. O teleférico teria duas paradas: a primeira na metade do morro, com vista para o Convento da Penha, e a segunda no topo do Moreno.

1996

O Convento da Penha recusou o projeto da Prefeitura, alegando não haver estudos de viabilidade econômica para a implantação do teleférico. Não descartou, porém, a possibilidade de analisar outras propostas.

2000

Após quatro anos, o prefeito de Vila Velha, Jorge Anders (PSDB), apresentou o projeto definitivo do teleférico que ligaria a Prainha ao Morro do Moreno, passando pelo Convento da Penha. No mesmo ano, a Província Franciscana o aprovou.

O projeto para a construção do teleférico começou a ser desenvolvido em 1991, na primeira administração de Jorge Anders. A Província, no entanto, emitiu parecer desfavorável à obra. O guardião do Convento, frei Geraldo Freiberger, afirmou em 14 de abril de 2000 que o projeto alterado foi aprovado porque não haveria mais embarque e desembarque na área do monumento histórico.

Reportagem da GAZETA sobre o teleférico em 15 de abril de 2000
Reportagem da GAZETA sobre o teleférico em 15 de abril de 2000
Foto: Arquivo/A Gazeta

Na ocasião, o prefeito enfatizou que não haveria prejuízo ao meio ambiente e que o teleférico iria proporcionar o crescimento do turismo.

"A obra custará de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões e será totalmente custeada pela iniciativa privada. Empresas de Camboriú, Santa Catarina, do Pão de Açúcar e também um grupo da Suíça já se mostraram interessados", afirmou.

O cumprimento horizontal do primeiro trecho era de 500 metros e o segundo teria 1.012 metros. As cabines teriam capacidade para 12 passageiros. Estava prevista ainda a construção de duas estações de embarque e desembarque, uma localizada no Parque da Prainha e outra no Morro do Moreno.

As construções no Morro do Moreno teriam, num primeiro plano, a estação, além de banheiros públicos, depósitos e a administração. No segundo plano, haveria um edifício onde iria funcionar um restaurante panorâmico, um museu do chocolate e um mirante.

2001

Teleférico de Vila Velha é contestado pelo Estado e projeto vai para a gaveta. A Prefeitura de Vila Velha iria passar os cuidados do Parque da Prainha e do Morro do Moreno à iniciativa privada. Entretanto, o governo do Estado contestou, já que as duas áreas são estaduais e estão com o município por meio de comodato.

O Executivo canela-verde não pediu autorização para fazer a licitação e o contrato não permite fazer sub-comodotado, como explicou a procuradora-chefe da Procuradoria do Patrimônio Imobiliário e Meio Ambiente do Estado, Arlete Uliana. Depois de suspenso, o processo não foi retomado.

2011

A Prefeitura de Vila Velha desistiu de tentar construir um teleférico com acesso ao morro do Convento da Penha. O prefeito Neucimar Fraga esteve com o governador Casagrande, a quem pediu ajuda para o projeto, que agora prevê a ligação de uma área do Exército, na Praia da Costa, ao Morro do Moreno.

O teleférico, sem contar as instalações como o mirante, custa em torno de R$ 5 milhões. Casagrande prometeu estudar o pedido de Neucimar, que não queria saber mais de polêmica com os frades do Convento e com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.

2018

25 de março

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Vila Velha, Idalécio Carone, garantiu que tinha um empresário estrangeiro interessado em colocar dinheiro no projeto do teleférico do Convento. Segundo ele, o investidor – que deve desembolsar em torno de 4 milhões de euros no negócio – viria em abril conhecer o projeto. Só tinha um obstáculo para o bondinho subir, segundo Carone: convencer os frades franciscanos do Convento da Penha a aceitar o projeto.

24 de maio

Em entrevista à sua emissora de TV, o secretário de Desenvolvimento de Vila Velha, Idalécio Carone Filho, disse que alertou o frei Paulo, guardião do Convento: seria bom o frade franciscano aceitar a instalação de um teleférico no ponto turístico mais importante do Estado: “Estamos dando essa oportunidade para o Convento”.

E continuou: “Perguntei ao frei Paulo como o Convento sobrevive. Ele me respondeu: ‘de doações”. Disse pra ele que tinha que se preparar para o Convento se transformar comercialmente para sobreviver. Porque essa geração de hoje não fica dando doação. E os que costumam dar estão indo embora [morrendo]”, filosofou Carone.

2019

De acordo com informações da Prefeitura de Vila Velha, o Iphan, a Província Franciscana e a Associação dos Amigos do Convento da Penha não aprovam a instalação de teleféricos no Convento.

Fonte: edições antigas do Jornal A GAZETA