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Delegado pede que pais não tenham medo de denunciar quem vende MMS

Polícia investiga grupo da Serra por comercialização de substância proibida no Brasil após denúncia de A GAZETA

Delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos - (DRCE) comenta sobre o caso de remédios falsos para autismo
Delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos - (DRCE) comenta sobre o caso de remédios falsos para autismo
Foto: Marcelo Prest

Pais e responsáveis que compraram MMS - substância similar à água sanitária que tem sido comercializada na internet com a falsa promessa de curar doenças, entre elas o autismo - devem procurar a Polícia Civil para relatar o caso.

A orientação é do delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) que investiga o caso. Na última terça-feira, A GAZETA denunciou com exclusividade que um grupo na Serra vendia para todo o país kits de MMS.

Desde junho do ano passado a comercialização da substância é proibida no Brasil, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Após denúncia feita por A GAZETA na edição de ontem, a Polícia Civil anunciou que irá investigar o caso.

O delegado da DRCC disse que não pode passar mais detalhes sobre o que está sendo feito para não atrapalhar as investigações.

Apesar disso, ele informou que além do grupo da Serra que vendeu o MMS à reportagem de A GAZETA nenhum outro foi identificado ainda, por isso, é importante a colaboração de quem comprou a substância no Espírito Santo. A denúncia pode ser feita, inclusive pelo disque-denúncia 181, onde o relato pode ser feito anonimamente.

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“Os pais que aplicavam a substância a pretexto de melhorar a vida do filho, em tese, não teriam responsabilidade. De uma forma geral, o que a gente percebe, é que os pais acreditam que isso pode realmente ajudar. Se a pessoa estiver com medo de denunciar, o melhor recurso é o 181, onde a pessoa não precisa se envolver”, recomenda o delegado.

Ele afirma ainda que podem haver casos onde a pessoa se sentiu enganado ao comprar e, por isso, quer reportar o caso à polícia.

“Quem comprou e se sentiu enganado pode fazer a denúncia, mesmo sem querer se identificar, porque além de trazer a devida justiça com o que aconteceu com seu filho, pode evitar que o mesmo aconteça com os filhos de outras pessoas”, orienta.

Tóxico

Segundo especialistas, o MMS não possui efeito medicinal e pode trazer sérios riscos para a saúde. Ele é obtido pela junção do clorito de sódio, usado para branquear produtos e descolorir papel, e também por ácido clorídrico, usado na obtenção de corantes e no polimento de metais.

É uma substância altamente tóxica para o organismo humano e pode provocar lesões graves no esôfago, quando ingerido pela boca, e para o intestino, quando aplicado no ânus da pessoa via enema.

O dióxido de cloro, presente em grande quantidade no MMS, é uma substância química presente na composição de alvejantes que se tornou conhecido na internet como MMS, sigla em inglês para “solução mineral milagrosa”, e estava sendo comercializado pelo morador da Serra Jorge Gonçalves e outros administradores em grupos privados no Facebook e no WhatsApp.

Jorge vendia o produto com a ajuda de seu filho Ângelo para diversos Estados no país.

A apuração ficará a cargo da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). Segundo a polícia, quem vende produto proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pode ser condenado a até 15 anos de prisão.

“Toda vez que é atribuída uma propriedade terapêutica a alguma substância, ela é equiparada a um medicamento. E, para ser comercializado, o medicamento precisa do registro na Anvisa. O Código Penal estipula uma pena para qualquer comercialização de medicamento sem registro na Anvisa (de 10 a 15 anos de cadeia)”, explicou delegado Brenno Andrade.

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