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Espírito Santo tem atos contra bloqueio de recursos para a educação

Na capital Vitória, o ponto de concentração escolhido foi a Praça do Papa. Mais de 6 mil pessoas participaram da manifestação, segundo a organização do ato

Manifestantes na Avenida Américo Buaiz, em Vitória, próximo da Assembleia Legislativa
Manifestantes na Avenida Américo Buaiz, em Vitória, próximo da Assembleia Legislativa
Foto: Vitor Jubini

Críticas à política educacional do governo Federal e gritos contra o presidente Jair Bolsonaro e contra a reforma da Previdência deram o tom dos protestos no Espírito Santo que repudiam o bloqueio de recursos para a educação pública, como as universidades e os institutos federais. 

Na BR 101, em São Mateus, no norte capixaba, manifestantes chegaram interromper o trânsito por quase três horas, em frente ao campus da Universidade Federal do Espírito Santo no município, onde colocaram fogo em pneus na rodovia. 

Já na capital Vitória, o ponto de concentração escolhido foi a Praça do Papa. Cerca de seis mil pessoas participaram da manifestação, segundo a organização do ato. Polícia Militar e Guarda Municipal não divulgaram estimativa de público. Da Praça do Papa, os manifestantes seguiram em caminhada até a Assembleia Legislativa, interditando a avenida Américo Buaiz, uma das mais movimentadas da cidade.

 

Segundo um dos organizadores, Cristovam Mendonça, a escolha da Assembleia foi porque ela simboliza o poder Legislativo e porque é uma forma de simbolizar a pressão que os manifestantes fazem também em cima dos deputados federais para brigarem contra as medidas de Bolsonaro.

"Numa tentativa de sensibilizar os nossos dez deputados federais para que eles votem contra a Reforma da Previdência e para que não haja os cortes na educação e nem no Fundeb", reforçou Cristovam, que é da diretoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.

O ato reuniu majoritariamente alunos e professores, mas também participaram outras categorias, como rodoviários e petroleiros. Sete entidades, entre centrais sindicais e movimentos estudantis, estiveram à frente da manifestação.

Os manifestantes carregaram cartazes e faixas, pedindo mais educação e menos armas, fazendo referência às medidas de flexibilização de posse e porte de armas. Um desses cartazes estava com a estudante Danielle Nascimento, estudante de Odontologia. "Acho que o governo inicialmente até poderia ter boas intenções, mas se perdeu defendendo causas pequenas que não são prioritárias nesse primeiro momento. Um país como o Brasil teve ter como prioridade a Educação", comentou.

O grupo também fez muitas críticas diretas ao presidente Bolsonaro, lembrando de casos envolvendo seus familiares, como a do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. Alguns cartazes pediam ironicamente que Bolsonaro saísse do Twitter e começasse a governar o Brasil. Ives Santos da Silva, de 18 anos, é estudante de Ensino Médio e disse que foi ao protesto porque teme o seu futuro.

"O principal motivo de eu ter vindo é a minha preocupação com o futuro. Não sei se vou conseguir formar na faculdade, se vou ter um futuro. O futuro do Brasil é a educação e sem educação não vamos chegar a lugar nenhum", disse.

Além de Vitória e São Mateus, as cidades de Colatina, no Noroeste do Estado, e Vila Velha, na Grande Vitória, também registraram atos contra os bloqueios na educação pela manhã. Em Colatina, na BR 259, estudantes do Instituto Federal do Espírito Santo, o Ifes, não chegaram a bloquear a via, mas ficaram enfileirados ao lado do asfalto. Já em Vila Velha, alunos do campus do Ifes da cidade, fizeram um abraço simbólico na sede da instituição.

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