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Vila Velha: moradores interditam avenida com móveis perdidos na chuva

O protesto começou na manhã desta segunda-feira (20) no bairro Aribiri

Protesto de moradores por conta de Chuva em Vila Velha
Protesto de moradores por conta de Chuva em Vila Velha
Foto: Internauta/Gazeta Online

Moradores revoltados com os com móveis que perderam na chuva interditaram a Avenida Jeronimo Monteiro, em Aribiri, Vila Velha, próximo a um material de construção. O protesto começou na manhã desta segunda-feira (20).

Segundo a Guarda Municipal, o protesto é pacífico. Ainda de acordo com a guarda, os móveis estão sendo retirados e o trânsito no local está fluindo normalmente.

PROTESTO NA LINDENBERG 

Cansados de ter casas e ruas alagadas toda vez que chove mais forte, moradores de Cobilândia e região protestaram na Avenida Carlos Lindenberg, na manhã desta segunda-feira (20). Os manifestantes alternaram o bloqueio do trânsito nos dois sentidos na altura do Posto Três Coqueiros, em Alvorada. A protesto foi encerrado por volta das 9h06. Eles prometem uma nova manifestação por volta das 16h.

O empresário Fabrício Tracvel, que mora em Alvorada e participou do protesto, afirma que as ruas do bairro continuam cheias de água. "Tudo alagado. Todas as ruas de Alvorada estão alagadas. Todas as ruas da Grande Cobilândia estão alagadas, como nunca se viu antes".

Fabrício Tracvel, empresário e morador de Alvorada
Fabrício Tracvel, empresário e morador de Alvorada
Foto: Eduardo Dias

OBRA DA LESTE-OESTE

Segundo Tracvel, o problema persiste há mais de 50 anos na Grande Cobilândia. "Os alagamentos já existem em dias de chuvas normais, mas foi feita uma obra na Leste-Oeste, e eles desviaram toda água que iria para Cariacica na direção do Rio Marinho, o que aumentou mais ainda a quantidade de água na Grande Cobilândia. Por ser um bairro abaixo do nível do mar, não está tendo fluxo de saída dessa água de dentro do bairro. Tem situação que a gente passa com mais de uma semana com água dentro das ruas", diz.

MÓVEIS NAS CALÇADAS

"Mais uma vez, as pessoas estão perdendo todos os seus móveis. Não adianta o governo liberar só FGTS. O FGTS é um direito do trabalhador para ele usar com outros benefícios, não para poder comprar móveis que se estragam toda vez que chove na Grande Cobilândia. Muitos móveis estão sendo colocados do lado de fora. Não estão sendo jogados na rua para não obstruir o canal e os bueiros. Mas se não tiver um representante da prefeitura para falar conosco, mais tarde os moradores vão fazer uma nova manifestação e vão colocar todos os móveis e utensílios estragados na Lindenberg", destaca o empresário.

DESABAFO

A moradora de Jardim Marilândia Maria das Graças Ribeiro de Oliveira faz um desabafo. "Olha, tudo que você pensar de ruim está pior. Casas que nunca foram alagadas, desta vez, entraram mais de 20 centímetros de água. As pessoas estão cansadas de perder móveis. Se você passar durante a semana nos bairros da Grande Cobilândia, vai ver muitas coisas jogadas fora. A cada enchente, as pessoas perdem tudo que conseguiram investir".

A população não aguenta mais tanto sofrimento e o descaso das autoridades
Maria das Graças, moradora de Jardim Marilândia

Para Maria das Graças, a obra da Leste-Oeste também influencia nas alagamentos. "Nós precisamos que o Rio Marinho seja desassoreado e que se coloque as bombas, para quando começar a encher, puxar. Não resolve 100%, mas ameniza. Eles fizeram a Leste-Oeste e pegaram rios lá de cima, Cariacica, e canalizaram para dentro do Rio Marinho e não fizeram nada dentro do Rio Marinho para receber tanta água. Com isso, quem sofre é a população. A minha casa também alagou, perdi cômoda, guarda-roupa, o que não tem como subir".

MORADOR REGISTRA IMAGENS DE ALAGAMENTO

A situação da Grande Cobilândia, em Vila Velha, permaneceu complicada neste domingo (19). Imagens de drone registradas por um morador mostram que o bairro estava completamente alagado ao longo do dia após a forte chuva que atingiu a Grande Vitória neste sábado (18).

O eletricista Hemerson Oliveira, de 42 anos, morador de Cobilândia, é o autor das imagens e conta que nunca viu a região desse jeito. “Na rua onde moro, a Rua Crisópolis, praticamente todas as casas foram invadidas pela água e isso nunca aconteceu. Foi a primeira vez.”

Hemerson explicou que mora no segundo andar e, por isso, a água não entrou dentro da casa. No entanto, o quintal ficou alagado. Segundo ele, neste domingo (19), a água diminuiu apenas um palmo e meio, "no máximo".

“O bairro fica um caos danado. As pessoas perdem os móveis e muitas ruas ficam fechadas. Isso é muito triste, não no meu caso, mas ver muitas pessoas que já levam uma vida complicada perder tudo, além do risco grande de doenças, porque essa água tem esgoto misturado. A natureza é assim, mas tem muitas coisas que poderiam ser evitadas”, lamentou.

VEJA AS FOTOS

A Rua Danilo Alves, também em Cobilândia, onde mora a internauta Daniele de Souza Correia também está alagada. No fim da tarde deste domingo (19), ela enviou para o Gazeta Online o vídeo abaixo. Nas imagens, a rua parece um rio de tanta água acumulada.

"Não entra ônibus nem entra carro na rua. Só passa caminhão. Um passou na minha rua e jogou mais água para dentro da minha casa que continua alagada. Quero ver o que a prefeitura vai fazer porque os moradores aqui não tem mais FGTS para recuperar tudo que perdeu mais uma vez. A gente não merece nem pagar IPTU", comentou Daniele.

BOMBA DE SUCÇÃO É INSTALADA 

Procurada para explicar por que os alagamentos permanecem e o que tem feito para minimizar os problemas da população, a Prefeitura de Vila Velha informou às 19 horas deste domingo (19), por meio de nota, que instalou uma bomba de sucção para dar velocidade à vazão das águas da Grande Cobilândia.

"Prefeito e vice estão, neste momento, supervisionando a instalação do novo equipamento para agilizar o bombeamento das águas dos canais em Cobilândia. A capacidade do bombeamento é de 330 litros por segundo", finalizou a nota. Não há um prazo determinado para que as águas realmente baixem nas ruas da região. 

Com informações de Eduardo Dias

 

 

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