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Após queda brusca, greve da PM dispara taxa de assassinatos no ES

Aumento é reflexo da greve da Polícia Militar ocorrida em fevereiro daquele ano

Em 2016, a taxa era de 32 mortes por 100 mil habitantes, em 2017, o número saltou para 39,7 com a greve da PM
Em 2016, a taxa era de 32 mortes por 100 mil habitantes, em 2017, o número saltou para 39,7 com a greve da PM
Foto: Guilherme Ferrari/Arquivo

O Atlas da Violência apontou o aumento na taxa de homicídios no Espírito Santo em 2017, ano em que a greve da Polícia Militar trouxe caos na segurança e centenas de pessoas morreram. Em 2016, a taxa era de 32 mortes por 100 mil habitantes, em 2017, o número saltou para 39,7. A variação foi de 18,5%. Após uma queda brusca em 2013 (veja gráfico abaixo), o número disparou com o movimento paredista dos militares. O documento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), compila dados de violência de 2007 a 2017 a partir de registros do Ministério da Saúde. 

Desde então, a ocorrência de homicídios tem voltado a um patamar "normal", ou seja, aquele esperado antes da greve. Em 2018, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp), houve queda acentuada na taxa de homicídios, 28 mortes por 100 mil habitantes. O número é menor do que o registrado em 2016.

As mortes violentas ocorridas durante a greve da PM interromperam a queda no índice de homicídios que o Espírito Santo registrava desde 2010. Naquele ano, o estado estava em segundo lugar no ranking nacional apresentado pelo Atlas, com 56,9 homicídios por 100 mil habitantes. Hoje, o Estado ocupa a 14ª posição com 37,9 homicídios  por 100 mil habitantes. 

Os primeiros quatro meses de 2019 também apontam tendência de queda nos homicídios. Em 2018, de janeiro a abril foram 421 homicídios. No mesmo período deste ano, 361.

 

MORTES DE MULHERES

Um fenômeno parecido ocorreu com as mortes de mulheres. O Altas aponta que houve aumento em 2017, elevando de 104 para 151 o numero de homicídios. No entanto, dados da Sesp mostram que em 2018, o número de mulheres mortas caiu para 93.

No entanto uma alteração preocupante ocorreu nos primeiros meses deste ano quando são analisados penas os feminicídios, ou seja, os homicídios dolosos praticados contra mulheres em conta da condição do sexo feminino.

Como apontou a coluna Leonel Ximenes, o Espírito Santo apresenta alta no índice de feminicídios neste ano. Nos primeiros cinco meses de 2019 ocorreram 18 casos. Em 2018, foram 13 – uma alta de 27,7% nos registros de mulheres assassinadas por seus maridos, companheiros ou ex-namorados.

Os feminicídios representam 45% do total de homicídios dolosos de mulheres no Espírito Santo em 2019. Neste ano ocorreram 40 mortes violentas (somando todos os tipos de homicídios dolosos) de pessoas do sexo feminino. Em 2018, foram 41.

JOVENS E NEGROS

As taxas de homicídios de jovens e de negros continuam sendo as mais altas registradas no Estado. Segundo o Atlas da Violência, enquanto a taxa geral de homicídios no Estado beirou os 27 por 100 mil habitantes, entre jovens de 15 a 29 anos, a taxa é de 86 por 100 mil e entre jovens negros, o número é ainda maior, chegando a 157 por 100 mil habitantes. Cerca de 80% os crimes foram praticados com uso de arma de fogo.

Entre mulheres, também há um fator racial importante. A taxa de homicídio de mulheres, segundo o Atlas, é de 7,5 por 100 mil habitantes. No entanto, entre as negras ela chega a 9,5, enquanto entre não negras, não passa de 3,1 por 100 mil habitantes.

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