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Duas pesquisas da Ufes vão ajudar na recuperação da bacia do Rio Doce

Seleção reúne projetos do Espírito Santo e de Minas Gerais que, no total, terão R$ 5,6 milhões para pesquisa sobre o Rio Doce

Lama de rejeitos no Rio Doce, em 2015: projetos da Ufes e do Ifes preparam dossiê
Lama de rejeitos no Rio Doce, em 2015: projetos da Ufes e do Ifes preparam dossiê
Foto: Carlos Alberto Silva

Dois projetos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) sobre as consequências do rompimento da barragem de Mariana no

Rio Doce

foram selecionados para participar de uma pesquisa para identificar formas de recuperação das áreas do manancial. Os projetos vão se juntar a outros treze de universidades de Minas Gerais e, no total, os selecionados vão receber R$ 5,6 milhões para as pesquisas.

Os trabalhos terão duração de dois anos. As pesquisas da Ufes vão monitorar o ecossistema em áreas com influência da foz e analisar os impactos sociais e econômicos após a restrição do uso da água captada no rio Doce.

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A seleção foi feita pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Fundação Renova e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes). 

Impactos econômicos do desastre 

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De acordo com o coordenador do projeto sobre os impactos econômicos do desastre e professor do departamento de Economia da Ufes, Ednilson Silva Felipe, após o rompimento, a água do rio Doce deixou de ser usada por falta da qualidade, causando impactos econômicos, sociais e ambientais.

“O que vamos fazer especificamente nesse projeto é mapear quais foram os impactos econômicos ao longo do rio. Vou discutir o que aconteceu com as indústrias da região ao longo do rio que eram intensivas no uso de água, o que aconteceu com a agropecuária, com o comércio e o turismo”, explicou.

O professor explicou que após a tragédia, muitas pesquisas foram feitas para dimensionar os impactos macros na economia, como a paralisação da Samarco em Anchieta, Sul do Estado. Agora, são os impactos menores que serão mensurados.

“Qual foi o impacto, por exemplo, em uma pousada da região, o impacto de uma pequena indústria, na rede hoteleira, restaurantes. Todos são abastecidos com água e isso não foi mapeado. Sabemos que teve um impacto macro, mas não sabemos o impacto nas pessoas”.

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O líder das ações de Economia e Inovação da Fundação Renova, Paulo Rocha, explicou que a Fundação pretende colocar em prática os projetos selecionados após a conclusão dos estudos. Algumas ações, inclusive, devem ser aplicadas antes mesmo da finalização dos projetos.

Estragos causados em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais, que foi atingido por rejeitos de mineração depois de rompimento de barragem da empresa Samarco. Foto: M¡RCIO FERNANDES/ESTADO CONTEDO - GZ
Estragos causados em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais, que foi atingido por rejeitos de mineração depois de rompimento de barragem da empresa Samarco. Foto: M¡RCIO FERNANDES/ESTADO CONTEDO - GZ
Foto: Divulgação

A Fundação Renova foi criada em março de 2016 com a assinatura do Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) entre a Samarco, empresa responsável pela barragem, suas acionistas, os governos federal e dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, além de autarquias, fundações e institutos ligados ao meio ambiente.

O objetivo da Renova é gerir e executar, com autonomia técnica, administrativa e financeira, os programas e ações de reparação e compensação socioeconômica e socioambiental para recuperar, remediar e reparar os impactos causados pelo rompimento da barragem em Mariana.

Uso na construção civil

Para a educação e a cultura, a Universidade Federal de Viçosa (UFV) propõe a implantação de uma rede de conhecimento e cooperação entre pesquisadores, alunos e moradores da bacia do Rio Doce.

projetos voltados para o desenvolvimento sustentável como o da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), que propõe a utilização do rejeito de barragem de minério para fabricação artesanal de tijolos que serão usados na construção de moradias.

Já a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai desenvolver o projeto de uso do rejeito sedimentado da bacia do Rio Doce no desenvolvimento de componentes para a construção civil.

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