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Imóvel de tradicional casa de striptease de Vitória é colocado à venda

O gerente do estabelecimento garante que, mesmo que tenha que mudar de endereço, a casa noturna vai continuar funcionando em Vitória

Casa noturna tem vários ambientes e funciona em Santa Lúcia, em Vitória
Casa noturna tem vários ambientes e funciona em Santa Lúcia, em Vitória
Foto: Márcio Gomes | Divulgação

O imóvel da tradicional boate de striptease Playman, no bairro Santa Lúcia, em Vitória, foi colocado à venda por uma imobiliária. Fundada em 1979, a casa noturna completa 40 anos neste ano, sempre funcionando no mesmo local. Segundo o gerente do estabelecimento, Ilson Galego, que trabalha no local há 23 anos, a casa não vai fechar, mesmo que tenha que mudar de endereço dentro da Capital.

O anúncio pode ser visto em um site de compra e venda na internet. A área total do estabelecimento é de 700 m², com 500 m² de área construída. No anúncio feito pela imobiliária, o valor pedido é de R$ 3.950.000,00. 

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A reportagem do Gazeta Online entrou em contato com o corretor e a imobiliária para saber o motivo da venda, mas foi informado apenas que o proprietário não vai comentar o assunto. Já o gerente da Playman, Ilson Galego, afirmou não saber exatamente o motivo da venda, mas que a casa noturna não pretende fechar, mesmo que tenha que mudar de endereço dentro de Vitória.

“Independente do que tenha sido colocado, a Playman não fecha. Isso viralizou e a posição dos proprietários não está sacramentada. Estamos funcionando e não tem nada certo do que vai acontecer. Se por acaso o imóvel for vendido, a razão social vai continuar. Posso assegurar que vamos continuar funcionando”, declarou Ilson.

O gerente ainda afirmou que, mesmo que tenha que mudar de endereço, a casa noturna vai continuar em Vitória. “A vida dessa casa é em Vitória. Caso seja necessário, a gente muda para outro endereço em Vitória. Não pretendemos abandonar a ‘Ilha do Mel’”. Não existe interesse nosso em fazer esse deslocamento”, declarou.

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Ilson Galego ainda explica que, mesmo que seja vendido para outro proprietário, a casa de striptease pode continuar funcionando no mesmo lugar, onde está desde 1979 quando foi fundada. “Isso não aconteceria por agora. Leva tempo, o valor também é alto. O interesse da casa é continuar no mesmo lugar, por ser reconhecida por várias gerações no mesmo endereço. Não tinha nem asfalto quando a Playman chegou e a casa cresceu junto com a vizinhança”, completou.

Na noite desta terça-feira (25), um dos proprietários da casa noturna, identificado como Salviano, de 43 anos, entrou em contato com a reportagem do Gazeta Online afim de tranquilizar os funcionários, clientes e parceiros afirmando que a casa não deixará de funcionar — e que nem será transferida para outro lugar.

Salviano ressaltou que o irmão, também proprietário da boate, tem o intuito de vender uma parte do imóvel, mas que isso ainda não foi conversado entre eles e nem acordado. "A Playman nunca vai acabar. Eu, como proprietário, da patente e da marca, e um dos sócios do imóvel, digo que vai continuar funcionando normalmente".

HISTÓRIA DA CASA NOTURNA

A Playman foi fundada em 1979. Na época, segundo conta o gerente, havia muita prostituição nas ruas da Vila Rubim, na Capital e isso facilitou a criação de uma casa de striptease - um local de entretenimento fechado e seguro. “Na fundação teve apresentação até de Nelson Gonçalves. A Playman fez parte da cultura de várias gerações. Hoje um negócio raramente sobrevive nem 5 anos. A Playman já tem 40 anos. É uma casa frequentada por quase todas as classes sociais”, lembrou Ilson.

Ilson também lembra que a boate foi frequentada por muitas pessoas importantes, que chegam em Vitória a negócio ou a passeio. “Passa pela Playman a maioria das pessoas que estão à procura de lazer na cidade. As que vem de fora a negócio, artistas, pessoas da área do Direito. Do operário ao mais graduado passam por aqui”, finalizou.

O OUTRO LADO: FAMÍLIA NEGA VENDA DE IMÓVEL

Um dia após a reportagem ser publicada, o advogado Caio Vitor Broseghini Salviano, que representa um dos integrantes da família dona do terreno, contou que não havia um acordo entre os proprietários do imóvel para a venda e que, por isso, o anúncio foi retirado do site de classificados.

O advogado disse, ainda, que o imóvel e a boate pertencem à mesma dona, avó dele, e que não existem proprietários distintos. Caio Vitor explicou que a boate foi fundada em 1979 pelo avô dele. Quando ele faleceu, a avó, mãe do pai dele, começou a tomar conta do espaço. Hoje a avó ainda é a dona, mas dois irmãos - entre eles o pai dele - são quem administram o espaço.

Caio Vitor também informou que o tio dele anunciou o imóvel por meio de uma corretora, sem o consentimento da família. “Assim que meu pai tomou conhecimento, ligou para meu tio. Isso manchou a imagem da Playman. Não tem nenhuma venda acontecendo”, garantiu.

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