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Transplante de fígado: paciente recebe órgão do menino Gabriel

Gabriel Martins Rodrigues, 11 anos, era o único sobrevivente de acidente na BR 101, na Serra. Pai, mãe e irmão morreram na hora. O menino chegou a ficar internado, mas teve morte cerebral

Paciente recebe alta após transplante de fígado recebido do menino Gabriel Martins Rodrigues
Paciente recebe alta após transplante de fígado recebido do menino Gabriel Martins Rodrigues
Foto: Reprodução/Facebook

Um paciente obteve alta hospitalar nesta quarta-feira (26) após receber fígado do menino Gabriel Martins Rodrigues, vítima de acidente fatal na BR 101, na Serra. O procedimento foi realizado pelo cirurgião do aparelho digestivo e especialista em transplante de fígado, Alberto Stein, em um hospital de Cariacica

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De acordo com o médico, o transplante seguiu curso tranquilo e foi concretizado na última quarta-feira (19). "Em virtude de o órgão transplantado ter procedência de doador muito jovem, o fígado estava em muito boas condições, o que facilitou o nosso trabalho e a consequente recuperação do paciente, que se deu de forma rápida. Ele se recuperou muito bem e teve alta com apenas sete dias da cirurgia. Em média, em relação a órgãos de doadores mais velhos, a recuperação costuma se dar em 10 a 14 dias, um tempo razoável", descreveu.

Dando sequência ao procedimento, o paciente volta à rotina normal em aproximadamente dois ou três meses. De acordo com o especialista, em um mês já é possível retornar à prática de atividades físicas. "Nos primeiros três meses os cuidados são um pouco mais delicados devido à imunossupressão, ou redução da eficiência imunológica, provocada pelos medicamentos. Mas passado esse período, a vida segue sem limitação, só não são recomendadas atividades mais perigosas e com alto risco de contaminação", explicou.

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FILAS DE ESPERA

De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (SESA), até esta quarta-feira (26), a Central Estadual de Transplantes registrou 1.165 pessoas aguardando por um transplante no estado, sendo quatro pessoas à espera de um coração, 180 pessoas aguardando por um transplante de córneas, 31 precisando de doação de fígado e 950 pessoas esperando um rim. De janeiro a maio deste ano foram realizados 168 transplantes no Estado.

Segundo Alberto Stein, o número de pessoas na fila, à espera de doação de órgão, reflete a necessidade de reforçar a importância do ato. "O transplante realmente dá certo, sendo que a taxa de sucesso beira os 80%. Nesse sentido, pode-se dizer que é uma atividade que retorna o indivíduo à sociedade e que precisa ser estimulada", contou.

Apesar da demanda, a recusa familiar, de acordo com o médico, está em torno de 50%, um percentual muito elevado. "Poderíamos acabar com a fila para transplante de fígado, assim como já aconteceu com a de córnea uns anos atrás no Espírito Santo. Foi possível zerar a espera. Mas temos carência de doadores, infelizmente", finalizou.

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