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Ciclistas fazem protesto após atropelamento na Rodovia do Sol

O primeiro protesto aconteceu na Rodovia do Sol, onde um grupo de cinco ciclistas foi atropelado no último sábado (29)

Protesto de ciclistas na Rodovia do Sol, em Vila Velha
Protesto de ciclistas na Rodovia do Sol, em Vila Velha
Foto: Vitor Jubini

Dois grupos de ciclistas realizaram, na manhã deste sábado (6), duas manifestações para chamar a atenção das autoridades e dos motoristas sobre a insegurança dos ciclistas na Grande Vitória.

A primeira mobilização aconteceu na Rodovia do Sol, em Vila Velha, local onde cinco ciclistas foram atropeladas por um motorista com sinais de embriaguez, no último sábado (29). O segundo ato foi na Avenida Jerônimo Monteiro, também em Vila Velha, onde uma ciclistas de 67 anos morreu após ser atropelada por um ônibus, no final do mês de maio.

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De acordo com Sandro Oliveira, Presidente da Federação Espírito Santense de Ciclismo, as duas manifestações servem para aumentar a conscientização de motoristas e ciclistas para que haja mais harmonia no trânsito.

"Essa reunião de ciclistas é muito importante para chamar atenção da população em geral e também do poder público, para que a gente tenha campanhas massivas, de qualidade e a longo prazo, para trazer mais educação para o motorista e para o ciclista, fazendo um trânsito mais harmonioso", opinou o presidente da federação.

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Os organizadores estimam que, pelo menos, 300 ciclistas participaram da manifestação na Rodovia do Sol. O grupo fez um trajeto de 25 quilômetros entre a Praia de Coqueiral de Itaparica e o bairro Interlagos, onde aconteceu o atropelamento.

Josadak Santana dos Santos foi um dos ciclistas atropelados na semana passada e disse que teve uma sensação ruim ao voltar ao local do acidente. Josadak argumentou que, na ausência de um espaço específico para treinos, muitos ciclistas profissionais utilizam as pistas de rolamento da Rodovia do Sol porque atingem altas velocidades. Na avaliação dele, a utilização das ciclovias ou ciclofaixas poderia trazer riscos para os ciclistas que usam o espaço para passeios.

"O trabalhador que está indo para o seu serviço ou uma pessoa que está passeando de bicicleta, onde tem ciclovia, ciclofaixa ou calçada, para ela transitar é tranquilo. Para a gente que treina, andando em até 60 quilômetros por hora, em uma ciclovia, calçada ou ciclofaixa isso fica inviável e até muito mais perigoso do que em uma via", opinou o ciclista.

Na Avenida Jerônimo Monteiro, os ciclistas fizeram um ato chamado de “Ghost Bike”, que é quando uma bicicleta cenográfica é pendurada no local onde um ciclista foi atropelado. A bicicleta foi pendurada exatamente no local onde a ciclista Neuzi Braga Rosa foi atropelada pelo ônibus. Os cicloativistas fizeram pinturas no chão para homenagear e também com a data do acidente: dia 29 de maio. 

O cicloativista Fernando Braga disse que o ato é importante para não deixar as mortes de ciclistas caírem no esquecimento. Ele também fez um alerta para a grande quantidade de ciclistas que circulam na Avenida Jerônimo Monteiro, em Vila Velha. 

"É importante para não deixar cair no esquecimento, para não deixar de incomodar a gestão, a prefeitura, o órgão responsável pelo trânsito sobre a importância de cuidar das vias. Essa é uma via residencial, com muitos trabalhadores. O fluxo de ciclistas aqui é altíssimo", opinou Fernando.

Somente de janeiro a maio deste ano, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atendeu 635 ciclistas envolvidos em acidentes de trânsito no Espírito Santo, uma média de quatro socorridos por dia. Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) apontam que em três anos, de 2015 a 2017, 48 ciclistas morreram em acidentes de trânsito em todo o Estado.

O Batalhão de Trânsito da Polícia Militar afirmou que, conforme o Código de Trânsito, a circulação dos ciclistas nas pistas de rolamento deve acontecer apenas quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes.

A Polícia Militar também esclareceu que realiza ações de fiscalização de trânsito com o intuito de flagrar todo tipo de irregularidade referente a condutores e veículos. A PM pede à população que ao constatar qualquer tipo de tráfego irregular e ocorrência que configure crime de trânsito, que ligue para o 190 ou faça denúncias através do Disque-Denúncia (181).

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