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Mais um professor acusado de assédio sexual na Serra é afastado

O secretário da Sedu afirmou que o servidor foi afastado tanto para o próprio resguardo, quanto para a segurança e integridade dos alunos, mesmo que acusação ainda não tenha sido comprovada

Sala de aula vazia
Sala de aula vazia
Foto: Shutterstock

O terceiro professor da Escola Clóvis Borges Miguel, na Serraque foi acusado de assédio sexual, desta vez a um aluno de 15 anos diagnosticado com deficiência intelectual — doença também chamada de retardo mental — foi afastado pela Secretaria de Educação (Sedu) já nesta terça-feira (2).

De acordo com o secretário Vitor de Angelo, o servidor foi afastado da instituição tanto para o próprio resguardo quanto para a segurança e integridade dos alunos, mesmo que a acusação ainda não tenha sido comprovada.

Se comprovada a culpa dele, não podemos ter corrido o risco de ter deixado o professor ter permanecido mais algum tempo em sala de aula convivendo com o aluno que o acusa. O afastamento é para resguardar aluno e professor; é uma integridade lado a lado
Vitor de Angelo, secretário de Educação

De Angelo explicou, ainda, que o procedimento prescinde a existência ou não de CPI, ou seja, o protocolo interno da instituição determina e orienta o que deverá a ser feito de acordo com cada caso. A diretora da escola será ouvida pelo secretário nesta quarta-feira (2) para explicar porque não reportou o caso à Sedu.

TERCEIRO PROFESSOR DENUNCIADO

Este é o terceiro professor da escola denunciado por assédio sexual desde que um grupo de alunas iniciou um movimento nas redes sociais. Porém, diferente dos outros casos, a denúncia, feita há quase dois meses, não foi reportada a Sedu.

O caso veio à tona após a mãe do adolescente procurar a Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente da Assembleia Legislativa na última segunda-feira (01). Em depoimento, ela contou que no dia 5 de maio ela encontrou conversas de cunho sexual do filho com o professor em uma rede social. Nas mensagens, o professor insinuava que queria encontrar com o garoto e dizia, por diversas vezes, que gostava muito dele. Assustada, ela procurou a diretora da escola, denunciando caso.

Mensagens mostram que mãe de aluno encaminhou denúncias à diretora, e que as mensagens foram lidas e respondidas
Mensagens mostram que mãe de aluno encaminhou denúncias à diretora, e que as mensagens foram lidas e respondidas
Foto: Reprodução | WhatsApp

Segundo a mãe do aluno, ela encaminhou uma cópia das conversas para diretora, que chegou a sugerir que o estudante fosse trocado de turno. Como a mãe não aceitou, ela disse que tomaria as providências necessárias e daria retorno à família. Porém, o aluno continuou tendo contato com o funcionário, que não foi afastado pela escola. 

É inaceitável e chocante que esta criança continua convivendo com o assediador. E mais ainda que a diretora, em vez de proteger a vítima, tentou puni-la, sugerindo a mãe uma troca de turno. É lamentável
Lorenzo Pazolini, deputado e presidente da Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente

CASO NÃO FOI COMUNICADO À SEDU

Mesmo tendo provas materiais, a diretora não levou o caso à Corregedoria da Secretaria de Educação nestes quase dois meses. Em depoimento à Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente e a CPI dos Crimes Cibernéticos em sessão na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (2), ela disse que ainda estava apurando o caso e realizando um procedimento interno.

O secretário de educação informou à reportagem do Gazeta Online que ainda não teve a oportunidade de ouvir a diretora, e que ela deve prestar depoimento na secretaria nesta quarta-feira (3). Questionado se ele acha que a diretora foi omissa ao não comunicar o caso à Sedu, Vitor de Angelo afirmou que ainda não sabe dizer se houve omissão mas que, com certeza, a sindicância aberta vai apontar o que aconteceu.

ENTENDA

No final do mês de junho, um grupo de alunas da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, em Serra Sede, na Serra, denunciou um dos professores por assédio sexual. As denúncias foram feitas por meio de cartas distribuídas na escola, mas ganharam repercussão na segunda-feira (24) quando foram compartilhadas no Twitter. As alunas relataram piadas de cunho sexual e comentários sobre o corpo delas feitos pelo professor.

Incomodadas com os comentários do professor, três adolescentes resolveram escrever cartas anônimas e depositar em urnas de um projeto na escola destinado a outros professores, alunas e funcionários do local.

De acordo com uma das estudantes, de 16 anos, a ideia surgiu como forma de pedir socorro e fazer com que todos soubessem do assédio que acontecia na escola. 

> Secretário de Educação diz que denúncias são graves

"Um dia ele começou a falar da minha bunda. Eu fiquei desconfortável, mas achei que era brincadeira e não falei nada. Aí os comentários passaram a ser diários, até que eu comecei a ignorar. Um dia ele falou para mim: "Você cansou das piadinhas? Logo agora que você é minha!". Comecei a ficar com medo, pensando o que ele poderia fazer comigo. Então resolvi, junto com outras duas amigas, escrever as cartas, para que todo mundo soubesse o que estava acontecendo", declarou.

Carta de apoio enviada às alunas da escola
Carta de apoio enviada às alunas da escola
Foto: Arquivo pessoal

O grupo também encaminhou uma carta para o professor acusado de cometer os assédios. Nela, as estudantes expressavam o desconforto que sentiam quando ele falava sobre o corpo das meninas e de conversas duvidosas da intimidade das alunas. Elas chegaram a se referir ao professor como "babaca e nojento". 

> Alunos fizeram protesto para apoiar vítima de assédio

NAS REDES SOCIAIS

As cartas foram distribuídas na escola no dia 19 de junho. De acordo com as estudantes, mesmo após a divulgação das cartas, a coordenação da escola não se mostrou preocupada em apurar o caso. Com medo que o caso fosse esquecido, as alunas usaram as redes sociais para relatar as histórias de assédio, na segunda-feira (24).

RELATOS VIRALIZARAM

Os relatos viralizaram e um movimento de denúncias foi criado no Twitter com a hashtag #SuaAlunaNãoÉUmaNovinha, sendo compartilhado pelo ex-deputado Jean Wyllys. Para a surpresa das adolescentes, inúmeras histórias de assédios começaram a ser relatadas na rede, muitas delas feitas por ex-alunas da escola Clóvis Borges Miguel.

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