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Moradores querem fim do esgoto irregular na orla da Praia do Canto

A multa para os proprietários de imóveis com ligações irregulares de esgoto pode atingir o valor de R$ 20 mil

O presidente da Associação de Moradores da Praia do Canto, Sérgio Magalhães
O presidente da Associação de Moradores da Praia do Canto, Sérgio Magalhães
Foto: Eduardo Dias

A Praia da Guarderia, ao lado da Ponte que separa a região da Praça dos Namorados, na Praia do Canto, com a Ilha do Frade, em Vitória, se tornou um local com grande concentração de banhistas no último verão. O local, no entanto, já foi diversas vezes sinalizado com placas informando que a água estava imprópria para banho.

Para combater o despejo de esgoto clandestino naquela região e resgatar a área para lazer de moradores e turistas sem preocupações com a poluição, a Associação de Moradores da Praia do Canto criou um projeto batizado “Esgoto Zero”.

A intenção é ter o auxílio da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) e também da Prefeitura de Vitória para identificar a punir os proprietários de imóveis que continuam despejando esgoto de maneira irregular na rede pluvial. É essa rede de água da chuva que tem uma saída ao lado da ponte da ilha vizinha ao bairro.

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A região possui rede para recolhimento dos dejetos separada da rede de drenagem. O presidente da Associação de Moradores da Praia do Canto, Sérgio Magalhães, afirma que já foi realizada uma reunião com Cesan para tratar sobre as soluções.

“O objetivo é tentar tirar todo o esgoto que chega nas nossas praias, possibilitando que a população de Vitória possa se banhar sem nenhum risco na Praia do Canto. A identificação será feita com uma parceria com a Cesan, porque ela tem métodos para fazer a identificação. E vamos utilizar das leis vigentes junto à prefeitura para identificar a punir essas pessoas que insistirem em fazer esse descarte incorreto”, explicou Sérgio.

Praia da Guarderia, em Vitória
Praia da Guarderia, em Vitória
Foto: Eduardo Dias

COLETA DE ÓLEO

A associação também pretende criar pontos de coleta de óleo de cozinha usado no bairro, para que o descarte do produto não aconteça de forma irregular e acarretando mais um tipo de agressão ao meio ambiente e às praias.

"Nós identificamos que o óleo jogado nas tubulações acaba chegando na praia e ele é altamente poluidor. O trabalho será conjunto, fazendo a conscientização para o descarte correto do óleo e a ligação correta do esgoto na rede de esgoto, e não na rede pluvial", explicou.

MULTAS DE ATÉ R$ 20 MIL

Luiz Emanuel Zouain, secretário de Meio Ambiente de Vitória, afirmou que a prefeitura aplica notificações e multas após ser informada pela Cesan sobre quais são os imóveis que ainda não fizeram a ligação de esgoto da maneira correta.

"Se for um morador que não tem rede coletora de esgoto, a gente dá 90 dias para ele ligar. Se for um comércio, ele tem 30 dias. Se nesse período não fizer a ligação, recebe multa. Fica mais barato ele ligar do que ser multado", disse o secretário.

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A multa para os proprietários de imóveis com ligações irregulares de esgoto é proporcional à média do consumo de água dos últimos três meses, podendo chegar ao valor de R$ 20 mil para os imóveis com grande consumo.

IMÓVEIS COM FISCALIZAÇÕES

Em nota, a Cesan informou que toda a região conta com o serviço de esgotamento sanitário e para que os dejetos não sejam lançados de forma irregular na orla, os proprietários devem interligar os imóveis à rede da Companhia. Todas as ligações à rede de esgoto nos municípios onde a Cesan atua são mapeadas, segundo a nota. A companhia também são realizadas vistorias regulares para verificar o correto uso da rede e as interligações.

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