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Nova liberação para uso de tanques químicos gera medo em Vila Velha

O tipo de material a ser armazenado no local foi informado aos moradores em reunião com representantes do Ministério Público do ES e do Iema

O aposentado Antônio Carlos Vanzeler é contra à instalação de tanques com produtos químicos tão perto das residências.
O aposentado Antônio Carlos Vanzeler é contra à instalação de tanques com produtos químicos tão perto das residências.
Foto: Eduardo Dias

A instalação de tanques com produtos químicos no Morro do Atalaia, no bairro Paul, em Vila Velha, voltou a preocupar os moradores da região há cerca dois meses. O início da história data de 2007, quando a primeira liberação do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) para a construção dos tanques foi dada. Falava-se sobre o armazenamento de combustível. A obra foi interrompida em, pelo menos, duas ocasiões e em 2014 houve uma determinação do Iema para que os taques fossem desmontados. Uma decisão que, na época, trouxe alívio para os vizinhos dos tanques.

> Vila Velha: moradores protestam contra instalação de tanques de combustível

No entanto, recentemente, cerca de cinco anos depois, a empresa responsável pela administração dos recipientes obteve uma licença de instalação (com alterações de projeto, por exemplo) e as obras para receber materiais químicos no local recomeçaram. Desta vez, os cinco taques estão sendo preparados para receber soda cáustica e ureia.

O tipo de material a ser armazenado no local foi informado aos moradores em reunião realizada com representantes do Ministério Público do Espírito Santo e do Iema, no último mês de abril.

Tanques para armazenar produtos químicos preocupam moradores no bairro Paul, em Vila Velha
Tanques para armazenar produtos químicos preocupam moradores no bairro Paul, em Vila Velha
Foto: Eduardo Dias

O reinício das obras fez com que voltasse o medo de possíveis acidentes para moradores do bairro, como o aposentado Antônio Carlos Vanzeler. Ele é contrário à instalação de tanques com produtos químicos tão perto das residências.

"Não somos contra os empreendimentos, sabemos a questão do desemprego, a arrecadação de receitas, nós somos conscientes disso. Mas isso precisa ser feito com responsabilidade. É uma região residencial, com um grande número de crianças e adolescentes, com igrejas, com escolas próximas, e as empresas não levaram (em consideração) os riscos que isso pode causar para a comunidade", opinou o morador.

O aposentado Antônio Carlos Vanzeler é contra à instalação de tanques com produtos químicos tão perto das residências.
O aposentado Antônio Carlos Vanzeler é contra à instalação de tanques com produtos químicos tão perto das residências.
Foto: Eduardo Dias

A autônoma Queila Mara Gomes mora bem ao lado de um dos tanques e diz que tem medo de acidentes. Ela vive com o marido e duas filhas. "Dá medo, porque se um dia isso vier a funcionar e explodir, eu estou do lado e minha casa é a primeira a ser atingida. Espero que não funcione", disse a moradora.

> Leilão da Codesa está previsto para primeiro trimestre de 2021

O medo dos moradores do Morro do Atalaia em relação os tanques já foi retratado em outras reportagens. Em outubro de 2013, representantes do Iema afirmaram que a obra foi embargada porque tancagem autorizada era menor do que a que estava sendo instalada.

NOVOS TANQUES INSTALADOS EM VILA VELHA

Além dos tanques instalados em Paul, a instalação de novos recipientes de armazenagem na região do Porto de Capuaba gera preocupações para moradores de bairros como Ilha das Flores e Argolas. Uma área de 74 mil metros quadrados da poligonal portuária foi arrendada para o armazenamento de combustíveis como como diesel, gasolina, álcool e biodiesel - que forma o Terminal de Granéis Líquidos (TGL).

O leilão aconteceu em março deste e a área foi arrematada por R$ 165 milhões. A concessão é válida por 25 anos e as operações estão previstas para começar em 2020. A Codesa informou que a área para implantação do TGL foi leiloada e, portanto, cabe ao consórcio vencedor, que assinou a aquisição com o Ministério da Infraestrutura, as providências para início das operações. Em março, dias antes do leilão, moradores fizeram um protesto contra o armazenamento de combustível na região, temendo possíveis acidentes.

LICENÇA PARA ATUAÇÃO ATÉ 2022

Em relação ao armazenamento de materiais químicos no Morro do Atalaia, a prefeitura de Vila Velha afirmou a empresa obteve licenças para atuar na região até novembro de 2022. No entanto, a prefeitura não informou o nome da empresa responsável pelos tanques.

A Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), responsável pela gestão do Porto de Vitória, também foi procurada para dar mais destalhes sobre a instalação dos tanques no Morro do Atalaia, mas não respondeu a demanda até a publicação da reportagem. O Iema, também procurado para explicar o uso do local com novos produtos químicos, informou que vai se posicionar sobre o tema apenas na próxima semana.

O que é o TGL

Trata-se da construção de um Terminal no Cais de Capuaba, Vila Velha, em uma área de 75.000 m², que entrou como prioridade no Programa de Parcerias e Investimentos(PPI). A expectativa de investimentos é da ordem de R$ 120 milhões para a construção pela empresa ganhadora da concorrência pública.

> Em Paul, a turbulenta convivência entre moradores e tanques de combustíveis

Um dos grandes projetos em pauta para 2019 no Porto de Vitória, o TGL vai movimentar produtos como diesel, gasolina, álcool e biodiesel. A capacidade de armazenagem estática (tancagem) será de 60.000 m³. A conclusão e início das operações estão previstas para 2020. De acordo com a Codesa, o terminal vai aumentar em aproximadamente 700.000 toneladas/ano a movimentação de cargas no Porto de Vitória. A expectativa é que sejam gerados 450 empregos diretos e indiretos durante a implantação, e 300 diretos e indiretos no início das operações.

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