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Suspensão de bolsas prejudicará cerca de 100 pesquisadores da Ufes

A estimativa de pesquisadores prejudicados foi confirmada pelo pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da universidade, Neyval Costa Reis

Suspensão de bolsas do CNPQ pode prejudicar cerca de 100 pesquisadores da Ufes
Suspensão de bolsas do CNPQ pode prejudicar cerca de 100 pesquisadores da Ufes
Foto: Fernando Madeira

Cerca de 100 pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) podem ser prejudicados com a suspensão do edital para bolsas especiais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). A estimativa é da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da universidade. 

A suspensão da segunda fase do edital foi anunciada na última semana e vai durar, pelo menos, até o dia 30 de setembro. Para esta fase estava previsto um investimento de R$ 9 milhões. As bolsas especiais contemplam projetos de doutorado e pós-doutorado, dentro do Brasil e também no exterior, segundo o pró-reitor, Neyval Costa Reis.

Na avaliação do pró-reitor, a suspensão do edital impacta diretamente na busca pelo conhecimento e também na mobilidade dos pesquisadores. O valor das bolsas nacionais varia de R$ 2.200 a R$ 4.400. Para os selecionados para pesquisas no exterior, o valor varia de U$ 1.300 a U$ 2.100 dólares mensais.

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o professor e doutor Neyval Costa Reis Junior
O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o professor e doutor Neyval Costa Reis Junior
Foto: ICMBio/Reprodução

Sem a verba, Neyval Costa Reis não descarta que alguns pesquisadores desistam dos seus projetos e busquem outras alternativas de carreira.

"Eu tenho dois problema aqui. Eu tenho não só a execução do projeto de pesquisa. Se eu não tenho a mão de obra para executar, o projeto não será executado. Também temos o problema de fixação. A partir do momento que eu não tenho a a bolsa para dar para o pesquisador, ele vai ter que ir atrás de outra atividade e, talvez, abandonar a sua vida científica", opinou.

O pró-reitor avalia que a falta de investimento nas pesquisas traz impactos negativos a longo prazo, porque atrapalha no avanço de tecnologias que beneficiam toda a sociedade.

"A gente precisa ter a noção de que os avanços que a gente tem na sociedade vieram de dentro da universidade ou de dentro dos institutos de pesquisa. A gente estava trabalhando até pouco tempo na questão da vacina contra a Dengue. Também tivemos uma atuação significa da universidade quando começaram os casos de Zika. Pesquisadores da universidade atuaram junto com a Secretaria de Saúde para identificar o problema", destaca o pró-reitor.

ENGENHEIRO PREJUDICADO COM A SUSPENSÃO

O engenheiro químico Vitor Lavor foi um dos pesquisadores prejudicados com a suspensão das bolsas. Ele desenvolveu uma pesquisa sobre a poluição no ar em ambientes urbanos e disputava uma vaga de doutorado pleno em uma universidade da Inglaterra.

A universidade inglesa de Southampton aceitou o projeto de Vitor, mas a falta da bolsa do CNPQ obrigou o estudante a adiar os planos. Na avaliação dele, o desenvolvimento da pesquisa impactaria diretamente locais como a Grande Vitória e outras regiões do país que sofrem com a poluição.

"O que eu estudo é buscar meios não de diminuir a poluição, mas buscar meios de melhorar a qualidade de vida dos que estão em áreas urbanas, como aumentar a ventilação urbana. Com a qualidade de vida que a gente tem, tentar melhorar a qualidade de vida das pessoas que enfrentam essa poluição diariamente", explicou o engenheiro.

MOTIVO PARA A SUSPENSÃO

A suspensão das bolsas do CNPQ está ligada à falta de recursos previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) para pagamento. A liberação do recurso depende da aprovação de um novo crédito suplementar.

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