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Vitória é a terceira capital onde mulheres mais abusam de álcool

Pesquisa apontou que 15,5% das mulheres capixabas abusam na ingestão de álcool. Vitória ficou atrás apenas de Salvador e Belo Horizonte.

Foto: Rawpixel | Pixabay

Dados do Ministério da Saúde apontam que Vitória é a terceira capital brasileira onde as mulheres mais abusam no consumo de bebidas alcoólicas. Aproximadamente 15,5% das capixabas fazem uso de álcool em excesso, segundo a pesquisa. Vitória só ficou atrás de Belo Horizonte (16,4%) e Salvador (16,7%).

Os números são da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, que entrevistou 52.395 pessoas nas 26 capitas e no Distrito Federal. Em Vitória, 2.002 pessoas responderam à pesquisa, sendo 1.312 mulheres e 690 homens. As entrevistas foram realizadas entre os meses de janeiro e dezembro de 2018 por meio de ligações telefônicas.

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O Ministério da Saúde considera como consumo abusivo de álcool a ingestão de cinco ou mais doses (homem) ou quatro ou mais doses (mulher) em uma única ocasião, pelo menos uma vez nos últimos 30 dias. Uma dose de bebida alcoólica corresponde a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de cachaça, whisky ou qualquer outra bebida destilada.

Os números 

De acordo com a pesquisa, houve um aumento de 2,7% no consumo abusivo de álcool em Vitória. A Capital, que em 2017 ficou classificada em 10º lugar no ranking, tomou o segundo lugar no ano passado. Em 2017, 19,7% dos capixabas ingeriram bebida em excesso. Em 2018, o número pulou para 22,4%, segundo maior do país, junto com Belo Horizonte.

Segundo o Ministério do Saúde, o aumento tem sido puxado principalmente pelas mulheres. A pesquisa apontou que houve um crescimento de 2,1% no número de mulheres em Vitória que fazem uso abusivo de álcool em relação a 2017, quando 13,4% capixabas disseram ingerir quatro ou mais doses em uma única ocasião em um período de 30 dias.

O que dizem especialistas

Foto: Vitor Jubini | GZ

Segundo especialistas, o crescimento do uso abusivo de álcool pelas mulheres se deve principalmente a mudança do papel delas na sociedade. "A mulher adquiriu independência financeira e tem conquistado seu lugar na sociedade. Com essa mudança de comportamento, elas têm frequentado mais espaços onde o consumo de álcool é maior", explicou a psicóloga e pesquisadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, Ana Cristina Braz. 

O fato de Vitória estar em terceiro lugar no ranking de locais onde as mulheres mais abusam do álcool preocupa os especialistas, principalmente porque a faixa etária onde o excesso mais acontece é entre 19 e 24 anos, segundo a pesquisa. 

Vitória é uma cidade com um grande número de universitários, com muitos bares e fácil acesso ao álcool. A nossa cultura favorece o consumo de bebida alcoólica, principalmente entre os jovens. Para eles, é careta não beber. Isso faz com que muitas mulheres comecem a beber precocemente
Nefrologista João Chequer

Os médicos alertam ainda para a forma como o álcool age no corpo das mulheres. De acordo com a gastroenterologista Christian Kelly Ponzo, as mulheres tendem a desenvolver problemas de saúde relacionados ao álcool mais rápido do que os homens. 

"A enzima que metaboliza o álcool no fígado é menor na mulher, que está mais propensa a desenvolver hepatite alcoólica e cirrose. Além disso, as mulheres possuem menos água no corpo, fazendo com que o álcool demore mais a diluir. Isso faz com que a mulher se torne dependente do álcool mais depressa que o homem, e apresente doenças de forma mais rápida", finalizou.

Homens consomem mais bebida em excesso do que as mulheres

Apesar do crescimento do número de mulheres que bebem em excesso, elas ainda continuam bem atrás dos homens. De acordo com a pesquisa, quase o dobro de homens faz uso abusivo de álcool em relação a mulheres em Vitória. As entrevistas apontaram que 30,4% dos homens disseram ingerir cinco ou mais doses de bebida alcoólica. 

"O álcool é a pior droga que existe, pois é de fácil acesso, barato. Para reverter esse quadro é preciso que sejam feitas campanhas de conscientização e que mostrem os riscos do excesso de bebida alcoólica no organismo", finalizou João Chequer.

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