Notícia

Assédio sexual: 17 professores são investigados pela Sedu no ES

Ao todo, são 13 processos, sendo que 5 aconteceram este ano, 7 no ano passado e 1 em 2017. Dois professores estão afastados. Os outros continuam desempenhando atividades na Sedu.

Alunos da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel manifestam apoio a estudantes que denunciaram casos de assédio na escola
Alunos da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel manifestam apoio a estudantes que denunciaram casos de assédio na escola
Foto: Arquivo Pessoal

Os episódios de assédio sexual na Escola Clóvis Borges Miguel, na Serra, denunciados por alunos contra professores em junho deste ano, não são casos únicos no Estado. De acordo com a Secretaria de Estado Educação (Sedu), atualmente 17 professores são investigados internamente pelo crime no Espírito Santo. Ao todo, são 13 processos, sendo que 5 aconteceram este ano, 7 no ano passado e 1 em 2017.

A Sedu não informou em que escolas ou municípios os casos aconteceram. Os processos seguem sob sigilo e estão sendo apurados pela Corregedoria, segundo a secretaria. 

Dos 17 professores investigados, dois deles foram afastados cautelarmente e estão fora sala de aula. O afastamento, contudo, não aconteceu com os outros 15 servidores que desempenham outras funções na Secretaria de Educação. A Sedu alegou que os episódios que envolvem estes professores foram apurados em gestões anteriores, que optou por não afastá-los.

> Entenda o que é considerado assédio sexual dentro do ambiente escolar

Há um registro de demissão por assédio sexual, que aconteceu em 2014. Um outro caso, que também ocasionaria em exoneração, está em grau de recurso, segundo a Secretaria de Educação.

 A Sedu acrescentou também que está em fase de estruturação e teste a criação do Grupo Psicossocial e Orientação Interativa Escolar (APOIE), cujo objetivo é criar uma rede de proteção e assistência ao aluno e família.

A Polícia Civil foi procurada pela reportagem para saber quantas denúncias de assédio contra professores são investigadas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Por meio de nota, a polícia informou que não divulga dados ou levantamentos de investigações sigilosos.

A Polícia Civil ainda disse que todas as denúncias encaminhadas à DPCA, o que inclui os casos de assédio sexual na Escola Clóvis Borges Miguel, estão sendo investigados.  

> Secretário sobre acusações de assédio em escola: "Denúncias são graves"

RELEMBRE AS DENÚNCIAS

No dia 24 de junho, o Gazeta Online publicou, com exclusividade, relatos de assédio de um grupo de alunas da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, na Serra, contra um professor. 

As denúncias, que foram feitas inicialmente por meio de cartas, e depois tomaram as redes sociais, deram início a uma série de novos relatos, inclusive de ex-alunos. De acordo com as estudantes, o professor fazia elogios a elas, falava sobre o corpo e chegou a colocar uma régua sobre o órgão genital, pedindo para uma aluna pegar. 

Carta encaminhada pelas alunas para os professores relatando histórias de assédio
Carta encaminhada pelas alunas para os professores relatando histórias de assédio
Foto: Arquivo pessoal

Com a repercussão dos casos, dois outros professores foram denunciados, um deles acusado por uma mãe de um aluno com deficiência mental. Segundo ela, os relatos de assédio, junto com cópias de mensagens trocadas entre professor e aluno, foram encaminhados a diretoria em maio deste ano, mas nada foi feito.

Os três professores denunciados foram afastados pela Sedu que abriu uma sindicância para apurar os casos. Um dos professores foi absolvido do caso. Os outros dois seguem fora da sala de aula e estão também sendo investigados pela polícia. 

Ver comentários