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"Atuamos com base nos direitos humanos", diz major da Força Nacional

Naíma Huk Amarante comanda a tropa ostensiva da Força Nacional em Cariacica. O município é uma das cinco cidades escolhidas para o projeto piloto do governo federal

Naíma Huk Amarante comanda a tropa ostensiva da Força Nacional em Cariacica
Naíma Huk Amarante comanda a tropa ostensiva da Força Nacional em Cariacica
Foto: Vitor Jubini

Comandante da tropa ostensiva da Força Nacional em Cariacica, a major Naíma Huk Amarante deu início a um de seus principais desafios desde que ingressou na carreira militar. Os 100 homens e mulheres da Força Nacional começaram a atuar no município da Grande Vitória nesta sexta-feira (30), com a missão de ajudar a reduzir os índices de criminalidade.

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A major, que tem 40 anos e é natural de Santa Catarina, promete uma atuação com respeito aos direitos humanos e com foco em salvar vidas.

Naíma conversou com a reportagem do Gazeta Online:

O que os moradores de Cariacica podem esperar da atuação da Força Nacional?

Que a comunidade de Cariacica fique muito tranquila. A Força Nacional vem para atuar pela paz, a gente não vem para fazer abuso de autoridade de forma alguma. A Força Nacional tem seus princípios baseados na ONU. Todo militar que entra na Força Nacional precisa passar por um curso de nivelamento e o foco desse nivelamento é o respeito aos direitos humanos. Temos princípios baseados, atuamos com base nos direitos humanos. A gente tem disciplinas de direitos humanos. Inclusive, me perguntaram por que nossa boina é do lado contrário ao da polícia militar. Porque isso é uma doutrina da ONU. As tropas de paz usam a boina virada para o lado direito.

A senhora tocou nesse ponto dos direitos humanos. Há um cuidado para evitar uma atuação violenta e mortes nessas ações nas comunidades?

Sim. Nosso foco não é provocar mortes, é salvar vidas.

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Como é a atuação da Força Nacional em Cariacica?

Nossa missão é integrar a Polícia Militar do Estado, ou seja, as ações de combate à criminalidade que vem tendo sucesso. Elas serão fortalecidas com a nossa vinda.

Mas na prática, como funciona essa atuação?

Esse projeto foi muito bem estudado e planejado. Ele estudou os crimes de maior violência e os locais de Cariacica onde isso mais acontecia. A Força Nacional vai ficar localizada nessas áreas de maior incidência de violência e também nos horários de maior ocorrência.

É uma atuação ostensiva?

Nossa missão é ostensividade. Os moradores de Cariacica vão nos ver o tempo todo nas ruas. Agiremos no combate ao feminicídio, latrocínio, homicídio e tráfico de drogas. O tráfico de drogas gera muitos crimes violentos. A previsão de atuação, segundo a Portaria publicada é de 4 meses.

Esse prazo pode ser prorrogado?

A Portaria prevê que, se o Estado sentir necessidade, nós permaneceremos.

Como vai ser essa integração com as polícias?

A integração vai ser de unir esforços para combater a criminalidade. Começamos hoje atuando em conjunto com a Polícia Militar. A nossa atuação vai ser duas viaturas da Força para uma viatura da Polícia Militar, nessa missão de combate a criminalidade.

Quais os critérios para a escolha dessas regiões em Cariacica?

Essas regiões são chamadas de áreas de importância operacionais. Foi feito um estudo dos crimes que ocorriam na cidade desde 2015 e foram elencadas as áreas com maior índice de criminalidade. São 28 bairros. Isso não quer dizer que não vamos agir em outros bairros, mas o nosso foco vai ser sim essas áreas. Vamos atuar de segunda a segunda. Elencamos, nesse primeiro momento, os horários de maior incidência de criminalidade, mas nossa ação é de acordo com a necessidade.

Qual a diferença de atuação da PM para a Força Nacional?

A Força Nacional tem uma missão mais tática. Ou seja, nós não somos chamados pelo 190 para atender qualquer ocorrência. A gente é selecionado para atender as ocorrências que envolvam o projeto, ou seja, de criminalidade violenta.

O trabalho de vocês envolve operações para prender criminosos perigosos, como homicidas e chefes do tráfico?

Sim. A gente está atuando em conjunto também com a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Federal. Estamos preparados para atuar contra essa criminalidade.

Qual o seu principal desafio em Cariacica?

Meu maior desafio não é ter 100% de sucesso na missão, é ter 110%.

Qual a principal dificuldade em Cariacica?

Nesse primeiro momento, é o terreno. A maior parte do terreno brasileiro é plana. E a gente chegou no Espírito Santo e viu que tem bastante morro. Venho preparando a tropa para reconhecimento, instrução e orientação para que tenhamos sucesso nessa área.

Por que a senhora escolheu Cariacica?

Participei de uma instrução de nivelamento, de conhecimento da Força Nacional. Me foi permitido escolher a cidade de atuação por uma questão de meritocracia. Fui a primeira colocada no curso e nesse curso eu conheci alguns capixabas. Fiquei muito curiosa para conhecer o Espírito Santo e fazer integração com as polícias daqui, porque esses policiais daqui, que estavam no curso, eram modelos.

O que nos capixabas atraiu a senhora?

Os capixabas eram diferentes na questão de dedicação, de falar do seu Estado com amor e saudosismo. Estava propensa em ir para Pernambuco e eles me convenceram a vir para o Espírito Santo, porque passei a ter essa vontade de ter uma interação com as polícias daqui.

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