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Michel Gherman: "Dialogar nos tempos de hoje é um ato revolucionário"

Historiador participou da palestra "Extremismos no século 21" na terceira edição do projeto "Encontros do Saber", da Rede Gazeta

Encontros do Saber desta quarta-feira (7) no auditório da Rede Gazeta
Encontros do Saber desta quarta-feira (7) no auditório da Rede Gazeta
Foto: Monica Zorzanelli

“Dialogar nos tempos de hoje é um ato revolucionário”. É assim que o historiador Michel Gherman enxerga uma possível saída para o atual cenário de intolerância na sociedade, onde as pessoas parecem cada vez menos dispostas a se ouvirem, e cada vez mais propensas a bradar suas próprias convicções, sem medir efeitos. Ao lado do jornalista e escritor José Antônio Martinuzzo, Gherman participou, na manhã desta quarta-feira (07), do "Encontros do Saber", evento promovido pela Rede Gazeta em parceria com a Casa do Saber Rio.

Em pauta no encontro estava o tema "Extremismos no Século 21". Em quase três horas de discussão, os especialistas analisaram o comportamento das pessoas, os efeitos sociais e políticos da falta de diálogo e da aparente imposição de convicções.

"O extremista decide não ver o outro. Ele só existe no lugar de que ele não é visto e não vê o outro. É uma perspectiva de que aquele outro não existe. Essa decisão de não ver o outro é política, é pensada. O conceito de extremismo não faz sentido se não entender que o extremismo é uma posição construída, e não natural", pontuou Gherman.

Segundo Martinuzzo, os seres humanos são produtos de um tempo e a sociedade tem lidado muito mal com seus limites e suas regras. “A sociedade não enxerga as contenções civilizatórias e acaba desprezando o outro como sujeito, como seu semelhante. Entramos em uma sociedade perversa, e os perversos do século 21 desconsideram as leis; o que vale é a minha regra, a minha lei”, pontuou o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

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Para o professor, tudo na vida é um convite. “Se você topa com alguém e está com um sorriso no rosto, você convida o outro a sorrir. Se você topa de cara feia, você convida o outro a ficar mal humorado. Não devemos cair na armadilha do ódio”, observou Martinuzzo.

De acordo com Gherman, o diálogo é uma revolução que o extremismo não consegue suportar: “Proponho que dialoguemos, que a gente continue conversando não só em ambientes virtuais, mas também proponho que vocês promovam encontros. Encontrar agora, dialogar agora, não só na forma de resistência, é o melhor investimento”.

RELEVÂNCIA

Para a diretora de Transformação da Rede Gazeta, Leticia Lindenberg, é de extrema importância pensar no próximo para se ter uma sociedade em harmonia. “Cada vez fico mais feliz quando vejo que o Encontros do Saber tem recebido um público diversificado. A gente acredita que essa discussão pauta a vida de todo mundo, que está ligado com as relações das pessoas, das famílias e dos hábitos dos jovens hoje em dia”, pontuou.

Diante do cenário de radicalismo e do cultivo do ódio, a diretora-executiva da Casa do Saber Rio, Adriana Zebulum, reforçou o compromisso da instituição em proporcionar debates que agreguem na vida das pessoas. “Nós que trabalhamos com o conhecimento, com cultura e comunicação temos a obrigação de debater sobre isso. Esse é o compromisso da Casa do Saber Rio e também da Rede Gazeta”, comentou.

Assim como em outros eventos do Encontros do Saber, o de desta quarta-feira também arrecadou doações para uma instituição social. O beneficiado desta vez foi o Asilo dos Idosos de Vitória, que solicitou a ajuda em produtos hospitalares como pasta d’água, pomada cicatrizante e avental descartável.

Cerca de 400 itens foram destinados à entidade, que cuida atualmente de 75 idosos. Do total, 35 são acamados e precisam de cuidados especiais.

“Só temos a agradecer à Rede Gazeta por proporcionar um evento como esse de muito aprendizado e as pessoas que fizeram suas doações para ajudar no nosso atendimento. Aqueles que quiserem nos fazer uma visita, fiquem a vontade para conhecer nosso espaço”, destacou o presidente do asilo, João Ângelo Batista.

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