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"Retirada dos cobradores é um caminho sem volta", diz associação

A afirmação de Marcos Bicalho, diretor da NTU, vem reforçada por uma levantamento que aponta que 63 cidades do Brasil têm sistemas públicos de transporte sem postos de cobrador.

Fotojornalismo: as imagens do 2º dia da greve de ônibus na Grande Vitória - 13/08/2019
Fotojornalismo: as imagens do 2º dia da greve de ônibus na Grande Vitória - 13/08/2019
Foto: Carlos Alberto Silva

A briga dos rodoviários com o governo devido à chegada de 26 novos coletivos sem cobradores deixou o início desta semana tumultuada na Grande Vitória, com dois dias de greve da categoria. Apesar dos protestos, para o diretor da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (ANTU), a retirada dos cobradores dos coletivos "é um caminho sem volta”.

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A afirmação de Marcos Bicalho, diretor da NTU, vem reforçada por uma levantamento que aponta que 63 cidades do Brasil têm sistemas públicos de transporte sem postos de cobrador.

Não é de hoje que está ocorrendo no país. Temos cidades que tiraram os cobradores há 27 anos, como é o caso de Sorocaba, em São Paulo. É um processo natural da evolução tecnológica
Marcos Bicalho, diretor da NTU

O município de Sorocaba, em São Paulo, possui 100% da frota sem cobrador e, atualmente, está implantando um aplicativo de celular para que as cobranças das tarifas do ônibus sejam feitas por meio de leitura de código. Além disso, o aplicativo mostra os horários dos ônibus, os pontos e rotas dos coletivos.

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Outras 31 cidades brasileiras contam com um sistema híbrido, onde parte da frota de coletivos não conta com cobradores e outra parte ainda possui, que é o que acontece hoje na Grande Vitória.

“O mundo inteiro já passou por essa fase, o Brasil avançou muito na bilhetagem eletrônica no sistema de transporte público. A rigor, não existe mais motivos para mantermos esse posto de trabalho de cobrador”, afirma Bicalho.

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RAPIDEZ

O diretor da NTU elenca as vantagens de ônibus sem cobrança manual de passagens. “Os embarques são menos demorados, então as paradas nos pontos, consequentemente, demoram menos. Ganha-se tempo de viagem”, pontua.

Outro ponto descrito por Bicalho é a questão da segurança. “Quanto menos dinheiro estiver sendo movimentado dentro dos coletivos, mais se evita as ocorrências de assalto. Em 2012, Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, extinguiu os postos de cobradores, ou seja, se retirou totalmente o dinheiro dentro de ônibus. Houve uma queda vertiginosa dos assaltos dentro de ônibus”, descreve.

E O VALOR DAS PASSAGENS?

A retirada dos cobradores total de cobradores do serviço público de transporte de uma cidade traz impactos na planilha de custo do setor de transporte público. No entanto, a redução no valor das passagens ainda não é uma garantia.

“O empresário não vai lucrar mais com a retirada dos cobradores. Em alguns casos, pode vir sim a reduzir a passagem, já que representam cerca de 12% do custo do serviço. Mas isso, talvez, pode refletir apenas na diminuição de reajustes que estariam para acontecer. Há muitos fatores a serem considerados, como a idade média da frota, a jornada de trabalho do motorista, entre outros, que podem variar de cidade para a cidade e influenciam no cálculo da tarifa”, explicou Bicalho.

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O diretor do ANTU alerta, ainda, que a mudança de sistema nos coletivos deve ser gradual. “Qualquer avanço na eliminação desses postos de trabalho deve ser feita com cuidado para não criar um problema social, principalmente em uma fase de altos índices de desemprego como o país vem vivendo. Cobrador de ônibus não é profissão de ninguém, é talvez um trabalho temporário enquanto o trabalhador está se capacitando para uma outra profissão, se preparando para uma nova jornada na vida”, afirma.

 

 

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