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Ufes vive momento "muito dramático", diz vice-reitora sobre cortes

Universidade avalia orçamento mês a mês e não descarta medidas de contenção "ainda mais drásticas" do que aquelas que já foram tomadas

Corredores de acesso às salas de aulas do campus de Goiabeiras, em Vitória, esteve praticamente vazio por toda esta quarta-feira (19)
Corredores de acesso às salas de aulas do campus de Goiabeiras, em Vitória, esteve praticamente vazio por toda esta quarta-feira (19)
Foto: José Carlos Schaeffer

Mesmo com as medidas de contenção de gastos anunciadas pela Ufes na segunda-feira (12), que incluem a suspensão do uso do ar-condicionado e a redução da frequência de limpeza, a universidade ainda não pode garantir que essas ações serão suficientes para manter o funcionamento da instituição até o final do ano.

Segundo a vice-reitora da Ufes, Ethel Maciel, a universidade capixaba vive um momento "muito dramático"."Faremos de tudo (para funcionar). Começamos o semestre e vamos terminar o semestre. Mas não sabemos ainda se essas medidas serão suficientes. Estamos analisando mês a mês se vamos precisar tomar medidas ainda mais drásticas. As medidas divulgadas na segunda não são medidas de contenção, são medidas desesperadas, eu diria", alertou Ethel.

Os alunos voltaram às aulas nesta segunda-feira (12) com um comunicado da administração central da universidade informando mais medidas de contenção de gastos.

Além de desligar o ar-condicionado nas salas de aula e em setores administrativos, como informou o Gazeta Online em primeira mão, a universidade também cancelou a ajuda de custo para alunos participarem de eventos, cortou 50% nas despesas de manutenção de equipamentos, material de consumo e poda da grama e anunciou até que vai mudar a frequência com que os banheiros da Ufes são limpos, inclusive aqueles que são mais usados.

Estamos desde 2014 cortando, cortando e estamos no limite. Não tem mais da onde fazer arranjo. Começamos o ano com um planejamento de fechar as contas em dia, mas quando você tem um contingenciamento na ordem de 38%, é difícil fechar o orçamento
Ethel Maciel, vice-reitora

A vice-reitora também disparou duras críticas contra o "Future-se", projeto do Ministério da Educação que quer vincular parte do custeio das universidades federais à captação de recursos privados e regulamentar a gestão das instituições com participações de Organizações Sociais privadas. "É o maior ataque à universidade pública que já aconteceu no país. Até então, nunca tivemos um ataque tão profundo. Ele fere como a Universidade é gerida, como nos organizamos. Praticamente vão escolher nossos gestores", desabafou. 

Estudantes da Ufes iniciam passeata rumo à Assembléia Legislativa
Estudantes da Ufes iniciam passeata rumo à Assembléia Legislativa
Foto: Caique Verli

PROTESTOS

Na tarde de terça-feira (12), o contingenciamento no orçamento das universidades e institutos federais voltou a ser alvo de protestos de estudantes, professores e representantes de centrais sindicais. Os atos aconteceram ontem em todos os Estados do Brasil.

Em Vitória, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), 4 mil pessoas participaram do protesto; já a organização do ato estima que a manifestação teve 5 mil participantes.

O ato teve dois principais pontos de concentração: um no campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em Goiabeiras e o outro no campus do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) em Jucutuquara.

Os dois grupos seguiram em caminhada, fechando várias vias da capital, e se encontraram na avenida Desembargador Santos Neves, na Praia do Canto. Após o encontro, eles seguiram até a fachada da Assembleia Legislativa, na Enseada do Suá, onde encerraram a manifestação.

A Sesp informou que não houve registro de confusão durante o ato de estudantes e professores em Vitória. A caminhada começou um pouco antes das 18h e os manifestantes encerraram o ato na Assembleia Legislativa por volta das 21h.

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