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Astrônomos descobrem 12 novas luas na órbita de Júpiter

Uma delas viaja na contramão e está destinada a se chocar com outros satélites

Imagem de Júpiter capturada pela sonda Juno, da Nasa
Imagem de Júpiter capturada pela sonda Juno, da Nasa
Foto: HANDOUT / NASA

Astrônomos anunciaram nesta terça-feira a descoberta de 12 novas luas na órbita de Júpiter, elevando o número total de satélites do gigante gasoso para 79. O que chamou mais atenção dos cientistas é que uma das novas luas, batizada como Valetudo - em homenagem à bisneta do deus Júpiter na Roma Antiga -, orbita o planeta na direção contrária contrária de muitas outras luas e, por isso, está destinada a se chocar com uma delas.

"Valetudo está na contramão da rodovia, então é muito provável que ela colida com esses outros objetos", explicou Scott Sheppard, do Instituto Carnegie para a Ciência, em Washington, e líder das pesquisas.

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As novas luas foram descobertas por acaso, durante observações em busca do planeta 9, um corpo celeste maciço cuja existência ainda não foi comprovada, mas que teoricamente explica a trajetória errante de alguns objetos além da órbita de Plutão. Em março do ano passado, Júpiter cruzou as lentes do telescópio e os novos satélites foram observados.

"Aconteceu de Júpiter estar no céu perto dos campos de busca onde procurávamos por objetos extremamente distantes, por isso fomos capazes de olhar as novas luas ao redor de Júpiter, e ao mesmo tempo procurar por planetas nas margens do nosso Sistema Solar", contou Sheppard. "São necessárias várias observações para confirmar que um objeto realmente orbita um planeta. Então, todo o processo demorou um ano".

Nove das luas fazem parte de um conjunto distante em órbita retrógrada, contrária à rotação do planeta. Elas estão reunidas em três subgrupos que podem ser restos de três objetos maiores que se partiram em colisões com asteroides, cometas ou outras luas. Elas levam cerca de dois anos para completar uma volta em torno de Júpiter.

Gráfico mostra a órbita das novas luas, com Valetudo trafegando na direção contrária dos satélites retrógrados
Gráfico mostra a órbita das novas luas, com Valetudo trafegando na direção contrária dos satélites retrógrados
Foto: Roberto Molar-Candanosa, Carnegie Institution for Science

Outras duas luas são parte de um grupo mais interno em órbita prógrada, no mesmo sentido da rotação. Elas possuem distâncias orbitais e ângulos de inclinação similares, então provavelmente são fragmentos de uma lua maior que se quebrou. Elas levam menos de um ano para dar uma volta no planeta.

 

 

"A nossa outra descoberta é realmente excêntrica e tem uma órbita diferente de qualquer outra", explicou Sheppard, sobre a Valetudo. "Também parece ser a menor lua conhecida de Júpiter, com menos de um quilômetro de diâmetro".

Valetudo tem a órbita prógrada, mas está mais distante e mais inclinada que outras luas na mesma direção, levando cerca de um ano e meio para orbitar o planeta. Os cálculos indicam que a sua órbita cruza a trajetória de outros satélites retrógrados, então uma colisão parece ser inevitável. Os pesquisadores acreditam que Valetudo seja o último vestígio de uma lua maior.

Todos os novos satélites são relativamente pequenos, com diâmetros que variam entre um e quatro quilômetros. Pela definição científica, as luas são objetos que orbitam um planeta e não o Sol, independentemente do tamanho. Dos oito planetas do Sistema Solar, apenas Mercúrio e Vênus não possuem luas. Júpiter possui 79, sendo o planeta com mais luas conhecidas, seguido por Saturno, com 62.

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