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Após reajustes sucessivos, gás de cozinha e gasolina pesam no bolso

Há um ano, a botija de gás saía por R$ 36 e hoje está batendo R$ 65, uma elevação de 80%

A confeiteira Delza Marcelino Prucoli, 66, afirma que no início do ano pagava    R$ 40 pela botija e, na última vez que comprou, pagou R$ 55.
A confeiteira Delza Marcelino Prucoli, 66, afirma que no início do ano pagava R$ 40 pela botija e, na última vez que comprou, pagou R$ 55.
Foto: Guilherme Ferrari

O gás de cozinha e a gasolina não estão dando trégua ao consumidor. Os aumentos são sucessivos desde o começo do ano, o que têm deixado motoristas e cozinheiros assustados. A botija de gás de 13 quilos, que há um ano saía por R$ 36, hoje está batendo os R$ 65, um avanço de 80%, bem acima do registrado pelos índices inflacionários. O litro da gasolina, por sua vez, já furou a barreira dos R$ 3 há algum tempo, e não há sinal de que irá voltar para patamares mais baixos.

Sem ter para onde correr, o consumidor sofre. É o caso da confeiteira Delza Marcelino Prucoli. “Não deixa de pesar no orçamento. Como eu faço bolo por encomenda, tenho que repassar o aumento para os meus clientes. A gente fica triste com a situação, eu não gostaria de aumentar o preço dos produtos”.

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice que mede a inflação oficial, revela que o gás subiu em média 20,1% em Vitória nos últimos 12 meses. Somente neste ano, até setembro, a alta é de 18,7%, bem acima da inflação geral registrada para o período em Vitória: 6,7%.

Reajuste

Esta semana, um novo reajuste: 3,9%. Desta vez por conta da atualização da base de cálculo do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que leva em consideração o preço médio do produto, que só faz subir nos últimos 12 meses.

João Gabriel Maciel, dono de um depósito de gás em Maruípe, Vitória, afirma que os consumidores estão procurando o melhor preço. “Em relação aos outros aumentos, percebi que houve queda no consumo, o consumidor está procurando alternativas para economizar. Está usando micro-ondas, realiza as refeições com toda a família junta e, no café da tarde, utiliza alimentos prontos. No início do ano, o gás era vendido a R$ 48, foi para R$ 55 e com este novo aumento em cima da distribuição do petróleo vai custar entre R$ 60 e R$ 65”.

Gasolina

 A advogada Fátima Miguel, 55, mora em Vitória e trabalha na Serra. Ela  usa o carro com frequência. Agora, busca alternativas para ir ao serviço.
A advogada Fátima Miguel, 55, mora em Vitória e trabalha na Serra. Ela usa o carro com frequência. Agora, busca alternativas para ir ao serviço.
Foto: Guilherme Ferrari

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que no ano, até setembro, o preço do litro da gasolina, em Vitória, avançou 11,44%. Isso porque não leva em conta o último reajuste dado pela Petrobras, de 6%, em 30 de setembro. Também não entrou na conta o aumento já notado pelo consumidor nos últimos dias. De acordo com donos de postos ouvidos pela reportagem, ele se deu pela elevação do valor do etanol nas usinas (o percentual de etanol na gasolina vendida no Brasil é de 27%), dado no início de outubro.

O encarecimento da gasolina e derivados do petróleo impacta no custo final de quase tudo que se consome no Brasil, já que o transporte nacional é quase todo apoiado no modal rodoviário.

Alta nos combustíveis causa efeito dominó

O economista e professor Mário Vasconcelos afirma que essa alta vai pesar no bolso do trabalhador e do empresário.

“Os restaurantes vão gastar mais no preparo da comida e possivelmente irão aumentar o preço, então há um efeito multiplicador desse aumento. O encarecimento do gás impacta mais do que o da gasolina, pois a gasolina apresenta alternativas, o gás não. Como não tem saída os comerciantes repassarão o aumento ao consumidor”.

Ele acredita que por já estarmos no fim do ano tanto o gás quanto a gasolina permanecerão no mesmo preço, a não ser que o dólar dispare, e no momento ele está estabilizado.

“Em relação a gasolina, alguns postos, a partir de determinados horários, baixam o preço. É uma maneira de atrair o cliente, porque senão chegará uma hora em que ninguém conseguirá abastecer. Também tem postos que se o cliente paga em dinheiro o preço sai mais em conta. Qualquer redução faz diferença no final do mês”.

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