Notícia

Desemprego resiste e deixa sem trabalho 13,8 milhões de pessoas

Taxa de desocupados de 13,3% é a maior, desde 2012, para o trimestre encerrado em maio

Procurando emprego há sete meses, Rafaela Cunha, 31 anos, decidiu fazer docinhos e ingressou no mercado informal
Procurando emprego há sete meses, Rafaela Cunha, 31 anos, decidiu fazer docinhos e ingressou no mercado informal
Foto: Marcelo Prest

Após os sinais positivos nos primeiros meses do ano com o crescimento da atividade econômica, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) e a perda de força da inflação, dados divulgados ontem pelo IBGE mostram que na geração de emprego o país continua a patinar.

A taxa de desemprego ficou em 13,3% no trimestre encerrado em maio, atingindo 13,8 milhões de pessoas, sendo o maior índice para este trimestre desde o início da pesquisa, em 2012.

O IBGE considera que houve estabilidade frente ao trimestre encerrado em fevereiro, que serve como base comparação, quando a desocupação foi estimada em 13,5 milhões de pessoas, ou 13,2%.

Já na comparação com o mesmo período de 2016 houve alta de 20,4%, com um adicional de 2,3 milhões de pessoas desocupadas em um ano. Isso porque, há um ano, 11,2% da força de trabalho ou 11,4 milhões de brasileiros não tinham emprego.

A população ocupada, estimada em 89,7 milhões, ficou estável em relação ao trimestre anterior, mas caiu 1,3% ou menos 1,2 milhão de pessoas em relação ao mesmo trimestre de 2016.

“Apesar da desaceleração da queda da população ocupada, ainda há uma queda forte na ocupação com carteira, com perda de 500 mil postos em relação ao trimestre encerrado em fevereiro, que é o comparável e, no ano, de 1,2 milhão de postos a menos”, explicou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Ele adotou cautela ao avaliar os dados diante do cenário econômico e político em curso no país.

“O primeiro indício da crise veio com a perda de carteira de trabalho, então, essa continuidade da redução da carteira num ambiente político conturbado, impede uma análise. É preciso esperar a próxima divulgação, referente ao segundo trimestre do ano”, ponderou.

Instabilidade

Economistas ouvidos por A GAZETA avaliaram que, embora no primeiro trimestre a atividade econômica tenha crescido 1,12%, o PIB avançado 1%, e a inflação desacelerado (3,60% em maio, no acumulado dos últimos 12 meses), a geração de emprego continua sendo afetada pela instabilidade política.

“Esse incremento do PIB trata mais de uma pequena melhoria em vendas relacionada ao setor externo. A mais recente crise política acabou fazendo com que o nível de desconfiança crescesse, então os empresários que estavam mais propensos a fazer investimentos e abrir postos de trabalho entraram em uma nova onda de dúvida”, diz o economista Eduardo Araújo.

Incertezas

Para o doutor em Controladoria e Contabilidade e professor da Fucape, Aridelmo Teixeira, o mercado ainda avalia se a recuperação econômica é “voo de galinha ou tendência”.

“Mesmo na crise, as empresas tendem a manter alguns trabalhadores com certa ociosidade. Quando a economia começa a reagir, essa parte ociosa vai dando conta do trabalho até que o empresário veja se o momento de investir. Ainda temos uma instabilidade política muito grande para a geração de emprego. Por isso as reformas são necessárias: reequilibram o cenário futuro e faz o empresário tirar os projetos da gaveta”, analisa. (Com informações de agências)

Informalidade vira saída na crise

Os dados do IBGE apontam que no trimestre encerrado em maio houve redução das vagas de trabalho com carteira assinada e aumento do trabalho informal, segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O total de trabalhadores com carteira assinada somou 33,258 milhões de pessoas, queda de 3,4% na comparação com o trimestre entre março e maio de 2016. São 1,185 milhão de vagas a menos.

Já as vagas sem carteira assinada cresceram em 4,1% na mesma comparação, com 409 mil pessoas a mais, atingindo um contingente de 10,471 milhões de pessoas. “Perdemos 2,7 milhões de postos de trabalho com carteira em dois anos”, destacou Azeredo.

Procurando emprego há sete meses, Rafaela Cunha, de 31 anos, faz parte desta estatística. Ela foi demitida do último emprego com carteira assinada dois anos atrás, teve uma filha e quando voltou a procurar trabalho formal não encontrou.

“A situação estava apertada. Tenho três filhos e só meu marido está trabalhando com carteira assinada. Procurei e não achei. Então decidi começar a fazer docinhos de festa para vender”, conta sobre como ingressou no mercado informal.

“No dia que tem doce para entregar tem dinheiro. Já ajuda a pagar uma conta de telefone. Quando não tem encomenda não tem dinheiro. Vou fazendo promoções para atrair a clientela. Espero em Deus que vai melhorar”, diz ela, que cobra R$ 35 por 100 docinhos como brigadeiro e beijinho. “À escolha do cliente.” (Com informações de agências)

Ver comentários