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Agricultores investem no plantio de uvas na região de Vargem Alta

A expectativa dos produtores é de colher cerca de 120 toneladas do fruto neste ano

Ozeas Pasti e  Antonieta Pasti plantam uvas em Vargem Alta
Ozeas Pasti e Antonieta Pasti plantam uvas em Vargem Alta
Foto: Geizy Gomes

A produção de uva tem ganhado espaço no município de Vargem Alta, região Sul do Estado. A cidade, que tem como forte a produção cafeeira, viu a fruticultura crescer nos últimos 10 anos e, hoje, são mais de 30 produtores da fruta.

Por ano, conseguem produzir 120 toneladas e, para ajudar a agregar valor, fazem sucos, vinhos e doces. A expectativa agora é conseguirem montar uma indústria de processamento de sucos, que irá beneficiar todos os produtores.

Um dos precursores do plantio da uva é o agricultor Ozeas Pasti, que aprendeu o manejo do fruto com o pai há mais de 50 anos. Mas com a intenção de gerar renda, ele começou há cerca de 10 anos a aumentar a área de plantio.

“Desde então, a gente vem melhorando e plantando mais e, hoje, a gente está como Cantina Vôttilio. Estamos chegando a dois hectares e a ideia é plantar mais” , disse Ozeas, que conta com a ajuda da esposa Antonieta Pasti.

Ele é o presidente da Associação dos Produtores de Uva de Vargem Alta (ProUva), que reúne boa parte dos produtores do entorno. Em sua propriedade, na localidade de Fruteiras, ele tem cerca de dois hectares de uva. As variedades que planta são Isabel Precoce e Bordô, uvas usadas para a fabricação de sucos e vinhos, que são comercializados na propriedade, além de vender o fruto in natura.

Após a criação da ProUva, que completa uma década em fevereiro, a produção de uva no município só tem aumentado. “Foi uma necessidade que a gente viu na época, há dez anos, para melhorar as práticas do cultivo da videira. Graças a Deus a gente conseguiu, em parceria com Incaper e Sebrae, mais capacitação e treinamento para os produtores. A safra de 2008 foi de 20 toneladas e, para 2018, a expectativa é de chegar entre 110 e 120 toneladas”, contou.

Na fruticultura, a uva é o item mais cultivado pelos produtores. As espécies mais plantadas são Niágara Rosada, Isabel Precoce, Vitória e Carmem. O engenheiro agrônomo do Instituto Capixaba de Pesquisa Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Haroldo Oliveira Gomes explicou que a tendência dos produtores é direcionarem a produção para a fruta.

“Quem mexe com uva não volta atrás, pois ela dá rentabilidade em pequenas áreas. Ela usa mão de obra familiar. Um hectare chega a produzir de 25 a 30 toneladas de uva. Colocando isso no mercado a preço de varejo, que é R$ 5,00, representa muito para a arrecadação do município. Também é bom para a agricultura familiar em questão de renda.”

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O cultivo da uva está presente em 600 propriedades rurais espalhadas em 40 dos 78 municípios capixabas, de acordo com o Incaper. A cultura envolve cerca de mil produtores e ocupa uma área de mais de 200 hectares.

A expectativa é de que a safra capixaba 2017/2018 atinja em torno de 3 mil toneladas de uvas, sendo 90% delas destinadas ao consumo in natura e 10% para processamento. A cidade de Santa Teresa é uma dos maiores produtoras de uva e vinho.

Parreirais se transformam em atração turística

A beleza dos parreirais começou a atrair a curiosidade das pessoas que passavam pelo local e, com isso, os produtores de Vargem Alta viram uma oportunidade de ganhar uma renda extra, trabalhando com o agroturismo. A partir daí, as famílias também passaram a fabricar subprodutos da uva, o que garante ainda mais renda.

Somente a propriedade administrada pelo jovem Murilo Romão, de 21 anos, recebe a visita de 25 mil pessoas durante a colheita, entre os meses de janeiro e abril. Dos sete alqueires de terra, um alqueire (o equivalente a cinco hectares) é reservado para o plantio de uva. Para este ano, a previsão é de colher 40 toneladas das espécies Vitória, Isabel Precoce, Carmem e Niágara.

O agricultor começou a produzir suco integral há cerca de oito anos, quando conseguiu a licença da Vigilância Sanitária Municipal para comercializar o produto em Vargem Alta e, há dois anos, conquistou a certificação do Ministério da Agricultura, permitindo vender para todo país.

“Os produtos processados são mais rentáveis pois a gente aproveita 100% da uva. Se a gente for vender pro Ceasa, ele vai pagar pela fruta, mas e o que sobra dela? Aqui, a gente vai fazer o suco, e da polpa fazemos a geleia e os doces pastosos. Já do engaço dele, que é o talo da uva, a gente faz o aproveitamento para a compostagem de solo que serve para adubo orgânico”, disse Murilo.

O secretário de agricultura, Amarildo Sartori, explicou a importância da produção de uva para a cidade. “As culturas são em pequenas áreas e isso permite as famílias a se manterem na propriedade com mais dignidade e até a manter os seus filhos mais próximos. Além disso, contribuem para a geração de emprego e renda, porque o produtor precisa contratar pessoas, em geral, uma mão de obra bem especializada.”

Murilo Romão recebe visitantes antes da colheita
Murilo Romão recebe visitantes antes da colheita
Foto: Geizy Gomes

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