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Caixa Econômica Federal reabre programa de demissão voluntária

Caixa Econômica Federal reabre programa de demissão voluntária

Em 2017,o banco economizou R$ 500 milhões com a realização de dois programas de demissão voluntária, que resultaram na demissão de 7,3 mil pessoas.

Publicado em 28 de janeiro de 2018 às 19:32

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(Divulgação)

A Caixa pretende reabrir, ainda esta semana, seu Programa de Demissão Voluntária (PDV) para reduzir despesa com pessoal. Os interessados terão o mês de fevereiro para se inscrever. O banco quer implementar o programa o mais breve possível com a meta de obter melhora nos resultados ainda este ano.

O objetivo da instituição é bater, ao menos, a proposta estipulada, no ano passado, de desligamento de 10 mil funcionários. Em 2017,o banco economizou R$ 500 milhões com a realização de dois programas de demissão voluntária, que resultaram na demissão de 7,3 mil pessoas. Atualmente, a Caixa tem 88 mil funcionários.

Uma das novidades do PDV, deste ano, é que quem estiver apto a se aposentar até 31 de dezembro poderá se habilitar ao programa. Aposentados com ao menos, 15 anos de serviços prestados à Caixa, a exemplo do ano passado, também poderão se inscrever.

Quem aderir, além de receber todos os direitos trabalhistas e de poder sacar o FGTS, ganhará dez remunerações básicas como incentivo.

A Caixa também vai implementar um programa para reduzir despesas administrativas, com fechamento de agências, postos de atendimentos e unificação de aéreas administrativas. Segundo fontes do banco, a ideia é, ao menos, estabilizar os custos com administração para melhorar o resultado e a eficiência da instituição.

"Queremos estabilizar as despesas e, para isso, estamos avaliando fechamento de unidades, de filiais e unificação de áreas administrativas", explicou fonte do banco.

Em outra ponta, a instituição pretende intensificar o relacionamento com os clientes — pessoa física, jurídica e governo — para ampliar receitas com prestação de serviços. De acordo com executivo do banco, as receitas deste segmento tiveram ótimo desempenho, em 2017, quando cresceram 12%, conforme balanço ainda a ser divulgado.

HISTÓRICO

Em 2017, o banco estatal recorreu duas vezes a PDVs para enxugar o quadro de funcionários, que hoje beira 88 mil servidores. No primeiro plano, encerrado em março, houve adesão de 4,6 mil colaboradores. Já o segundo, finalizado em agosto, teve 2,7 mil inscritos. Dados do balanço de setembro apontam para uma economia de R$ 500 milhões com os dois programas.

O banco ainda tem cerca de 3 mil funcionários próximos da aposentadoria que se encaixam nos critérios para aderir a um PDV. A expectativa é que haja queda das despesas com pessoal neste ano, cenário que será apoiado por um ajuste operacional que inclui a limitação em 6,5% da folha do custeio do plano de saúde dos funcionários. Segundo o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, o novo PDV deve ter início neste trimestre.

A aprovação de um novo estatuto, instituição de um plano de reforço de capital sem uso do dinheiro do FGTS e a criação de barreiras às indicações políticas para cargos de direção fazem parte da nova política, que tenta corrigir problemas de gestão do banco. Algumas das medidas, principalmente as relacionadas aos apadrinhamentos, já encontram resistência na classe política.

A reforma no estatuto da Caixa teve inspiração na Petrobrás, que também passou por um choque de gestão depois dos casos de corrupção revelados pela Lava Jato, com fraudes em licitações e desvio de bilhões de reais.

Como na petroleira, o ajuste tenta impor uma "mudança cultural", a começar pela forma de escolha dos dirigente. Na semana retrasada, o banco anunciou que todas as 12 vice-presidências terão seus titulares indicados em um processo de competição interna. É provável até que o número de cargos seja revisto.

A substituição, no prazo máximo de 12 meses, dos vice-presidentes marcará a etapa mais complexa do processo. Os mandatos serão de dois anos, podendo ter recondução de até três vezes e um mandato não coincidente com o do governo. Ou seja, eles permanecerão nos cargos após terminada a gestão do presidente Michel Temer.

O processo de escolha vai mesclar candidatos de fora e funcionários da Caixa. Será aberta inscrição para uma seleção interna e, simultaneamente, uma empresa especializada no recrutamento de executivos será contratada por licitação. O modelo já foi testado na escolha de um diretor, dois membros do novo comitê de risco, um auditor interno e dois integrantes do comitê de auditoria.

A ideia é que, ao longo do tempo, todos os outros cargos de chefia, inclusive os de superintendentes regionais, passem por processo semelhante, mas a conclusão dessas mudanças pode levar anos.

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O novo modelo de gestão incluiu também uma política de apetite ao risco. Foi criado um comitê independente para indicar as bases sobre o grau de risco a ser aceito pelo banco nas diversas operações de crédito.

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